Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Ciclistas (e pedestres)

Em um dia foi uma ciclista de 40 anos que morreu atropelada, na faixa exclusiva de ônibus da Avenida Paulista. No dia seguinte, foi um ciclista de 15 anos que morreu atropelado em Botafogo, no Rio. No DF, não sei quantos ciclistas morreram atropelados em 2008 – MUITOS, que tentaram aproveitar a topografia quase plana e fugir do péssimo sistema de transporte coletivo, que há 48 anos impera na capital do país.

Daí vem outra vez a conversa de que é preciso que as prefeituras construam ciclovias, etc. e tal.

Na Europa quase não se vêem ciclovias. Os ciclistas convivem com os pedestres, em faixas BEM delimitadas nas calçadas e nas faixas de travessia nas ruas. Bem mais barato.

Mas no Brasil tudo tem de ser faraônico, dar dinheiro às empreiteiras, blá-blá-blá.

Quanto às calçadas, isso é outro assunto, afinal de contas, na capital do país isso ainda é tabu, pois os idealizadores da cidade-modelo não levaram em consideração que os pedestres têm necessidade de se mover dentro da prisão a céu aberto que eles criaram. E não se pode discutir o que esses semi-deuses conceberam, no sublime alheamento à realidade. Pedestre é um animal que tem de ser exterminado. O centenário arquiteto repetiu, há menos de um mês, que não quer saber de proteção a esses seres execráveis que enfeiam a paisagem que Ele mesmo criou.

Agora, por outro lado, é necessário fazer MUITAS campanhas educativas voltadas para os ciclistas, para eles saberem que dirigem um veículo e que, como tal, também têm de obedecer o Código Brasileiro de Trânsito, e portanto existe, por exemplo, sentido para trafegar – a famosa mão e contra-mão.

O problema é que alguns de-formadores de opinião, dentre os quais uma certa jornalista cujo nome leva o mesmo HIPO de Hipócrita, são contra campanhas educativas de trânsito, porque ELA acha que isso é um desperdício de dinheiro público. (Podem conferir no blogue da mencionada senhora.)

De certo modo, ela tem razão: matar é bem mais barato do que deixar a pessoa em recuperação no hospital, onde os gastos são bem maiores.

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