Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Um herói nacional

Temos em nosso panteão de heróis, um nome (dentre vários) um tanto quanto questionável. Trata-se de Rui Barbosa, conhecido como o Águia de Haia, the most boring delegate na Conferência que houve naquele cidade holandesa, em 1907.

Pois como ministro da Fazenda da recém-proclamada república, mandou queimar todos os Livros de Matrículas de escravos existentes nos cartórios, bem como  os registros de posse e movimentação patrimonial que envolvessem escravos.

Não, não era para “apagar a mancha da escravidão do passado nacional”, como aprendemos. Era, sim, para, com a medida, inviabilizar o cálculo de eventuais indenizações que vinham sendo pleiteadas pelos antigos proprietários de escravos, já que um projeto de lei havia sido encaminhado à Câmara dos Deputados, com a proposta de ressarcir senhores dos prejuízos gerados com a abolição assinada pela Princesa Isabel em 1888.

Como ficaria isso hoje em dia, pois o assunto tem os dois aspectos, o dos antigos proprietários (inclusive negros que eram proprietários de escravos, é bom lembrar), e o dos antigos escravos? A questão das indenizações vale para ambos os lados. Bem, “nosso herói” destruiu todos os documentos. Inclusive destruiu todos os dados que podem auxiliar a traçar o perfil etnológico da formação africana na população brasileira.

Rui Barbosa fez também outra façanha. Fã incondicional dos Estados Unidos, atuou para que a primeira constituição republicana do Brasil fosse ao máximo uma cópia da constituição do outro país, sem levar em conta todas as diferenças sociais e históricas entre ambos. O resultado foi que a República Velha teve uma federação imposta de cima para baixo, instável, coronelista, frágil, e se dissolveu em 1930. A constituição dos Estados Unidos continua em vigor, há mais de 200 anos; o Brasil, desde 1890 já teve seis cartas magnas, sem contar a redação de 1969 dada à constituição de 1967.E nossa federação, imposta de cima para baixo, ainda tenta de compor. E nossos partidos políticos ainda não sabem para o que servem.

Mas o grande brasileiro ainda tinha outros aspectos, pessoais, menos conhecidos. Sovina de marca maior, suas recepções no Rio de Janeiro eram motivo de preocupação entre padeiros e confeiteiros que, na época, organizavam as recepções e festas da então capital federal. Se os fornecedores não recebessem adiantamentadamente pelos serviços contratados, não o seriam depois de os produtos consumidos pelos convidados do grande intelectual. Foi o que aconteceu com um pintor português, avô de um conhecido meu, que aceitou pintar o casarão na Rua São Clemente para acertar o pagamento durante o serviço. A conseqüência disso foi que a família do pintor passou penúria durante todo o ano seguinte, dadas as despesas que o político brasileiro não aceitou pagar. Calote puro e simples. Há também um outro caso meio suspeito: uma certa reforma feita no casarão, por uma empresa belga. A troco de que a empresa estrangeira se ofereceu para essa reforma? Qual o benefício auferido na política brasileira para fazer de graça aquele serviço? Mistérios da história, destruídos como os arquivos dos Livros de Matrículas.

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Comentários em: "Um herói nacional" (1)

  1. Detesto Rui Barbosa. Como quase todos os nosso “heróis” nacionais, é mais um caso de historinhas mentirosas de alguém provavelmente pernóstico e pusilânime que “se tinha certeza”.

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