Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Bragança e Habsburgo

Hoje, quando saía da garagem, vi que a “prefeita da quadra” (síndica dos síndicos da superquadra, uma entidade obrigatória no Plano Piloto, para dialogar com o administrador regional de Brasília), havia mandado gastar dinheiro do condomínio para pintar todas as sarjetas com as cores dos Bragança e Habsburgo, ou seja, de verde e amarelo, respectivamente.

Duvido que a senhora cínica tenha idéia de que as cores nacionais do Brasil (e também da seleção de futebol australiana) não sejam referência a matas e a riquezas minerais, mas tão sòmente a um casamento mal-fadado, infeliz, que uniu duas casas reais européias nos trópicos sul-americanos.

Tivesse Pedro (depois I) casado com uma princesa Bourbon, a bandeira seria verde e branco; com uma protestante Hohenzollern, verde com uma águia preta; com uma ortodoxa Romanof, também verde e amarelo.

Por isso, nesses anos em que algumas pessoas são tomadas por essa patriotada de pintar tudo de verde e amarelo, como as unhas de gatos e cachorros abandonados nas ruas, suponho que elas não sabem que as cores nacionais dependeram apenas de a independência do Brasil ter sido proclamada por duas pessoas, cujo casamento arranjado foi muito infeliz. Independentemente de ter havido ou não uma Domitila, durante o período em que conviveram.

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Atualização em 14 de abril de 2015:

http://laurentinogomes.com.br/blog/2015/04/a-origem-das-cores-da-bandeira-do-brasil/

faltou um detalhe em meu post, de 2010:

Losango representa o lado feminino, em heráldica.

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Comentários em: "Bragança e Habsburgo" (1)

  1. Na mosca, como sempre. Trecho do “Os símbolos nacionais”, da Presidência da República (pág.12):

    Em 29 de setembro de 1823, o nosso agente diplomático junto à Corte de Viena descrevera a Metternich a bandeira do novo Império do Brasil. Sobre as cores dissera que D. Pedro I escolhera o verde por ser esta a cor da Casa de Bragança; e a amarela, “a Casa de Lorena, de que usa a Família Imperial da Áustria”.

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