Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

A dor de uns dói mais do que a de outros

Não agüento mais ouvir chamadas em rádio ou ver chamadas em jornais ou na internet, a respeito da morte do filho de uma atriz da Rede Globo, que ao infringir a proibição de circulação de um túnel, praticando skate e fazendo grafitti (nome da pichação de intelectuais), foi atropelado por outro infrator, que conduzia um veículo.

Como se trata de gente com acesso à amaldiçoada imprensa, fica esse rame-rame interminável.

Fosse o morto um rapaz de 17 anos, morador de favela, certamente boa parte das pessoas diria:

– “o que ele fazia lá uma hora daquelas? vagabundo… – o mocinho do carro se assustou, pensou que fosse um assalto!”

mas como se trata do filho de uma atriz (que não faço idéia de quem seja, já que tenho o prazer de não assistir televisão), a novela é insistida em todos os noticiários.

A dor da perda do filho, no caso da atriz, deve doer muito mais do que o caso de centenas, ou milhares de mães anônimas, que não têm a sorte do sucesso para todo o destaque dos óculos escuros da dor.

Lembro-me imediatamente do caso de uma criança, bebê ainda, que morreu afogada em um balde, tanque, ou coisa do gênero, enquanto a mãe estendia roupa no varal. Pois o incrível ministério público de não-sei-onde não se preocupou com o fato de a mãe sofrer pela morte da criança: indiciou-a por negligência no trato do bebê.

Para uns tudo, para outros o rigor da letra dura da lei. Ainda mais quando envolve holofotes.

Para isso existem os olhos e ouvidos dos empregados da imprensa (que se auto-denominam jornalistas), constituída por empresas que subsistem graças às propagandas de conteúdo mais do que questionáveis.

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Comentários em: "A dor de uns dói mais do que a de outros" (6)

  1. É Boppe, o pior é que a imprensa ta fazendo um fuá sobre os policiais que receberam propina e tirando o foco dos grandes culpados que eram dois malucos tirando racha na contramão de um tunel parcialmente fechado, que me conste isso só ja bastaria para prender os dois estúpidos, que se deram propina para a polícia, também devem ser processados por mais um crime, pois que me conste tanto o policial que recebeu a propina é criminoso, como quem ofereceu, portanto, como disse o grande filósofo JC que os mortos enterrem seus mortos e que os vivos façam na verdade a sua parte.

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  2. Concordo com voce, boa matéria.

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  3. Como o alarde em torno do caso do goleiro Bruno.
    Milhares de mulheres são espancadas e mortas DIARIAMENTE.
    E ameaçadas quando entram na justiça em busca de alimentos para os filhos ou porque querem se separar.
    São fatos que eu testemunho no dia a dia, mas isso não é notícia…

    E sabe o que é pior?
    É ouvir os indecentes dos pais omissos rindo da cara da mãe do filho dele, dizendo que a partir de agora vai aplicar a “lei do bruno” se ela ficar enchendo o saco por causa de atraso na pensão.
    Quem deu tanto destaque para esse caso escabroso?

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  4. ah, e mesmo sem holofote a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.
    Vi uma sentença condenando os pais de um menino a ressarcirem o motorista do carro que o atropelou, porque a cabeça do menino estragou o espelho do importado do cidadão.

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  5. […] caso da Macarronada Brun0-Eliza, e eis que a Ju acrescentou um comentário no post sobre o caso da família de pichadores em um túnel no Rio de Janeiro (sim, porque a mãe também foi hoje lá fazer pichações, para homenagear o filho, sem ter de […]

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  6. Quanta sabedoria! A imprensa é uma grande Mothernet!
    De filhos escolhidos.

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