Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Em conversa com uma pessoa que não mora no Brasil (e nunca estudou aqui), falávamos sobre a imprensa, as perguntas prèviamente combinadas em entrevistas para engabelar o povo, seus conchavos com os governantes [basta lembrar as ligações de Getúlio com Samuel Wainer, e os vínculos de jornalistas com aquele presidente “bossa-nova”  que deu a embaixada em Londres a Chateaubraind, e andava de braços dados com outros mais – por isso sua aura de “santo bonachão” ainda é intocável]. Por não morar no Brasil, minha interlocutora não foi cegada pela propaganda do país de tolos, o tal país “rico” e outras coisas mais, e fala com mais isenção do que 99% dos brasileiros, que são obrigados ao direito do voto na “salada de letras” de nossa ditadura dos partidos.

Um de seus comentários foi que o Obama (“the nice guy”) faz a mesma coisa em entrevistas. Tom Wolfe, em seu livro “Hooking Up”, disse que a próxima geração, depois das guerras mundiais, seria super-passiva e complacente; que o mundo faria de tudo para evitar outro conflito, pois o risco e as conseqüências das guerras são altos demais, e as tragédias vistas nas primeiras duas assustaram demais a todos. Ela comentou: “Nunca vi uma previsão mais correta, mas falhou em perceber que foi exatamente essa aceitação cega do que os líderes mundias ditam que nos levou às guerras em primeiro lugar.”

Ela acrescentou, em outro ponto, como é insuportável a leitura da polìticamente correta e hipócrita BBC. A imprensa européia, mas sobretudo a BBC, preocupa-se demais com cortesias, esforça-se tanto em ser ‘justa’ com os dois lados da história, que acaba nem dizendo nem revelando nada. A imprensa européia só “esquece” de publicar a notícia.

Sob esse ângulo, a imprensa brasileira ainda tenta cumprir o seu papel de Quarto Poder (4th Estate). Pelo menos faz melhor do que a maioria da imprensa do mundo. O Brasil ainda dá orgulho, pois é um país onde os jornalistas ainda investigam casos politicos (embora chamados de “porcos golpistas”), e freqüentemente expõem escândalos e corrupção política com mais conseqüência pública do que ‘tal politico teve um caso com tal prostituta’. Isso os ingleses fazem a toda hora, e fica só nisso, sem se entrar no aspecto de quais foram as conseqüências do jogo de influências da manipulação sexo-poder. Seria, realmente, uma enorme pena que se perdesse isso, ela adicionou.

Acrescentou também que já foram cedidas muitas liberdades aos governos, já se criaram demasiadas dependências, simplesmente por se aceitar tantos programas de ajuda social. Isso já chegou a um nível absurdo, mas isso é um tema para outra hora, concluiu minha amiga.

Sobre o comentário de “programas de ajuda social”, pergunto qual a participação deles no endividamento dos países? Não houve desperdício? Não foi com o argumento, de que o dinheiro seria usado para esses “programas sociais”, que os governos pediram tantos empréstimos no sistema financeiro internacional? Agora a culpa é “só” dos banqueiros internacionais?
Bancos sempre houve. Em centenas de documentos da Antigüidade, há menções aos agiotas e outros tantos mais que mexiam com dinheiro. Ainda nem havia o “malvado” capitalismo, mas havia banqueiros. A grande diferença é que o mundo não era tão cheio “bondades” como agora, depois do “welfare state”. “Bondades” que vemos bem como funcionam, quando o Estado do Rio, anualmente, fica sob lama. Lama do dinheiro desviado. “Bondades” que são excelentes para um “pequeno desvio de verbas”. Currais eleitorais, porém, não desaparecem. Algumas vezes a imprensa até os reforça…

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Comentários em: "Conversa com uma amiga sobre o “quarto poder”" (1)

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