Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Ônibus (e também bondes)

Sei lá porque, me lembrei da linha de ônibus que tanto utilizei: Cidade Universitária – Largo da Concórdia, e seu “colega”, o Cidade Universitária – Jaçanã.
Eu sempre dizia Concórdia e Jaça, mas meus amigos que moravam em Pinheiros diziam nove-dois-nove e nove-quatro-dois, os números das linhas.
Era uma coisa acho que da região mesmo. Eles diziam sete-quatro-um, e eu dizia General Osório; eles, sete-quatro-três, e eu, Xavier.

Ninguém, na Lapa, onde eu morava, costumava dizer os números das linhas.
Eram Anastácio, Pio XI, Leopoldina, Vila Hamburguesa, Vila Romana, Vila Zatt, Vila Anglo, Boaçava, Ipojuca, Sumarèzinho (com o necessário acento grave), Casa Verde, Santana (o que passava perto da José Paulino), e o famoso Penha-Lapa, que, este eu sei o número, era o 400, subdividido em vários itinerários: via Praça Clóvis, via Mercado, via Celso Garcia, via Radial Leste, e depois até mesmo via Marginal. Depois, para essas variações todas deram números diferentes, que não me soam nada.

Os pinheirenses diziam meia-zero-um, meia-zero-dois e meia-zero-quatro, e eu lia Jardim Europa, Jóquei e Jardim Paulistano. Eram os ônibus elétricos que passavam pela Rua Augusta.
Alguém na Lapa sabia o número da linha de elétrico Machado de Assis – Cardoso de Almeida? Claro que não, era apenas o elétrico das Pedizes!

Muitas linhas de ônibus desapareceram há mais de 30 ou 40 anos!
Havia o Fábrica – Pompéia (via Centro) e “irmão” Fábrica – Pinheiros (via Brigadeiro, que era única e exclusivamente o Luís Antônio). Fábrica, hoje em dia, sophisticadamente, só chamam de Sacoman…
Lapa – Cambuci foi outra que sumiu há muito tempo; passava pelo Centro e pelo Glicério.

Ainda existe o Lapa – Vila Mariana (que antes se estendia até o Jabaquara), e que faz o antigo percurso dos bondes. Rua Guaicurus, Avenida Angélica, Avenida Paulista, Rua Domingos de Morais, embora hoje em dia ela tenha uma versão “moderna” que passa pela Avenida Sumaré, por isso tem a letra H (de Hospital das Clínicas), enquanto que a outra, tradicional, tem a letra T, de Rua Turiaçu.
Também sobrevive o Lapa – Santo Amaro, que vai até o Socorro, que era o 933, e virou 888, e hoje em dia é 856-R-sei-lá-o-que-mais.

Como alguém pode saber as sopas de letras e de números para tomar os ônibus? Viraram verdadeiros códigos secretos da autarquia que cuida dos ônibus em São Paulo. Até a CMTC já mataram…
As linhas de ônibus que um dia conheci nem existem mais. Muitos trajetos têm de ser feitos a pé, onde antes havia ônibus que percorriam ruas secundárias de bairros.

Ah, sim, meu avô, quando precisava comprar material elétrico, pegava um ônibus até o Centro (até a Cidade, como se dizia), depois outro até “Bertioga”, a Vila Bertioga, que agora só chamam de Água Rasa, porque lá havia lojas mais baratas. Várias vezes eu e meus primos fomos com ele fazer esse “passeio”. Vale lembrar que naquele tempo velho pagava passagem de ônibus, então, para compensar essa aventura, os preços na Vila Bertioga deviam ser mesmo bem mais baratos do que na Zona Oeste.

Jä que falamos de bondes, fica para os curiosos saudosistas  a relação das linhas de bondes em 1954, disponível no link que assinalei.

A última linha, a de Santo Amaro, foi extinta em 1968.  Hoje em dia, os afrescalhados engenheiros de transporte chamam os bondes de VLT; uma forma de não admitir que eles apoiaram a retirada dos bondes das cidades brasileiras naquela época de “modernidade” dos automóveis.

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Comentários em: "Ônibus (e também bondes)" (4)

  1. Eu e minha mãe andamos muito de ônibus V. Mariana, ela era costureira e trabalhava na Rua Augusta.
    Com era sozinha, ela ia buscar as peças de roupas já cortadas, e confeccionava em casa, para ficar comigo, depois de prontas, íamos entregar.
    Essa caminhada fizemos por muitos anos, ás vezes passeávamos no Jardim Trianon, íamos ao cinema no Conjunto Nacional, comprava sempre novidades para mim, nas lojas da rua Augusta, era sapato, brincos, anéis……quase sempre em promoção, pois o dinheiro era curto.
    Que tempo bom!

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  2. Peguei muito o Fábrica-Pinheiros e o Sumaré que nós chamávamos carinhosamente de Sumarelão…
    Eu morava na Lacerda Franco, paralela à Lins de Vasconcelos, perto do Largo do Cambuci. Minha avó morava na Avenida Paulista, eu estudei na União Cultural Brasil-Estados Unidos, fui interna no Madre Cabrini, na Vila Mariana…

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  3. O que vinha para minha casa – o único que lembro o nº 716 – Pça Patriarca – Parque da Lapa (CMTC). Na ida para a “cidade’, saía do Parque do Lapa e ia Rua Clelia, Chico Tarazo, até Pça Patriarca, voltava pela Faustolo, Pio XI e Parque.
    Só para alimentar sua lembrança.
    Tinha também o Jabaquara que ia por Pinheiros, passava pela Rua Iguatemi (atual Faria Lima), Clube do Pinheiros, pelo Hospital dos Servidores, (R. Pedro de Toledo) e subia até o Jabaquara.
    O Vila Mariana que vc cita ia pela Paulista, dormi muito nele voltando do bjetivo.
    Agora bom mesmo foram os bondes, andei pouco, mas era divertido. Andei com meus pais nos dois o aberto onde o cobrador ficava do lado de fora no estribo e no camarão.

    Lembro que havia o papa-fila.
    Eu morava no Parque da Lapa, perto do cemitério, e antes não havia onibus do Parque e do Alto da Lapa direto para “cidade”. Pegavamos um onibus até a Lapa e no final da Coriolano / Pio XI havia um ponto de onibus da CMTC e algumas vezes tinha o tal papa-fila, de lá para a cidade.

    Agora andar de bonde em Santos está muito interessante, pois eles fazem circuito turistico.

    Aqui em Campinas tb temos um no Parque Portugal que funciona nos finais de semana e feriados.

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  4. Bem lembrado. Como tomei ônibus e também como mudavam os pontos finais, principalmente o Vila Romana, que por um bom período teve seu destino final no largo do Arouche (embaixo do Minhocão). Eu percorria esse caminho 4 vezes ao dia. Mas tenho saudades, pois os jovens de hoje reclamam de andar 100 metros.

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