Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Alvarás

De repente, por conta do incêndio em Santa Maria, a população brasileira ficou ouriçada com o fato de que alguns estabelecimentos trabalham com alvarás vencidos.

O alvará venceu!!!

E daí?

Por causa disso as condições se alteraram? Houve deterioração de alguma coisa, além da data em um papel emitido por algum burocrata que nunca tirou o traseiro da cadeira?

Aqui em Brasília, alguma ótóridade da Agefis (uma coisa que só serve para emitir multas) disse que eles se preocupam com a papelada. Literalmente disse isso: o que importa é a papelada, e lògicamente, também, as taxas que têm de ser pagas para encher os cofres públicos, para abastecer as muitas máquinas de enriquecimento ilícito, mesmo porque, se faltar alguma coisa, dá-se um jeitinho.

Alguém se preocupa em checar in loco o que está escrito no tal processo de liberação de alvarás? Que é isso, ‘xáprálá, mermão.

E por acaso, um mês depois de concedido o bonito alvará, por acaso algum fiscal (seja lá de que órgão seja, inclusive bombeiros) passou por lá para verificar se as condições indicadas no tal processo de liberação de alvarás foram mantidas? Ou aquilo tudo era “só pra inglês ver”?

Terra do faz de conta.

De repente, em clima de histeria coletiva, manipulados por uma imprensa sensacionalista, milhões de delinqüentes sociais, os chamados brasileiros, começam a reclamar que o alvará estava vencido.

Por acaso o alvará vencido provoca diarréia? Alvará é igual a iogurte?

Mais uma coisa, ouvi agora de manhã no rádio, que em Brasília 40% das casas noturnas funcionam com a abertura autorizada por LIMINARES, uma indústria muito lucrativa.

Claro, qualquer juizeco que nunca saiu do clube e da vara é capaz de verificar toda a papelada, para indicar que um estabelecimento pode funcionar, por estar de acordo com todas as normas exigidas em leis, decretos, regulamentos, e uma dose de achismos. Claro está que, se houve a necessidade de concessão de liminares, essas exigências não estavam plenamente satisfeitas.

No final da história, tudo fica bonitinho no papel, e é apenas isso o que interessa para este paiseco de bacharéis. Ver a realidade, apalpar os materiais e seus entretantos, ah, isso é muito chato. Serviço p’ra peão, nunca para dotô.

Ainda bem que estamos ampliando o número de universidades, sem qualidade, mas isso é um mero detalhe. Imaginem quantos outros idiotas conseguirão seus canudos para se tornar ótóridades.

O que interessa são os papéis.

Comentários em: "Alvarás" (2)

  1. A tragédia de Santa Maria é a nossa cara. É a cara do atraso, da leniência, da passividade, mas é principalmente a cara do jeitinho. A cara do Estado corrupto e corruptor.
    Claro que vilões serão apontados. Nós brasileiros adoramos o maniqueísmo de vilão e herói. Assim nos eximimos de culpas e obrigações.
    Alguns passarão um tempo na cadeia, mas nesta tragédia somos todos vilões. Ao aceitar a cultura do tanto faz, e empurrando com a barriga seguiremos até onde der. De vez em quando dá errado e cai por terra toda a malandragem da qual muitos brasileiros se orgulham.
    Na terra do jeitinho todos querem sair ganhando. Sim, os impostos são muitos. Muitas exigências são absurdas, porém o básico algumas vezes é deixado de lado. Esperamos que mude de cima pra baixo e já é hora de percebermos que não mudará.
    O fiscal, o alvará, a lei que não é cumprida não são exclusividades brasileiras. A exclusividade brasileira é achar que burlar a lei e levar vantagem em tudo, em detrimento do outro cidadão, é o certo.
    Falta civilidade, falta responsabilidade, falta instinto social, falta respeito, falta interesse em mudar, falta educação, falta dignidade, falta verdade. Honestidade no nosso país é bônus e não obrigação.
    Temos que de alguma forma mudar, mas, como sempre, esperaremos o vilão ou herói salvador para que isso aconteça. A esperança de um país mais digno começa em coisas banais como, por exemplo, que o público é de todo mundo e, por isto, logicamente, deve ser muito mais respeitado.
    No Brasil não se discutem ideias ou projetos para uma melhora coletiva, discute-se cargos, nomes e indicações. Ocupantes de cargos públicos comandam cidades, estados e o próprio país como se fossem propriedades privadas.
    Corrompemos e seremos corrompidos pela descrença, por esta merda impregnada no nosso DNA chamada jeitinho. Nossa preguiça é ideológica, moral e biológica.
    http://corvodadiscordia.blogspot.com.br/2013/01/nossa-cara.html

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  2. […] Outros brasileiros, a imensa maioria, estão preocupados com programas de televisão, com o time de futebol, com a “música universitária”, com o blá-blá-blá dos alvarás. […]

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