Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Darwin

Ouvi hoje um comentário sobre o incêndio em local super-lotado em Santa Maria e a babaquice da avalanche humana no novo estádio do Grêmio:

– Darwin. Seleção natural

É, se os fatos tivessem ocorrido no Nordeste, todo mundo estaria falando que é fruto da ignorância permanente do povo, isso e aquilo,
mas como se trata do badalado e impoluto rio grande, há grande solidariedade.

a se pensar…

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Comentários em: "Darwin" (6)

  1. VERDADE verdadeira!!!

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  2. Não sei não… Experimenta fazer essa mesma piada num espaço público de visibilidade trocando “Santa Maria” por “maior seca desde os anos 60” para você ver. Vai ser linchado virtualmente e corre o risco de responder a um processo legal. Mas de fato tragédias sao recebidas de forma diferente pelo público: logo depois de realengo, que foi no RJ e com crianças, teve gente fazendo piadinha no twitter e não rolou a patrulha que rolou com sta. maria.

    A dificuldade em enviar ajuda ao nordeste é que a miséria do sertão não é pontual e sim sistêmica. Uma coisa é enviar roupas e produtos de higiene uma vez por ano para o Rio de Janeiro ou pro Sul em função de uma enchente (que ainda tem a conveniencia de coincidir com o natal, época em que muita gente tá atrás de fazer caridade).

    Outra é mandar todo mês ajuda em dinheiro (ou de outra forma) pro sertão e não ver nenhum resultado disso. É mais ou menos como você ficar um mês pagando almoço prum cara e ao final desse mês ele ainda nao tem meios de se sustentar. Porque a miséria dele alimeta a industria da seca que alimenta a industria de votos.

    Agora discordo totalmente quanto ao grêmio. A torcida gremista faz avalanche há anos sem nenhum problema. Aí constroem uma arena para torcida do gremio, na expectativa de liberar parte da arquibancada para galera fazer a tal da avalanche…. E fazem um alambrado xexelento, que quebrou na primeira avalanche! Não é culpa da torcida pô! É culpa do idiota que planejou/construiu que desenhou mal o alambrado/usou material de baixa qualidade.

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  3. Quem disse que isso é piada? É uma observação séria. Eu, como muitas outras outras pessoas, acho que saturou ouvir essa lamúria toda sobre Santa Maria, como se essas vítimas fosem mais importantes do que outras tantas que há em outros acidentes. E, para teu conhecimento, foi um cearense quem disse à mesa, para outros amigos, que as mortes em Santa Maria são um problema darwiniano, sem contar a tremenda inconseqüência de tudo quanto é gente de 20 anos de idade – desde sempre. Ou o público não tem participação quando um lugar fica com excesso de lotação?
    Não seria hora de contabilizar os milhares de mortos na Régis Bittencourt? Mortes diárias por conta-gotas não contam? Só a granel? Os adoradores de passarinhos deveriam pensar sobre essa questão. Os pássaros também têm capacidade de adaptação.

    Cabe aqui também perguntar se alguém ainda está motivado para doar seja lá o que for, para as vítimas sasonais no Rio de Janeiro ou para Santa Catarina, depois de ver como foram desviados para o bolso de IRreponsáveis da política e também da defesa civil. Isso também é indústria de votos. Em muitos dos posts que incluí neste blogue falei da vergonhosa omissão das autoridades municipais fluminenses. Esse tipo de prefeitura que libera os burocráticos alvarás para construção de mansões de novos-ricos em locais com vista privilegiada, apesar dos riscos de desmoronamento da área, e que fecha os olhos para a ocupação irregular de morros e de vales por sempre-pobres. As enchentes de Santa Catarina eram uma calamidade anuncida na década de 1960, quando fizeram obras de recuperação no Itajaí, até que, não sei porque, nos últimos anos voltaram a ocorrer as enchentes “natalinas”, como você bem salientou. Algo ocorreu na ocupação próxima ao rio, que fez perder efeito o trabalho anterior.

    De certa forma, parece que falamos sob o mesmo ponto de vista, mas com palavras diferentes.

    Quanto ao Grêmio, acho que há tradições que precisam ser eliminadas de vez. Essa coisa ridícula e abominável da avalanche humana é uma delas. De novo a dúvida: quem provoca a super-lotação? Existia, até não muito tempo, a “tradição” de se fazer surf em trensvagões ferroviários. Beber é outra coisa que se precisa aprender a não mais se fazer, sobretudo a tradição de beber em festas, para fingir felicidade. Nessa hora, penso que os pássaros têm capacidade de adaptação maior do que boa parcela dos humanos.

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  4. É isso mesmo. Se a danceteria e o estádios fossem em Salvador, logo viriam piadas preconceituosas contra a “baianada”.

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  5. Ah tá… É que um bocado de gente nas redes socias fez esse mesmo comentário sobre sta. maria em tom de piada. Aí eu achei que você também estivesse fazendo uma piada… E só para constar observações sérias também podem se apresentar sob a forma de piada.

    Toda vez que acontece uma morte que chama atenção vem um monte de gente – dos mais variados tipos e de todas as filiações politicas – apontar para um outro grupo de cadaveres e perguntar “porque ninguem chora por esses?”. E eu acho isso uma tremenda bobagem porque nao dá para hierarquizar a morte. Quando as pessoas manifestam horror diante de uma tragédia, elas não estao negando o horror das outras mortes. Da mesma forma que estar de luto por um ente querido não torna a morte de um conhecido menos trágica. Cada luto tem um tempo para acontecer e terminar e isso depende exclusivamente de quem está sentido ele.

    E além do mais quem seriam os responsáveis por definir quanto concernimento seria aceitável a cada tragédia? Quem diria: acidente com motorista bebado? Um dia de pesar. Pai de familia baleado em assalto? Um dia e meio. 240 jovens mortos num incendio? Dois dias e nem um minuto a mais.

    Ah, ainda existe solidariedade no mundo e no Brasil. Isso é fato, é só olhar com atenção. Desde a mocinha que sede lugar para idosa sentar no lotação até o cara que doa medula pruma pessoa que ele nunca viu na vida passando por campanhas como teleton e criança esperança. Inclusive favelas e ocupaões só são viavéis porque existe solidariedade; porque um vizinho cuida do outro quando falta comida ou água.

    Concordo que em 90% das catastrofes há irresponsabilidade dos órgãos públicos. Não creio que sempre seja corrupção, as vezes é só inconpetência mesmo. E que há industria de votos no sudeste, as vezes associada até ao narcotráfico.

    Independente de gostar ou não da tradição da avalanche, o que me mata é que os gestores públicos, o dono do estádio e os construtores sabiam que ia rolar avalanche. Concordaram em remover as cadeiras de parte da arquibancada em jogos que nao fossem da FIFA. E das duas uma: ou construiram o alambrado do estádio sem levar em conta a avalanche ou negligenciaram a construção e jogaram a responsabilidade no colo de deus. Na primeira falta planejamento; na segunda falta carater.

    Você perguntou se o público tem culpa da superlotação. Num sentido mais amplo qualquer um pode ser culpado de qualquer coisa – e o pequno Bruce Wayne pode ser responsabilizado pela morte dos pais. Mas falando em termos estritos de forma que a conclusão tenha utilidade no campo da política, os jovens da boate só podem ser responsabilizados pela superlotação se tiverem invadido a boate ou coagido o dono a deixar entrar mais gente que o suportado. Do contrário a responsabilidade por controlar a quantidade de público é da casa. Idem para o estádio. E se os responsáveis sabiam – ou nao tinham certeza – se o estádio comportava a avalanche deviriam ter tido a coragem de peitar a torcida e proibir a tradição. Era só deixar as cadeiras na arquibancada e a prática seria impossível. Mas não, eles preferiram se omitir da propria responsabilidade. E mesmo que você considere uma tradição idiota, apoiar um discurso que corroba com a omissão de responsabilidade me parece um puta tiro no pé.

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