Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Expressão e retrocesso

Uma amiga hoje conversou comigo sobre algo que a estarreceu: – vendo noticiário das televisões européias sobre a renúncia do Papa, como é diferente a maneira de pensar em outros países. Nós estamos perdidos em longas frases, sem objetividade. Não apenas as frases apresentadas nas televisões européias são melhor construídas, mas elas têm mais conteúdo.

Pois é, de uns tempos para cá, o pensamento emburrecedor dos professores, no atendimento da política de “vamos nivelar por baixo”, mais a onipresença ditatorial de meios de comunicação paupérrimos, têm feito com que o vocabulário dos brasileiros, como um tudo, tenha se retraído de forma assustadora. *

Não depende apenas de características das classes sócio-econômicas mais baixas [ainda se pode falar isso, na ditadura do polìticamente correto e hipòcritamente cinico e mal-resolvido?], pois professores e jornalistas, no debate sobre os temas concernentes à renúncia do Papa, têm demonstrado uma fragilidade de pensamento maior do que a saúde de Bento XVI.

Não são apenas frases gramaticalmente erradas [como a que hoje ouvi em uma estação de rádio de Brasília: “começou as aulas”; dá vontade de perguntar à tal jornalista por que, então, ela não aproveitou e se matriculou para novas aulas, já que ainda não foi capaz de aprender o plural].  Isso, inclusive, é um risco a que todos se sujeitam, por conta de falta de leitura e por excesso de audição de besteiróis; contaminação por erros.

Não! O problema é a falta de raciocínio lógico. Aquilo de que tantas vezes se fala quando são divulgadas algumas redações ininteligíveis, feitas por alunos do ensino médio.

Sem vocabulário, apenas expressões vazias, e frases sem qualquer conteúdo, apesar de recheadas de palavras, às vezes com excesso delas.

No ritmo em que vamos, não teria dúvidas de que, em uma ou duas gerações, o Brasil será o primeiro país a perder a capacidade de expressão oral. Seremos apenas milhões e milhões de pessoas imbecilizadas, a grunhir como animais em chiqueiro. Obrigado professores que não se sentem à vontade para ensinar, e muito menos habilitados para reprovar!

Depois ainda temos de suportar o discurso demagógico de políticos, que repetem feito papagaios que a educação é uma prioridade. Perguntem se algum estudante pode ser aprovado, cursar faculdade etc., se não for aprovado nas aulas de língua, na Coréia, na China, no Japão, e tantos outros países que, fingimos, estaríamos a copiar como modelo de desenvolvimento. Estamos destinados ao fracasso no desenvolvimento econômico, e também no social.

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* Quando estava no Goethe Institut, lembro-me de que os alunos mais novos não entenderam o significado em português de palavras como “estorvar”, ou “víveres”, quando em determinadas lições seus equivalentes em alemão foram apresentados. Meu avô, operário de indústria têxtil, sem o ensino primário completo, tinha um vocabulário mais amplo do que meus colegas das aulas de alemão.

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