Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

O acento na língua

Há uns dias, recebi uma mensagem por correio eletrônico que veio vazia.

Devolvi ao remetente com o comentário:

“Veio em branco.”

Meu amigo pouco depois encaminhou o que havia faltado, não sem antes incluir um comentário muito oportuno:

“Véio em branco é o próprio Papa!”

Pois é, os defensores de uma reforma ortográfica que suprima os acentos na língua portuguesa escrita (como o desacordo que nunca entrará em vigor) esquecem que a sonoridade de certos sons em português é salientada nos acentos. Ouvintes de muitas línguas têm dificuldades impressionantes para conseguir distinguir nossas palavras avô e avó, inclusive “aqueles” vizinhos. Muitas outras línguas, também, não sabem distinguir O aberto e O fechado.

Fôrma ou fórma? O bolo tem a fórma da fôrma em que foi assado.

Outras línguas têm seus sons específicos, que oferecem dificuldade para pessoas não nativas os reproduzirem.

Por exemplo, U francês e Ü alemão (que alguns ignorantes atualmente pronunciam como U inglês = â;  über = âber!!).  Y eslavo.  RRs e HHs árabes.

Em inglês, I,  EE e  EA são sons distintos. Vamos querer que ingleses e amerianos façam uma reforma ortográfica para adequar essas palavras à nossa maneira de escrever?

Isso tudo para ficar no mais óbvio, sem entrar em especificidades de tantas outras línguas.

Apesar disso, nossos “sábios” decidiram que os acentos vão contra o aprendizado. Eliminaram o imprescindível Trema, e não permitem a distinção entre EIA e ÉIA. Será que um dia vão querer suprimir também Cedilha e Til?

Temos de ter nossa própria maneira de demonstrar isso na linguagem escrita. Não vamos perder nossos sons próprios para satisfazer o “egozinho” demagógico de pseudo-pedagogos que deram notas altas a redações que incluíram trechos de receita culinária ou hino de um time de futebol da oitava divisão.

Poderia me alongar por muito tempo, mas prefiro apenas manter minha própria ortografia, e não haverá qualquer editora que um dia me convença do contrário. Não lucro com os erros que são impostos para vender mais obras de pseudo-gramática (do tipo herrar naum he herrado) e dicionários “atualizados”. Esses aí não podem corrigir o Véio – faz parte da língua mais popular.

Obrigado, cardeal Bargoglio, pela oportunidade dessa breve reflexão. O véio justificou sua eleição.

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Comentários em: "O acento na língua" (1)

  1. O véio veio e viu que aveia é bom para limpar a veia da véia.

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