Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Arquivo para junho, 2013

Assuntos políticos e assuntos não exatamente políticos

Algumas coisas que não estão em discussão. Temas tabus.

Municípios. A célula da federação é o ente mais mal administrado, mais desperdiçador de dinheiro, mais tudo de ruim que existe. Uma estrutura pesada,  de prefeitura, secretariado e vereadores, e claro, veículos oficiais, para na maioria dos 5 mil municípios apenas ficar pedindo dinheiro para a construção de fonte luminosa ou de ponte de madeira, que irá ruir na próxima chuva. Algum político vai ser a favor da substituição dessa célula por outra unidade, como a micro-região, por exemplo, que tenha um consórcio de atividades comuns, cujos conselheiros não sejam políticos, mas efetivamente representantes das localidades que representam? Claro que não, o município é a escola onde se formam os políticos profissionais que poluem nosso cenário.

Partidos políticos. Alguém ainda acredita neles? Por que todas as candidaturas a cargos eletivos têm de ser associadas a um partido? Por que, como em tantos outros países, não se admite no Brasil a figura do candidato independente?

Sindicatos. Sindicatos únicos territorialmente e obrigatórios. Mussolini adorava esse domínio sobre trabalhadores. E a esquerda aprendeu direitinho a lição. Pergunto eu: o que tem a ver o bancário que trabalha no banco laranja com o outro que trabalha no banco amarelo? Os processos de admissão e de planos de carreira são os mesmos? As perspectivas e as humilhações são idênticas. Um sindicato dos bancários em São Rita dos Limões Azedos representa os interesses dos bancários laranjas e amarelos? Você sabe o nome de seus representantes sindicais? Não?! Como, a contribuição sindical, descontada de seu salário, é obrigatória e você sequer sabe quem são os dirigentes do seu sindicato? Ah, mas não tem jeito. É, as centrais sindicais e os sindicatos (ou melhor, cinicatos) mexem com muuuuiiito dinheiro, e têm muita influência política. Algum político vai querer se indispor com esses sistema podre?

Tribunal de Contas. Tribunal de Faz de Conta. Os sujeitos são nomeados os políticos amigos que perderam as eleições, para fiscalizar os gastos dos governantes. Só pegam peixe miúdo e olham com lupa as contas do funcionário que compra caneta esferográfica. Nunca examinam as contas dos padrinhos que os puseram nessa mamata. Também adoram usar carros oficiais e ficar em prédios chiquetérrimos.

Voto obrigatório. Muito útil para que os eleitores do voto de cabresto, na forma tradicional ou na moderna forma do bolsa-voto não se esqueçam de comparecer nas secretíssimas urnas eletrônicas.

Lista fechada para eleições legislativas

Isso fortalece os partidos, é o que dizem.

Claro, imaginem quem irá encabeçar as listas dos partidos.

Em São Paulo, Zé Dirceu, Falsoíno e Berzoíno serão os cabeças de lista do PT. Toda a dinastia dos sarnentos será a lista dos cabeças de chapa no Maranhão. Os Alves permanecerão no poder do RN. E por aí afora…

Voto de cabresto é pouco perto dessa baixaria.

Os tais cardeais da política serão mais beneficiados do que já são hoje em dia.

Ideologia desse tipo não é o que eu quero.

Voto distrital – prós e contras

Voto distrital  é um instrumento razoável, mas não é perfeito.

Quando eu tive aulas de ciência política, um dos temas do professor era sobre formas de favorecer o partido do governo com a manipulação dos distritos.
Seus limites são alterados de tempos em tempos, e sempre com vista a favorecer o partido governista. Que coisa… Na França isso já foi escandalão.

Na Inglaterra, durante décadas e décadas houve os chamados burgos podres, distritos eleitorais antigos, que ainda existiam, e que, por conta de migrações, já não tinham mais os requisitos básicos para formarem, sòzinhos, distritos eleitorais. Elegiam pessoas sem qualquer representatividade.
Na mesma Inglaterra há o fato da história de que deputados eleitos pela regra do voto distrital puro fazem com que temas exageradamente locais na eleição ganham prioridade, deixando de lado alguns temas mais amplos. Após a Segunda Guerra Mundial Churchill não conseguiu ser reeleito deputado, e não pôde continuar como Primeiro-Ministro. O partido dele ganhou as eleições, mas ele mesmo ficou de fora do novo parlamento.

Voto distrital misto atenua incrìvelmente esse risco.

Mais, o tal recall, que existe no voto distrital nos Estados Unidos. Perfeito. Poucas pessoas porém sabem que o voto do candidato é preso às propostas (propositions). Se ele tem 3 propostas e não as cumprem, ou as contrariam, aí é que o eleitor pode fazer o recall e colocar para fora do legislativo o tal deputado. Não é aquela coisa de “não gostei da chapinha que ele fez”, “ele está muito gordo”, “ele maltratou o manobrista do restaurante”.  Se o Infeliciano sempre teve como plataforma de campanha “gay é um doente”, não pode ser defenestrado por dizer isso. Se o Renan diz “sou cínico”, não há justificativa para um recall.

O voto proporcional que temos é uma coisa muito doida, que carrega sabe-se lá quantas pessoas com meia-dúzia de votos, porque o puxador de votos carrega toda aquela tralha. Foi assim com Enéias, Tiririca (que levou de volta o Valdemar Costa Neto) e tantos outros casos em todos os Estados. É um sistema que difìcilmente os estrangeiros compreendem. Uma vez ouvi um ministro do TSE dizer que tinha recebido uns fulanos de tribunais europeus, e que estes tinham ficado espantados com “nosso método”. Dentro do pensamento do “salário do TSE é muito bom”, ele não deve ter percebido que o espanto era pela escandalosa razão de que o voto proporcional brasileiro é uma aberração.

Bem, imaginem os distritos eleitorais no Brasil.
Vocês duvidam que os distritos serão delimitados de forma a que o voto dos “desvaforecidos” seja misturado com o da “zelite”.
Morumbi vai se juntar com Campo Limpo; Caxingui e Jardim Bonfiglioli ficarão casados com o Jaguaré; Alphaville vai para Carapicuíba. O Leblon e a Rocinha estarão unidos nas urnas; a classe média da Ilha do Governador será reunida com “as cuminidadjis” do Complexo da Maré. No DF, o Lago Sul fará companhia a São Sebastião; o Lago Norte a Paranoá e Itapoã,; os condomínios do Colorado serão reunidos com Sobradinho II e Fercal; Park Way votará com Santa Maria. Tristeza, Cristal e outros bairros da Zona Sul de Porto Alegre receberão os eleitores Belém Novo, Restinga e outros bairros da hiper-periferia. O Jardim Goiás votará com a Zona Leste de Aparecida. Só alguns exemplos.

Quem sai ganhando com essas regras? Algum partido está com vantangens?

P.S. Veja o post O voto distrital puro.

Financiamento público de campanha

O quê? Jogar dinheiro fora do orçamento para esses pústulas fazerem campnnha para eles mamarem nas tetas do país?

Jamais, em tempo algum.

Ou vocês acreditam, de verdade, em papai noel, coelhinho da páscoa e que esse financiamento impedirá o famoso e inesgotável

CAIXA 2?

CAIXA 2 sempre existiu e sempre existirá.

“Basta ver que nas últimas eleições em Sumatra, até os esquimós da Patagônia anotaram doações de campanha dos ursos polares do Kalahari e de elefantes da Guatemala em suas listas de eleitores.”

Uçerizumanu são desonestos desde que bebêzinhos aprendem a chantagear pais, mães, avós e tios. Estão sempre passando a perna nos outros.

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Que tal uma regrinha mais simples, a nosso favor:
financiamento de campanha com dinheiro do próprio partido?

Será que eles vão se incomodar em abrir seus pesados cofres?

Ah, e com um detalhe: doações de particulares, pessoas físicas, pessoas jurídicas (empreiteiras e outras empresas “descompromissadas” com emendas no orçamento), sindicatos, ONGices, e organizações criminais, só até seis meses antes da eleição.
Uma tentativa de evitar esses oportunistas que se “definem” para o lado de quem está na frente da corrida, quando ela já está em andamento.

Começaram as enrolações

Ouvi uns caras, jêntchi da enpreimça e cientistas políticos que vivem no mundo da utopia, falando sobre alguns itens da tal reforma política pós-arrastões.

Esquecem de mencionar fatos históricos comprovados de imperfeições dessas “maravilhas” da teoria, fora o incontornável mau-caratismo de governantes – executivo, legislativo e judiciário.

Tudo para engabelar o populacho e fazer a galera votar em quem não quer perder as mamatas.

Como o assunto é um pouco longo, vou dividir este tópico em vários posts,
pois nada é tão simples e mágico, como agora querem vender para a plebe no plebiscito, como sonha a dona presidente.

Melhor seria lembrar que:
o povo unido é sempre emburrecido
pelos marqueteiros políticos e os manipuladores de corporações profissionais.

Como ouvi, para abocanhar sua lasquinha de vantagens, há gente que está tão animada com o plebiscito, que até já foram procurar saber se a palavra se escreve com cê cedilha ou com dois esses.

Assaltos em rodovia

Ontem, ouvi um “homem da enpreimça” falar sobre os assaltos a caminhões que ocorrem todos os dias, aos montões, nos congestionamentos da estrada entre São Paulo e Curitiba, provocados por um trecho que até hoje não foi duplicado.

O homem da enpreimça disse que os assaltos são feitos por moradores das margens da BR.

O carinha não disse que a proibição da duplicação foi obra do amiguinho de vocês, o tal Ministério Público, preocupado em salvar o habitat de um tipo de passarinhos, mas nem um pouco interessado em saber quantas milhares de pessoas morreram naquele trecho não duplicado.
Quando é que o trabalho do MP vai sair do holofotes ou deixar de cuidar de interesses particulares? Quem ganha tão bem poderia ter uma atuação mais ampla.

Há alguns anos, o Estadão tinha feito uma matéria sobre uma proprietária de terras na região que não aceitava os valores da desapropriação para a duplicação. O passarinho mais importante do mundo surgiu depois…

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