Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Cream cheese

Reproduzo, abaixo, artigo do colunista André Barcinski, da Folha de São Paulo:

(V. é a abreviatura de um nome, não é a abreviatura de você)

A maldição do “cream cheese”

V. é louco por comida japonesa.

Há quase 30 anos, quando São Paulo não tinha uma temakeria em cada esquina, ele viajava os 300 quilômetros que separam sua cidade da capital paulista e ia à Liberdade procurar um balcão onde pudesse saborear sushi.

V. é empresário do ramo de alimentos. Abriu e fechou diversos restaurantes. Teve lanchonetes, locais de comida a quilo e bufês. Mas o que queria mesmo era servir sushi.

Há dois anos, V. finalmente abriu um pequeno restaurante japonês em sua cidade. Animado, fez contatos no Ceagesp e nos melhores fornecedores de São Paulo e do Rio de Janeiro. Conseguiu um mergulhador que traz peixes fresquíssimos, contratou um sushiman experiente e montou um cardápio variado.

V. é um purista do sushi. Já pesquisou muito sobre o tema e tem um grande respeito pelas tradições da culinária japonesa. Sua ideia era oferecer um cardápio tradicional, que não apelasse às invencionices que assolam boa parte dos restaurantes japoneses no Brasil.

A realidade, no entanto, não permitiu. Nos primeiros dias de funcionamento, V. percebeu que as iguarias que ele trazia de fornecedores especializados -o unagui (enguia), o uni (ouriço-do-mar) e as ovas- quase não saíam. A maioria dos clientes só queria saber de temaki de salmão com “cream cheese”.

Foi um balde de água fria. “Teve uni que eu comi sozinho, porque nenhum cliente quis”, diz V. “Eu pedia pro sushiman botar nos combinados para o pessoal provar, mas eles davam uma olhada e mandavam devolver, com nojo.”

V. resignou-se: se os clientes querem temaki de salmão com “cream cheese”, era isso que encontrariam. Mas o empresário tem desenvolvido uma técnica para identificar clientes “diferentes”: ele conversa com a pessoa na hora do pedido; se percebe que ela gosta de sushi de verdade, chama o sushiman de canto e pede para ele deixar o “cream cheese” de lado e caprichar no unagui e nas ovas. “Não dá para brigar com o cliente”, diz V. O cliente, sabemos, tem sempre razão.

-=-=-

É, sêo Barcinski, o populacho acha que colocar cream cheese “melhora” a comida japonesa.
Vende mais porque dá status à nova crasse mérdia.

Eu não desprezo o cream cheese, mas não gosto dele com comida japonesa.
Domingo mesmo, estava em um quiosque de comida japonesa, que há em tudo quanto é biboca de Brasília, e perdi a vontade de comer,
porque pràticamente tudo tinha essa coisa.

Preferi ir em outro quiosque, onde vi uns quibes, e comi um,
não sem antes perguntar se por acaso não tinha o ridículo catupiry,
diretamente importado das arábias.

Molho cudebarbie não chega perto de mim,
mas é chiquetérrimo – o pessoal comeu na última excursão que fez e gostou.

Há uns dias, comprei dois bombons da ex-Garoto, hoje em dia um garoto vendido para a Nestlé –
era o mesmo que comer açúcar puro com consistência de borracha, apenas que era escuro.
Que saudade dos chocolates verdadeiros, que pràticamente não existem mais no Brasil…

Qualquer hora dessas vão inventar que a “legítima” pizza napolitana tem de ter cream cheese, chocolate garoto e molho cudebarbie.
Aliás, se há coisa difícil de se encontrar é a velha pizza de aliche (anchova), que era a preferida de meu avô, e de que eu não gostava porque achava salgada demais.
Mas era melhor do que as geringonças de abobrinha, berinjela, e outras coisas que vendem hoje em dia, todas com gosto de água suja.
Talvez por isso mesmo o pessoal despeje tubos de maionese e de ketchup na pizza.

Ainda bem que, no mês passado, tive a oportunidade de comer um legítimo filé à cubana,
aquela comida fora de moda e cheia de sabor.
Estava uma delícia!

Çináu dus tênpu
tempura com catupiry e molho de churrasco americano.

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Comentários em: "Cream cheese" (1)

  1. […] de espinafre, porque alguém lhe disse que “é ruim, que bom é batata frita com chocolate, krim tchis e molho cudebarbie“, algo típico dessa geração que pensa que brincar é ficar com um joguinho para provocar […]

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