Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Arquivo para segunda-feira, 17 junho 2013

A tal mobilidade

Engraçado, mas desde que os politicamente corretos inventaram o termo “mobilidade urbana”, em lugar de se usar o bom e velho “transporte coletivo”, as coisas só têm piorado.

Mobilidade urbana (termo usado até nas problemáticas Alemanha e Suécia, que não conseguiram inserir os imigrantes que receberam por “bondade dos generosos corações sociais-democratas”) inclui pernas e coxas.
Ou seja, quem anda a pé ou de báiqui, magrela, camelo e velotrol, são todos incluídos na mobilidade.
Deixa de ser um assunto de competência municipal, para se tornar um tema que “pode ser resolvido” pela iniciativa individual.

Agora, alguém explica por que os manifestantes “pela mobilidade” no Brasil depredam os próprios ônibus? E as lojas, o que têm a ver com o assunto das tarifas? Os caixas automáticos de bancos? Os metrôs não servem para nada? Os jornaleiros sofrem muito mais com a depredação das bancas, do que os jornalistas, “eternas vítimas”, que vão aos pináculos dos 15 minutos de fama.

Aliás, você já ouviu falar de alguma cidade onde o “passe seja livre”? Onde o transporte coletivo seja gratuito? Só mesmo quando se trata da amaldiçoada “mobilidade pernal”, e mesmo esta consome calorias. Como comentou Barbara Gancia, na semana passada, o transporte é gratuito na Israel idílica de Ben Gurion, ou em algum país escandinavo? Havia passe livre na Alemanha Oriental de Erich Honecker?

Bem que o hiper-liberal e democrático Oba-obaminha podia bisbilhotar as redes sociais, para tentar explicar quais as intenções dos manifestantes tupiniquins. Algo está escondido por detrás desse rastrilho de pólvora que tomou conta das cidades brasileiras. Sinceramente, não acredito no “desejo da juventude de mudar” o estado de coisas. Não os vejo brigando por melhores escolas e por professores mais qualificados, por hospitais com atendimento eficaz, pela prisão – e permanência na prisão – de bandidos notórios e julgados.  Mudar o que?

A “puliça” é cruel e despreparada. Não questiono. Por isso mesmo é polícia, aqui, em Londres ou em Pequim. Os vândalos daqui, porém, não são melhores.

Piores são nossos inúmeros juízes que concedem liminares a empresários que há décadas exploram (literalmente) o transporte coletivo, mesmo que, muitas vezes, nunca tenham participado de licitações. Contra isso não ouvi falar de protestos… nem o famoso “jus sperneandi”.

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