Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

A Lei Rouanet

A Folha publicou uma matéria sobre uso da Lei Rouanet.

O jornalista desanca o uso de recursos da desoneração fiscal para reforma de igrejas, pontes, sedes de governo, uma Oktoberfest e até celebração de torcida organizada.

Ponte? É a Ponte Hercílio Luz, cartão-postal de Florianópolis.

Sedes de governo? Campo das Princesas, em Recife, e Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Igrejas? igrejas e catedrais em Goiana (PE), Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Campinas.

Certamente o jornalista deve ter tido aulas de história apenas no cursinho pré-vestibular, com um desses professores que leciona (mal) o ateísmo comunistóide.

Será que o empregado da Folha nunca ouviu falar dos milhões de turistas que visitam Roma, Granada, Colônia ou tantas outras cidades?
Será que os turistas vão procurar apreciar a arquitetura das igrejas e templos, com pinturas, e esculturas, ou fazem as visitas para conhecer os prédios das redações dos jornais locais?

Não importa qual seja a religião dos grandes templos – Angkor, Taj Mahal, ruínas maias, pirâmides, templos gregos, catedrais católicas, etc. – essas grandes construções têm sim de receber apoio financeiro especial para continuarem a ser os grandes marcos referenciais da arquitetura de todas as épocas e de todos os lugares.

Se obras que envolvem religião não merecem apoio para conservação e restauro, então a Casa de Portinari, em Brodowski, tem de ficar abandonada. Os murais de Benedito Calixto ou de Aldo Locatelli podem despencar das paredes. Etc. e tal. Provàvelmente, também,  o autor da matéria no jornal não sabe o valor histórico da igreja de Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo.

Vale o mesmo para grandes palácios. Se fosse um dos caixotes de concreto armado, construídos pela “arquitetura moderna”, certamente o autor da matéria na Folha daria opinião diferente.

Se o jornalista acha que as construções brasileiras não merecem respeito, melhor mudar-se, por exemplo, para Havana, e tentar salvar os sobradões em ruínas da cidade.

Em tempo: sou contra, isso sim, o uso de dinheiro, através da Lei Rouanet, para espetàculozinhos de jazz ou de funk, com artistazinhos de 18a. categoria.

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Comentários em: "A Lei Rouanet" (5)

  1. Comentário besta: curioso vc ter escolhido o número 18 para se referir a “artistazinhos de 18a. categoria”, posto que o artigo 18 da lei Rouanet é o que especifica quais segmentos artisticos terão direito a 100% de isenção fiscal (ou seja, a empresa não colocará um centavo de seu dinheiro no projeto).

    Foi de proposito?

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  2. Curioso você ter se revoltado contra o comentário. Conheço muitas pessoas sérias do meio artístico, e a maior parte delas considera que a Lei Rouanet é uma das grandes fraudes do país.
    Acrescento que sou favorável a que todos os “artistas” que fazem exibições em ruas (estátuas vivas, malabaristas de semáforos, grafiteiros, etc.) paguem imposto sobre serviços, contribuição previdenciária e imposto de renda. Estou farto da vulgaridade e da vulgarização do que chamam de arte.

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  3. Leio agora que aquela senhora da cultura e do turismo “relaxa e goza” quer que a lei Rouanet seja estendida ao mundo da moda. Não basta o dinheiro desperdiçado no supérfluo e no luxo. Será que vão criar o vale-moda?

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  4. É. Tem muitas gente por aí que gosta do clientelismo que os políticos criam. Pode chamar de fome, de cultura, de “pesquisa”, de um monte de coisas pelo kraio-a-4.

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  5. É tudo esquema pra desviar verba. isso ai todo mundo sabe mas não corre atrás. Até quem tá em condenação consegue o dinheiro.

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