Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Hotéis

Com o tempo fui aprendendo a viajar por prazer e a ficar em hotéis em alguns lugares inesperados. Cidades fora dos roteiros turísticos convencionais.

Depois comecei a viajar a serviço, e a passar temporadas em hotéis nos lugares nem sempre muito visitados.

Finalmente, hoje em dia, tenho o hábito de viajar para aproveitar o tempo que a aposentadoria me oferece.

Claro que isso faz com que os olhos de hóspede fossem se tornando mais seletivos e exigentes.

Não é apenas a decoraçãozinha da moda que me chama a atenção. Não é a elegante mesa do café da manhã que me dá prazer. Não é um frigobar variado com quinquilharias caras que me encherá os olhos – mesmo porque se estou fora de casa, ficar no quarto assistindo televisão e bebendo seja lá o que for é programa de mongol que atravessou o Estreito de Bering.

Não adianta xingar o manobrista, se o projeto de arquitetura da garagem é um lixo. Já fiquei em hotel onde os manobristas deveriam ser canonizados, pelos milagres que conseguem fazer.

É fácil olhar a qualidade (ou defeitos) dos tal enxoval de lençóis e toalhas. É bom sempre ver se a mesa será limpa depois que alguém se levanta. Se ficar mais de um dia, observo a freqüência com que é renovado o estoque de sabonetes, xampus e coisas do tipo.

Sobretudo aprendi a olhar para o chão.

É, olhar para aqueles corredores imundos que há em quase todas as cidades, com migalhas de comida, pedaços de papel, clipes caídos, e tantas outras coisas. Olhar para a soleira da porta dos elevadores e perceber que no canto há um monte de poeira acumulada desde a construção do edifício. Ver coisas que são imperceptíveis para gerentes que não tiram seus gordos traseiros das poltronas de seus escritórios, preocupados em “atingir metas”.

Já fiquei em hotéis onde era possível escrever recados na soleira dos elevadores, tal como crianças fazem nos vidros ou latarias de automóveis muito sujos.

O que faço: uma coisa que brasileiro detesta assumir – visto minha roupa de super-reclamão e deixo por escrito a queixa sobre a sujeira (brasileiro gosta de ser cordeirinho). Em alguns lugares existe aquela frase: “visite nossa cozinha”. Na queixa saliento: se a sujeira nos corredores já é tão grande, não quero imaginar o que ocorre na cozinha.

Se for hotel de rede, é ótimo escrever para a administração central, e dizer que as metas de economia do gerente foram atingidas, e que as metas de porcaria também.

Sempre tive resposta – algumas tão estapafúridas que me provocaram gargalhadas. A culpa é dos empregados, claro, o gerente não tem nada a ver com o fato de que faltam funcionários para tarefas específicas. O gerente tem de “economizar” para atingir metas, mesmo que isso signifique a perda de hóspedes em ocasiões futuras.

Uma certa rede de hotel francesa já recebeu mais de uma comunicação minha, sobre o péssimo trabalho que “sêo” fulaninho ou dona beltraninha fazem para espantar os hóspedes. Sempre tive boa resposta por parte da administração dos hotéis para a americalatrina.
Por precaução, deixo anotado o nome daquele traste de gerente porco, para no futuro me prevenir e não me hospedar em algum lugar onde aquela figura tenha conseguido novo posto de trabalho.

Façam o mesmo. Pagamos, e não é pouco, para a hospedagem de algumas horas ou de alguns dias. Os hotéis não nos fazem isso por bondade. O mínimo que temos de fazer é ficarmos atentos e darmos a devida resposta – inclusive escrever para elogiar, se alguma vez isso for o caso.

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