Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Arquivo para sexta-feira, 27 setembro 2013

Palavras que perderam o sentido

Michel Laub publicou na Folha de São Paulo um artigo sobre palavras que se tornaram desgatadas e inúteis dentro das frases.

Ele começa com o abominável “suposto” para identificar criminosos vistos, gravados, confessos e tudo mais, porém que ainda não tiveram o famoso “tramitado em julgado” do processo.

Menciona “lógica”, “elite” e “classe média”, “republicanismo”, “pseudointelectual”, “gonzo”, “bom gosto” (como a dedicação kitsch dos enólogos), “técnico” em jargão do “tribunalês”, “renovação” (de taxa bancária), “outsider”, “debate”, “verdade”, “ironia”, “relativista”, “hitler” e “censura”.

Dois leitores acrescentaram a essa lista: “qualidade de vida”, o pleonasmo do feio “meio ambiente” (half environment), “handicap” com o significado “corporativo” oposto ao que tem na língua inglesa, “biodiversidade”, “sustentabilidade”, “desenvolvimento sustentável”, “mobilidade urbana”, e “patrulha ideológica”.

Já comentei sobre essas palavras em vários posts mais antigos, com idade bastante avançada (os tais “idosos”).

O que dizer de “colaborador” para dizer empregado, funcionário? Alemães adoram dizer “Mitarbeiter”. Ao pé da letra, tudo bem, a pessoa que trabalha com outra, o co-laborador. Contudo, colaborador presta o serviço desinteressadamente, no conceito mais normal da palavra, antes de ela ter virado sinônimo daquele ser (desprezível, no conceito de alguns) que trabalha em troca de um salário no final do mês.

E a tal “secretária” para designar a mulher que faz serviço doméstico na casa de outras pessoas? Secretárias têm suas tarefas específicas, e as empregadas domésticas, mensalistas ou diaristas, fazem outro tipo de trabalho. Seria o mesmo que confundir gato com lobo, ou melancia com banana.

Vendedores viraram “consultores” ou “promotores”. Se eu chegar a um “consultor” e pedir para ler a sorte nas cartas será que ele consegue? A promotora do super-mercado monta processos contra as empresas? Na verdade, ela promove marcas no sentido marqueteiro-ilógico.

Pusilânime é entendido, por várias pessoas, com algo bom, pois “soa quase igual” a magnânimo.

Li recentemente um comentário de leitor de jornal de que “empreendedor” na realidade significa aquela pessoa que perdeu o emprego e comprou um carrinho de cachorro-quente. Apenas uma forma de dar cores mais agradáveis ao nível de desemprego.

Lamentàvelmente a linguagem perde sentido, sobretudo porque as pessoas não querem se dar ao trabalho de usar dicionários. Enquanto isso, como uz herros fase parte da umanidade, eles aderem à mente das pessoas, a ponto de até mesmo inverter o significado básico e primordial das palavras. Elite, por exemplo, virou palavrão.

Só para arrematar: hoje em dia o Brasil só tem “idosos” e “jovens”. Os adultos desapareceram do vocabulário e do conceito de boa parte da população.
Não admito ser chamado de “idoso”. Idoso é quem apenas acumula idade. Velho não, pois tudo o que é bom envelhece e se torna mais refinado. Se não envelhece é porque já foi descartado muito tempo atrás.

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