Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

velhice na Dinamarca

Há uns dias, recebi de um amigo o link para este vídeo de quase 9 minutos, no youtube, sobre tratamento a velhos na Dinamarca, o tão bem falado país de primeiríssimo mundo, com todo o estado de bem estar social que a propaganda sempre louvou.

http://youtu.be/S09zpRXm1U8

assistam-no.

Pedi a alguns amigos que moram, ou que moraram, na Dinamarca que comentassem, porque eu tinha achado o filme meio estranho.

As respostas que obtive, porém, foram piores do que o dito e mostrado no filme:

Infelizmente, é um retrato verdadeiro. Apesar do alto padrão do nível (material) de vida, a Dinamarca, a meu ver, está indo na direção de uma sociedade extremamente individualista. O Estado provê, impessoalmente, quase tudo. E, de modo geral, as pessoas estão passando a só se ocuparem de si mesmas. Valores como família e solidariedade estão dando lugar a uma cultura do nada é da minha conta ou responsabilidade. Como se a sociedade tudo me devesse mas para a qual nada devo contribuir.

O pior é que para mim esta tendência tem a marca do capitalismo hodierno e em todos os países o que se vê é que o novo Deus virou o dinheiro.
O poder de consumir, mais e mais. Cada vez mais,

Outra pessoa me escreveu:

Não concordo que isso só aconteça na Dinamarca. Acho que e uma característica do nosso tempo e acho que ele tem toda razão: os bebês, os velhos, atrapalham. Não são produtivos, não trabalham, a sociedade não tem tempo para eles. Precisam ser ” depositados” em algum canto, porque precisamos todos trabalhar e produzir e consumir. No caso dos bebês, como futuros trabalhadores e consumidores, e é verdade que os baby boomers criaram toda uma área nova de consumo com roupas, brinquedos e afazeres dedicados as crianças, isso ainda é um pouco melhor. Mas os velhos, sem família que tenha um espaço para eles, ou mesmo quando existe essa família – e vi isso acontecer com meus avós e tios avós – ficam totalmente alijados da realidade, sem carinho e sem atenção. Ninguém tem paciência para eles ( eu, inclusive). Não tenho medo de morrer. Tenho medo de ficar muito velhinha. É torturante. Degradante. Medonho. O tamanho da solidão do envelhecer e assustador, porque infinito. A morte é a única coisa que, penso, redime a degradação e a indignidade da velhice.

Por fim, uma terceira resposta continha:

E a mulher ainda teve a coragem de cortar a entrevista por falta de tempo!

Em toda a Europa do Norte, o problema está sendo sempre o mesmo. Antes um paraíso para a terceira idade, a Europa do Norte perdeu sua mentalidade socialista e tornou-se capitalista, consumista … a americanização facilitada pela globalização.

Mas, justamente nesse momento trágico de tantas perdas, sendo a pior de todas a perda dos valores morais, humanos, humanitários, solidários e a perspectiva do porquê da nossa existência, está havendo uma virada no mundo. Há vários gritos de basta pipocando pelo mundo afora. O meu foi no momento que percebi, claramente, que todos nós fazíamos parte de um gado que acorda, pega o transporte, vai trabalhar, volta pra casa e se enfia dentro dela para começar tudinho de novo do mesmo jeito no dia seguinte. Há esperança que a gente encontre novos modelos de viver a vida. Estou feliz porque eu estou me libertando das amarras dos conceitos de uma sociedade insustentável.

Fica aí o post, para uma reflexão de nossa parte.

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Comentários em: "velhice na Dinamarca" (2)

  1. […] é, veio a calhar com tudo o que havia sido comentado sobre o abandono dos velhos, na Dinamarca ou em qualquer lugar do […]

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