Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Coivara

Sabe o que significa coivara?

Vamos à definição wikipediana:

Coivara é uma técnica agrícola tradicional utilizada em comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas no Brasil. Inicia-se a plantação através da derrubada da mata nativa, seguida pela queima da vegetação. Há, então, a plantação intercalada de várias culturas (rotação de culturas), como o arroz, o milho e o feijão, durante 3 anos.

Esse método é utilizado principalmente em agricultura de subsistência, por pequenos proprietários de terra ou em áreas de plantio comunal.

A característica extremamente rudimentar dessa técnica agrícola leva ao rápido esgotamento do solo, fazendo com que as terras precisem ficar em descanso de 3 a 12 anos e causando a derrubada de grandes áreas de mata. Em algumas regiões, como no Vale do Ribeira, essa situação causa grande polêmica entre comunidades quilombolas e autoridades, na medida em que ameaça a mata nativa (Mata Atlântica).

Diz “tio Aurélio”:

Restos ou pilha de ramagens não atingidas pela queimada, na roça à qual se deitou fogo, e que se juntam para serem incineradas a fim de limpar o terreno e adubá-lo com as cinzas, para uma lavoura.

No blog “Coisas de Caiçara” encontramos:

A coivara, para quem não conhece, é a técnica de cultivo mais simples que os caiçaras herdaram dos índios. Na verdade é uma queimada sobre o mato cortado, tendo o cuidado de ter um controle sobre a área cobiçada para o plantio, ou seja, com aceiros bem definidos para o fogo não extrapolar e causar danos demais.

                Geralmente o fogo era ateado em dias sem vento, começando da parte mais alta do terreno, de preferência na parte da tarde, quando predomina uma viração de fora refrescante. Nas divisas se postavam as pessoas com galhos de bastoeiros, de folhagem espessa, apropriado para apagar fogo (servindo como abafadores). Porém, quase sempre o fogo dava um olé no grupo, provocava até um princípio de sufocação, com olhos ardendo etc.
                Depois da queimada, os tocos maiores eram deslocados para as margens, as covas eram feitas e o plantio acontecia sobre as cinzas. Logo se via a maravilha de frutos da terra. Bem mais tarde aprendemos que isso não era o ideal. Afinal, ocorria um desgaste da terra; os nutrientes eram queimados. Ainda tinha os bichos que morriam ou fugiam desesperados por causa do fogo. Só sei dizer que, em meados de cada ano, os morros eram queimados, parecia disputa para ver quem estava disposto a plantar mais. As coivaras deixavam a paisagem marrom por pouco tempo. Depois da primeira chuva, tudo se esverdeava para garantir a subsistência dos caiçaras.
coivaraO weberiano Vianna Moog também menciona, em seu “Bandeirantes e Pioneiros” de 1954,  essa horrenda prática da coivara, que os caboclos receberam da herança indígena.
Bem, como se vê, poucos ONGeiros e ambientalistas se preocuparam como essa lamentável “tradição” que muitos “pequenos agricultores” ainda praticam pelo país afora.
Os hipòcritamente mal-resolvidos preferem sempre patrocinar o coitadismo, a doença que destrói o tecido social. Ah, e claro, culpar os “malvados” europeus que “exterminaram” com as “sadias” tradições dos “bons selvagens” rousseaunianos, em contraposição ao “malvado capitalista”.
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