Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

ninguéns

Na semana passada, a TV5 Monde exibiu um filme de 1992, dirigido por Cédric Klapisch, chamado Riens du Tout, que seria mais ou menos como um bando de zé-ninguém.

Mostra um grande loja de departamentos (algo que no Brasil quase já esquecemos do que se trata), que é negociada para venda, alegando baixos rendimentos. Os proprietários contratam um executivo para, no período de um ano, melhorar os resultados financeiros da loja.

O executivo é exatamente aquele tipo insuportàvelmente chato e babaca que acredita que funcionários precisam ser motivados, para “oferecer mais à empresa”. Por isso decidi empregar as técnicas de recursos humanos (o famigerado psicologuês de RH) para trabalho em grupo, expressão corporal (aprender como sorrir para o cliente), experiências de bungee jumping, formação de coral, organização de maratona, música alta que endoidece as pessoas, e outras coisas que “líderes empresariais modernos” acreditam que sirvam para “unir os colaboradores no seio da empresa”, essa grande casa que confraterniza tantos infelizes.riendutout

Lógico que muitos dos conflitos pessoais que havia anteriormente apenas ficam mais agudos. Brigas entre “colaboradores” durante o horário de trabalho deixam de ser fatos isolados.

No final, com tanta publicidade o grande executivo consegue melhorar o desempenho das vendas, e é comunicado pelos proprietários que isso será muito bom: todos receberão suas indenizações no prazo, e os donos embolsarão mais uma grana que não estava planejada com a venda prèviamente acertada do imóvel.

Para mim o filme é um bom retrato desse “empreendedorismo” cheio de “lideranças”, de “motivações” e de tantas outras palavras vazias, que se tornaram comuns de uns 20 anos para cá.

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