Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

O solstício

Na tal noite de Natal (na tal de Natal, que exagero) uma estranha coincidência ocorre em muitas partes do mundo: um foguetório interminável – bombinhas e rojões estourando.
É a parte importante de uma tradição: 25 de dezembro foi, até ser incorporado pelo cristianismo, o dia da celebração do solstício e, até a sua oficialização como religião do Império Romano, era o dia do super-popular deus persa Mitra, o Sol-invencível, com muitas fogueiras. De onde se vê que o espírito original de Mitra continua existindo em lugares díspares como Bolívia, Austrália, Guatemala, a costa amalfitana e a periferia de grandes cidades brasileiras. Foguetório que se repete em todo o mundo uma semana depois, para comemorar o início de novo ciclo de cobrança de impostos, com a virada do calendário.

Por falar em tradições que o cristianismo incorporou para “melhorar” a aceitação do Natal como a data do nascimento de Jesus, li, há cerca de 20 anos, um artigo sobre os símbolos estranhos ao Natal. Eu já conhecia o dia de Mitra, mas vejam só:

  •             Papai Noel é a representação do deus germânico Odin, que saía de sua casa no Norte, vestido de vermelho, em uma carruagem, e percorria o país, entrando nas casas pelas chaminés; – depois de ter trabalhado para a Coca-Cola tornou-se símbolo obrigatório do fim de ano;
  •             as  árvores enfeitadas, com estrela na ponta, eram uma tradição desde o ano 5000 a.C., estabelecida pela mãe de Nimrod, na Babilônia, como símbolo de pureza, paz e bondade;
  •             durante os últimos dias de dezembro e os primeiros dias de janeiro, no Império Romano celebravam-se as festas de Saturno, as saturnálias, quando ocorriam comilanças e trocas de presentes entre vizinhos e entre patrões e empregados;
  •             por fim os adornos colocados nas portas das casas vêm da tradição dos druidas celtas de utilizar símbolos de imortalidade, masculinos e femininos, como defesa contra o demonismo;
  •              em dezembro, os judeus celebram a Festa das Luzes (Hhanuká), comemorando o regresso dos macabeus com velas acesas durante oito dias, embora este ano a festa tenha ocorrido logo no início do mês.

Por sua vez, cabe mencionar que “Khrishna, um dos avatares (manifestação viva, ou encarnação) de Vishnu, nasceu em um estábulo, milagrosamente filho de uma virgem, foi perseguido por um rei malvado que, para fazê-lo desaparecer, massacra grande quantidade de crianças. Salvo por feliz acaso, Khrishna foi a princípio um guardião de rebanho; um dia, porém, levado ao templo, espantou os brâmanes com sua profunda sabedoria.” (Pequena História das Grandes Religiões, Félicien Challaye, Paris, 1940).

Para concluir, lembro que o conceito de trindade divina foi registrado pelos hindus no século I a.e.C., composto por Brahma (deus criador), Vishnu (deus preservador e a providência) e Shiva (deus destruidor e da vida futura). Mas antes, por volta de 1900 a.e.C., os egípcios reconheciam uma trindade em Amon, Osíris (que morreu e ressuscitou) e Seth. (Dicionário das Religiões, John R. Hinnells, Londres, 1984).

Quantas coincidências, n’est-ce pas?

Por isso tudo, e muito mais, boa festa de Mitra para vocês todos.

E lembre-se, não beba nem dirija. Algum idiota pode estar fazendo as duas coisas nestes próximos dias. Esforço de Plutão / Hades para atingir suas metas previstas no “plano anual” do Olimpo, mas que, devido ao contingenciamento do verbas do orçamento, reduziu a atividade durante a maior parte do ano, e deixou para colher as almas nos últimos dias (porque se não as verbas voltam para o thesouro).

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