Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

a enpreimça

A respeito de uma matéria ápode e acéfala, publicada em certo pasquim brazuca, uma amiga me escreveu:

Eu não condeno os jornalistazinhos – condeno o f.d.p. do editor que deixa publicar uma merda dessas!

Ela tem razão. Existe um jornal que quer a todo custo (sem qualquer custo) ressuscitar o antigo Notícias Populares. Bem, na verdade, nunca deixou de existir, pois é a mesma redação de sempre. Aquel’outro, da Baía de Guanabara, tem a mesma política. Nem o vetusto jornal da Marginal do Tietê consegue deixar de lado o sensacionalismo. Nos pagos do Sul, o geocentrismo e a xenofobia são a única razão de existir aquele jornal da Meia Noite. Aqui em brazylha, o principal jornal fala de “escândalos” mas nunca conseguiu explicar os muitos metros quadrados que recebeu de mão beijada do presidente bossa-nova, para falar bem de sua questionável gestão.

Durante minha viagem, evitei jornais “nacionais”. Ative-me apenas aos locais, de cidades médias do Paraná e de São Paulo.

Sabem o que? Era melhor do que a chamada “grande enpreimça”. Falam de fatos da região e, no que se trata de notícias internacionais, apenas colocam o que foi expedido pelas agências de notícias, sem comentaristas palpiteiros que querem “interpretar” os fatos, com suas visões estrábicas.

Há algum tempo deixei de ouvir aquelas duas estações de rádio que só “trocam” notícias. Isso teve em mim um efeito tranqüilizador. Não me irritei mais com o amontoado de sandices que “especialistas” diziam a cada minuto, sem qualquer pesquisa prévia sobre o que comentavam.

O pior é que, como afirmou minha amiga, a culpa é dos editores, os mesmos que dão aulas nas Fakú, e que despejam no mercado de trabalho profissionais semi-analfabetos e arrogantes, mas servis aos interesses da empresa que lhes dá trabalho e salário.

No Brasil, temos visto uma profusão de matérias encomendadas por anunciantes, falando do “excelente período da construção civil”. Entrevistas com donos de empreiteiras e com corretores de imóveis. Nunca com adquirentes frustrados. Tudo para dar um ar de mundo rosado para a quebradeira que se segue a um “boom”.

Não é muito diferente em outros países. O Guardião dos cinicatos ingleses posa de vestal, mas evita admitir que está a serviço de certos grupos. A Onda Alemã (versão em português) parece ser editada por algum afiliado do Arbeiterpartei (tanto faz se daqui ou de lá – direita e esquerda já se encontraram há muito tempo no mundo redondo) .  Franceses e espanhóis preocupam-se acima de tudo com a vida do “jet set”, como se fossem “caras” diários.

Pergunto-me se sempre terá sido assim que se comportaram os grandes jornais? Ou é falta de tempo dos empresários que têm de contar o dinheiro dos anunciantes? Os jornalistazinhos, sei bem, estão ocupados com seus esmalte-fones, trocando textos e fotos nas comunidades sociais, até o dia em que ficarem corcundas.

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Comentários em: "a enpreimça" (3)

  1. Fofoca e desgraça alheia vendem bem

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  2. […] Jornalista adora fingir que sabe tudo, e que não precisa pesquisar. […]

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  3. Acho que a única coisa que você esqueceu de mencionar foi que os jornais de hoje em dia não tem o dinheiro que tinham no passado. São mais dependentes dos anúncios para poderem se sustentar. Eu mesma não pago pelas notícias que recebo há uns 6 ou 7 anos (podcast, twitter, reddit, facebook, youtube são minhas revistas e jornais por pior que pareça). Aliás, até esses mesmos sites já se renderam aos anunciantes, mas pelo menos há a possibilidade de encontrar algo que seja postado por um usuário, antes que o software tenha tempo de censurá-la. No final é que nem sempre digo quando entro nessas conversas, ‘preconceitos’ na midia sempre vão existir. É impossível criar uma representação ‘perfeita’ da realidade através de uma máquina que precisa converter essa realidade em bits e cálculos matemáticos pra que ela possa ser retransmitida através de uma tela. O que temos que mudar é o sistema de educação que não ensina como se deve ler a midia, com olho crítico. Por que tal manchete se encontra em tal página de tal jornal em tal tamanho, escrita de tal maneira? O que que a câmera do jornalista NÃO está nos mostrando? Em que fato estão querendo focar-nos, e o que isso oculta? Aulas de português, inglês, francês, alemão (que seja) se tornaram mais importantes que nunca, pois ao mesmo tempo que nos ensinam a identificar a simbologia dos atos mágicos em “Cem Anos de Solidão” poderiam também indicar as mesmas características numa revista Veja…

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