Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Pesquisa eleitoreira

Tenho mais de 60 anos e nuuuuunca fui entrevistado em uma pesquisa eleitoreira.
Claro, para ser entrevistado a pessoa deve ser “cadastrada”, e daí é perguntada mil e uma vez, em várias pesquisas.
Já conheci gente assim.
Os institutos de pesquisa (e seus ociólogos e estatísticos) entrevistam pessoas filiadas a algum partido, nas cidades grandes, e nas cidades pequenas fazem a amostragem em lugares onde o resultado já é previsível, pois é um conhecido curral eleitoral.

Essa última pesquisa do ibope corrobora tudo o que eu disse.
Conheço apenas meia dúzia de gatos pingados, todos loucos de pedra, que dizem que votarão no petê, porque são contra os coronéis (qual deles?, se sarnento, renan, collor, e tantos outros são ligados a quem está nu pudê? – discursinho mais batido, também já acreditei nele no século passado).
A maior parte das pessoas que conheço nem vai perder tempo com essa farsa do demo, a demo-cracia da urna eletrônica.

Como é fácil ludibriar tolos com estatísticas. É apenas uma manipulação de dados prèviamente selecionados para comprovar o resultado que se pretende. Não só em política, mas em economia, em teses pseudo-científicas de oniverciotários, e coisas do tipo.

Pode deixar para votar em quem quiser, em outubro.
Essas pesquisas tinham mais é de ser prohibidas por fraudulentas e por tentativa de induzir imbecis.
Democráticas e honestas é que não são.

Você alguma vez já foi entrevistado para essas políticas eleitoreiras? Pode ter certeza de que não foi aleatório, mas que teu perfil já fazia parte da amostragem que desejavam. Sabiam quem você era quando te procuraram. Igual a pesquisa de audiência de programa de tv. Se você disser que não está vendo nada, nunca mais te procuram. Se tiver respondido, porém, que estava vendo o faustão, todas as semanas vão te ligar.

Pesquisas de cartas marcadas. Algo MUITO diferente de um recenseamento, antes que algum leitor venha colocar palavras que não escrevi e dizer que estou duvidando também dos censos. Eu disse dos censos, não falei de estatísticas econômicas “amantegadas”.

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Comentários em: "Pesquisa eleitoreira" (5)

  1. Hummm, eu trabalhei como pesquisadora no IBOPE, auferindo audiencia de radio e TV. Não fiquei muito tempo lá (pagam muito mal), e só trabalhei com rádio, mas me pareceu que eles seguem rigorosamente a metodologia estabelecida.

    A pesquisa de audiencia de rádio é domiciliar e por amostra. isso significa que cada pesquisador recebe um setor. Dentro deste setor ele precisa entrevistar 20 pessoas de forma a manter a proporção encontrada no setor.

    Os setores são idênticos aos utilizados pelo IBGE. A amostra é construida a partir dos dados recolhidos pelo IBGE. Se determiando setor tem 60% de homens e 40% de mulheres, o pesquisador do ibope terá que entrevistas 12 homens e 8 mulheres. Além do sexo, o IBOPE utiliza idade e ocupação (empregado/desempregado) como fator delimitador da amostra.

    Em tese o pesquisador começa batendo na primeira casa do setor. Se ele encontrar alguem que encaixe na amostra ele entrevista, senão passa a proxima. Depois de entrevistar uma pessoa ele tem que necessariamente pular 5 casas, mesmo que estas contenham pessoas que se encaixem na amostra.

    como o desempenho do pesquisador é avaliado pelo indice de audiencia que ele consegue auferir existe uma leve tendencia dos pesquisadore repetirem entrevistas quando encontram alguem que nao escuta rádio. Digo leve porque prum pesquisador de campo pior que deminuir o indice de audiencia é não completar a amostra.

    Então, se no inicio do dia vc bate numa casa e te atende um rapaz de 20 a 25 anos, empregado (é muito fácil achar gente para responder nesse perfil, e quanto mais tarde fica, mais fácil de acha-los em casa) que não escuta radio a tendencia é descartar a entrevista (mesmo que a metodologia do ibope mande nao faze-lo) e seguir adiante.

    Agora se é final do dia ou se o perfil encontrado é muito dificil de ser achado (tipo mulher, 15 a 20, trabalhando), acaba-se validando o questionário mesmo que a pessoa nao escute rádio.

    Então, as falhas na pesquisa de audicencia são mais aletorias do que sistemicas. A medição da audiencia da TV é totalmente diferente e nunca consegui trabalhar numa pesquisa eleitoral. Então to falando só da minha experiencia com rádio mesmo.

    Sei lá, só para evitar que se demonize as pesquisas de mercado mesmo…

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  2. Bem legal sua resposta.
    Uma vez meu domicílio tinha sido selecionado pelo IBGE para responder o “questionário completo”. Como eu nunca estava em casa, recebi um aviso para marcar um horário em que eu e o pesquisador nos encontrássemos. Mas isso é para o caso do recenseamento demográfico.
    Por outro lado, conheço a família que se enquadra na história de sempre ter sido entrevistada para mencionar o programa de tv, até o dia em que o aparelho estava desligado, e o caso da amiga afiliada a um partido político, e que sempre era entrevistada em pesquisa de opinião eleitoral – o que nunca fui e não conheço outra pessoa que tenha sido.
    Agora, algo que me intriga é o critério para algumas pesquisas que são feitas por telefone. Qual o critério para ligarem para aquele número?
    obg – abs – Boppë

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  3. Não cheguei a fazer pesquisa por telefone (a pesquisa por telefone era tipo um bonus que eles davam pros melhores pesquisadores, porque vc fica sentado confortável no ar condicionado e depois que completa 20 pode ir embora, ou seja, é bem mais rápido de fazer do que a pesquisa domiciliar).

    Mas pelo treinamento o critério seria o mesmo da pesquisa domiciliar, ou seja, você separa a cidade em setores, pega a lista com todos os telefones fixos do setor e vai ligando como se voce estivesse percorrendo o setor.

    Como as ligações são feitas para fixo, podem acontecer alguns vícios involuntários. Muita gente utiliza apenas celular hoje em dia, o que faz com que a mesma pessoa atenda as ligações do IBOPE.

    Pode acontecer também má fé do pesquisador. Os setores a serem pesquisados vem direto de São Paulo, os coordenadores de pesquisa nao interferem nisso. Mas, como em BH, era quase sempre os mesmos pesquisadores que efetuavam as ligações telefônicas, pode ocorrer má fé. Ou seja, o sujeito sabe que naquele setor os números X, Y, V sempre atendem ao telefone e sempre estão dispostos a responder a pesquisa, e alem disso, fornecem bons indices de audiencia. Então ele simula ligações para os números que vem antes (é necessário ligar e deixar tocar ao menos uma vez porque o sistema registra o histórico e a ordem de ligações), marca todas como “nao atende” e faz a pesquisa com os números de sempre.

    Outros institutos de pesquisa podem ter outras formas de trabalhar. Participei de uma pesquisa de satisfação do cliente para a eletropaulo, que a gente utilizava o mailing da eletropaulo para ligar (era um mailing tão bom, que eu liguei para eletronorte, uma concorrente da eletropaulo para saber se ela estava satisfeita com a energia recebida. E era um instituto de pesquisa tão sério, que eles esqueceram de calcular a amostra e ao final nós tínhamos uma pesquisa que não servia para absolutamente nada. Recentemente fui atualizar meu cadastro junto aos institutos de BH e notei que este já não existe mais. Acho que sei porque).

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  4. Bem legal esse teu relato sobre pesquisas. Dá uma visão bem ampla de como é feito o trabalho dos institutos, bons e ruins.

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