Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Direita camundongo

Como escreveram vários autores, existe a esquerda festiva, também dita esquerda caviar, aquela formada por jêntchi dazelite, que vive em cobertura no Leblon, no Ibirapuera, ou em São Bernardo, e que defende as “minorias”, qualifica o Partido Republicano como a quintessência do mal na Terra, diz baixinho que odeia judeus “exploradores” (apesar de serem minoria), é contra qualquer igreja (embora dê o dízimo exigido pelo ParTido ao qual é filiado), e coisas do tipo.

Cabe salientar, contudo, que existe sua contraparte: a direita camundongo. O fulano que, sem ter galgado degraus pela meritocracia, e sem ter sido galardoado pelo “sistema”, define-se como “perseguido” pela esquerda no poder. O típico ser que come mortadela e arrota faisão.

O típico personagem da direita camundongo gosta de se passar por alguém “importante”. Aquele sobrenome vem diretamente do escudeiro de algum barãozinho sem grandeza que morreu em alguma batalha nas Cruzadas. Uma tia-bisavó foi “cortesã” em algum lugar de nome estranho, quase sempre mal pronunciado. A família, da qual ele exibe o brasão, tem uma grande fazenda, de 20 decâmetros quadrados, em algum lugar não muito bem definido do interior, que produz saúva, tiririca e joio, herança de uma das avós.

Um dos tios, ou outro parente nunca apresentado, é importante figura do mundo dos negócios. Não são muito chegados a essas baixarias da política.

Essas relações não são para serem comprovadas, apenas para exibi-las.

O fulano da direita camundongo viaja todos os anos para algum país estrangeiro, utilizando os pontos do cartão de crédito. Insere nas “comunidades sociais” fotos dele e da família na porta de alguma galeria ou museu, e na volta, enquanto almoça no restaurante por quilo, ou vai à noite a uma pizzaria, comenta com os colegas sobre os restaurantes 3 estrelas que visitou durante as férias. Claro, o Guia Michelin não tem 5 estrelas, isso é coisa de hotel; restaurantes têm o máximo de 3 estrelas.

Sem dúvida, volta cheio de comprinhas que fez no exterior, para aproveitar as sales, que por acaso “coincidiram” com sua viagem, e não se inibe em exibir os últimos gadgets que adquiriu. Sempre que pode, insere alguma palavra estrangeira na conversa, para salientar que é “instruído” e está “in”.

Muda com freqüência de endereço, pois nem sempre se lembra de pagar o aluguel. Atualiza o veículo cuidadosamente, afinal de contas é o bem que pode exibir mais fàcilmente.

Em teatros e exposições de arte, encontra conhecidos da esquerda caviar. Apenas cumprimentam-se, e saem para outro lado do salão, para comentar sobre o “tipinho” exibido que acabou de encontrar. Às vezes, porém, compartilham a mesma mesa, para alfinetadas mútuas. Enquanto um declama o que ouviu de Olavo de Carvalho, o outro recita o que decorou do site 247 ou do Paulo Henrique Amorim.

A esquerda caviar prega a igualdade social (para os outros) enquanto a direita camundongo resmunga que é vista com desconfiança em “bons” lugares, onde não recebe a merecida acolhida, logo ela que arca com tantos impostos. .

Sem um e sem o outro, nossa vida, a dos simples mortais, seria muito sem graça.

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