Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Estudar um pouco, só um pouquinho, nossa língua deveria ser obrigação de todas as pessoas com nível de escolaridade superior.
Sobretudo quando se trata de um curso de de-formadores de opinião, como é o caso do jornalismo.

Nesta semana, em um site regional do G1 (não me lembro qual), “alguém” que se intitula jornalista, que defendeu com unhas e dentes a reforma orthographica sarnenta, e coisas do tipo, escreveu que era preciso que “se adéque” tal coisa.

Isso mesmo “se adéque”…  Como, por puro capricho de uns idiotas, já não existe o trema, a pessoinha decidiu que uma palavra paroxítona, terminada em -e, teria acento agudo.
Ficou só nisso?
Claro que não. Esse de-formador de opinião intitulado jornalista do G-1 não teve tempo para estudar e aprender que ADEQUAR é um verbo defectivo.

O que? Defeituoso?

É, quase isso. Verbos que não são conjugados em todas as pessoas, ou em todos os tempos.
Adequar é um verbo que só pode ser conjugado nas formas arrizotônicas.
Arroz com água tônica? Como assim?
Quase isso, ilustre animal protegido pelo IBAMA.

Rizotônico refere-se à raiz, e arrizotônicas ao que está fora dela.
No caso do verbo adequar, a raiz adeq-.

Não existe adeqúo, nem adéquo, nem adeqüo, nem nada disso. Non ecziste!
Existe apenas adequado, adequar-se, adequamos, etc.
Conseguiu perceber onde está a sílaba tônica do verbo?
É depois do Q, aquela letra que sempre vem seguida de U. Depois da raiz do verbo.

Outro verbo que causa uma certa dor de cabeça para os ilustres de-formadores de opinião, é HAVER.
Haver (existir, fazer)  escreve-se com H, sempre (não como em italiano, mas é melhor não confundir as cabecinhas de alfinete dos senhores jornalistas).

HÁ tempo isso tem sido repetido. Com H, mas os jornalistas (e os internautas) “çisqéssi” disso. Não é A, artigo, preposição ou nada disso.
Faz uma pá de tempo em que isso tem se repetido.
Sacou? Então é verbo – e verbo haver tem H.

Não fica por aí, contudo, minha bronca da semana.
No site do Correio Braziliense encontrei um estapafúrdio:

“a faixada do prédio foi danificada”.

Faixada?
Não seria FACHADA?

Ou tentaram colocar alguma faixa na fachada do prédio?
É. Fachada, aquela palavra que vem de FACE. Que a língua francesa emprestou para muitas línguas, inclusive para o inglês, que usa o Cê Cedilha para escrever a Façade original.
Inglês não tem cedilha? Tem, viu só. Também acentos usa, quando de palavra importada, como fiancée.

Bem, não precisa saber a origem da palavra Fachada. Seria des-Caramento de minha parte pensar que alguém se preocuparia com a etimologia, quer dizer, com a origem das palavras. Esses desavisados sequer tiveram aula de português entre os 6 e os 26 aninhos.

Por falar em faixa, considero aconselhável ter em mente que, depois de um ditongo, usa-se sempre X, nunca CH.
Peixe, feixe, ameixa, faixa, queixa, queixo.

Como se observa, estudar um pouco de português não é tão “defíssiu” como insistem alunos preguiçosos, e, mais ainda, professores que não tiveram base escolar para a graduação docente.

Xii, agora sim complicou. Docente? Não seria “d0scente”? O contrário de discente? Algo a ver com “indescente”?
Não, pois decência e indecência não são parentes de descer. Só o que tem descido, há 40 anos, é o nível do ensino no Brasil, por conta dos discípulos da “enguinoranssa qui astravanca u pogréçio du Braziu”.

Imaginem se tivessem de falar e escrever em coreano, japonês, finlandês, árabe, alemão, …

Uma lástima que o ensino da língua do país tenha se tornado um estorvo para as “novas gerações”.
Estorvo? É, o nome de um dos livros de Chico Buarque. Procure no dicionário para ver o significado.
Sabia, caro estudante e caro de-formador de opinião, que existem até mesmo dicionários on-line? É, dicionários disponíveis na mesma “infernet”, onde esse erros se multiplicam.

Pobre Machado de Assis, se pudesse ver o que fazem seus atuais colegas de profissão, certamente deixaria de lado o jornalismo e partiria para outra atividade.
Não duvido que propusesse a extinção da Academia Brasileira de Letras, dada sua inutilidade pavonina.

 

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Comentários em: "Estudar um pouco nossa língua (adequar, haver, fachada, decente, … )" (1)

  1. Compartilhei no Cara-livro ou livro da cara, (interpretação livre) esse seu post, com amigos professores de português, e gostaram.

      Tenham um bom dia!   Ricardo

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