Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Osvaldo Aranha

Estava ontem tomando café e conversando com uma amiga, quando ouvi, em uma mesa “a léguas de distância”, alguém esbravejando um chavão comum nos últimos dias:

“Israel esqueceu que foi Osvaldo Aranha que criou o país?”

Calma, não se exalte ilustre brasileiro patrioteiro quadrienal!
Osvaldo Aranha não tirou da cartola, como um mágico, uma proposta de criação de um estado judeu no Oriente Médio e deixou o público na ONU estupefato.
Decisões em reuniões internacionais multilaterais são prèviamente conchavadas por vários participantes, e o texto final, não raras vezes, é levado à aprovação por consenso ou por aclamação, sem a necessidade da realização de contagem de votos.
Ou alguém acredita que “potências ocidentais” não tinham combinado com a delegação brasileira o que seria proposto?
Sem desmerecer a diplomacia brasileira – da época – mas não houve qualquer tipo lampejo de Osvaldo Aranha, como indivíduo, na resolução que criou o Estado de Israel. Mesmo porque os documentos que o diplomata assinou durante o período getulista eram abertamente anti-semitas, como a política fascista que dominou o Brasil de 1930 a 1945. Ele não havia pessoalmente mudado de posição, mas o mundo havia feito a política externa brasileira tomar outro rumo. Assim trabalham os servidores de carreiras de Estado, e assim são as negociações em reuniões internacionais.

Voltando ao patrioteiro quadrienal, que certamente deve muito bem conhecer a frase de Garrincha, em 1958: Osvaldo Aranha já tinha combinado com os russos, e também com os americanos, os franceses, …

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Comentários em: "Osvaldo Aranha" (2)

  1. Daqui para o futuro, não teremos mais histórias dos acontecimentos atuais para contar da forma como se conta hoje (caso acima, 50 anos de ditadura militar, as peripécias do Garrincha, etc). Tudo esta sendo registrado ao vivo, nada mais poderá ser contado com a ajuda do “me falaram”, “me contaram”. Por um lado é bom, nada melhor que a verdade, mas por outro lado o conto romântico dos fatos, raramente poderá ser utilizado. Estão acabando com a discussão de botequim….

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  2. Se tivesse sido obra do Brasil, mais uma razão teríamos para não deixar-nos exaltar pelo anti-semitismo esquerdopata do momento.

    Aliás, exatamente por ter sido um brasileiro a presidir a AGNU por ocasião da criação do Estado de Israel, deveríamos zelar para que os que ameaçam destrui-lo não triunfem.

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