Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Rapunzel

Antes de dormir, leio um ou dois contos de fadas.
É sério!
Há uns dias, li Rapunzel.
É, aquela fulana que tinha esse nome por conta dos raponços (ou rapôncios) [procure no dicionário] que, por conta do desejo de grávida. a mãe dela roubava da vizinha, a bruxa Gotel, . O conto não explica se ela comia raponços com creme de chocolate e molho barbecue, ou ao vinagrete com batatas fritas.

Bem, além de ter uma mãe ladrona, descobri que Rapunzel era mãe solteira!
Já explico.

A mãe e o pai tinham acertado com Gotel que, em vez de colocar o bebê na lixeira, como é comum no Brasil, dá-lo-iam à vizinha generosa.
Gotel criou Rapunzel, até que ela virou adolescente, e passava o dia todo ouvindo Luís Gonzaga – “ela só quer, só pensa em namorar”.
A guardiã decidiu proteger Rapunzel e construiu a torre sem portas ou escadas, onde a donzela passou a viver protegida.
Para a alimentação, havia a famosa senha: “Rapunzel, jogue suas tranças”, e Gotel subia com a quentinha para a fogosa.
Nas horas vagas, Rapunzel ensaiava para algum programa de revelação de cantores.

Um dia, o príncipe passou por lá e ouviu a artista cantando. En-cantou-se com a música e ficou ouvindo, até que Gotel chegou e usou a senha.
Ele clonou o código, e o usou à noite.
Subiu na torre.
Passou a subir na torre todas as noites.

Um dia Gotel percebeu que Rapunzel tinha ficado “embarazada”, com dizem nossos vizinhos (“embuchada”, como se diz no interior do Brasil).
A bruxa, morta de inveja, ex-pulsou a ex-donzela para uma floresta, e ficou na torre, aguardando a volta do príncipe, para fazer com ele as mesma posições kama-sutrianas que Rapunzel fazia.
Só que quando ele viu a cara da mulher, ele pulou da torre. Não morreu, mas ficou cego por conta dos espinhos que havia embaixo.
Ficou perambulando pela floresta, até que um dia ele ouviu Rapunzel cantando para os bebês gêmeos, que ela tinha parido, e ele logo reconheceu a voz daquela sedutora que o levara para o alto da torre, meses antes.
Apesar de ele estar um trapo, ela o reconheceu. Chorou e suas lágrimas curaram os olhos do príncipe.
Com isso, eles foram embora da floresta, com os dois bacuris, e foram felizes enquanto viveram.

Não estou brincando!
Contos dos Irmãos Grimm
– Editora Rocco, 2005.

Fomos enganados quando nos contaram outra versão da história.

Antes, eu já havia descoberto que nunca houve ratinhos nem carruagem de abóbora na história da Gata Borralheira (Cinderela). Isso foi invenção de Walt Disney. Ela foi levada ao baile por pássaros. A madrasta da Branca de Neve, por sua vez, foi morta pelo príncipe, que a matou calçando nela sapatos de ferro em brasa.

Comentou uma amiga que esses contos de fada não ficam nada a dever para os contos de terror.
“Vai ver que o Drácula, para não sair do armário, dizia que era sangue quando o batom borrava…”

Como vêem, a “real” fantasia de reis e princesas é parecida com a “realidade” dos jornais.

Anúncios

Comentários em: "Rapunzel" (3)

  1. Sem dúvida, a difícil vida fácil.

    Curtido por 1 pessoa

  2. […] estão, dentre os mais conhecidos, Chapèuzinho Vermelho, Branca de Neve, Gata Borralheira, Rapunzel, o Pequeno Polegar, Joãozinho e Mariazinha (Hansel e Gretel, ou seja Joãozinho e Margaridinha), […]

    Curtir

Os comentários estão desativados.

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: