Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

“meus colaboradores”

Se há algo que abomino é a hipócrita linguagem “empresarial” de chamar funcionários de “colaboradores”.

Pode funcionar em alemão – Mitarbeiter, e talvez em uma aula de etimologia, no sentido de que co-laborador é quem trabalha com outrem.

Pergunto, porém, o que há de errado em chamar alguém de funcionário?

Funcionário é quem tem uma função.
Para exercê-la, essa pessoa teve a carteira de trabalho assinada e recebe um salário.Trabalha não por colaboração, mas por necessidade, e de acordo com as leis trabalhistas.

A palavra “colaborador” é a coisa mais hipócrita que um chefe pode dizer a respeito de alguém que está na equipe de trabalho.

Pior, na maioria das vezes, o chefe é também um funcionário da empresa.
É com esta que existe o vínculo de trabalho entre o funcionário e o “chefelho”.
Esse aí, pode ser substituído a qualquer momento, até mesmo se for um incompetente filho do patrão.

Colaborador é aquele sujeito que, no meio de uma mudança, quer ajudar os vizinhos e derruba a caixa com os cristais.

Por isso, não admito ouvir um gerente dizendo “meus colaboradores”.
“meus quem?”, cara pálida.Não são teus, são da empresa.

O tal gerente que estufa o peito para repetir esse jargão de “empresa globalizada” tem de tomar cuidado, porque uma hora dessas levará um belo chute no traseiro. Esse tipo de organização, que ensina essa besteirol nas reuniões de Recursos Humanos, não se preocupa muito com o que o funcionário Já Fez, mas sim com o que ela Pode Fazer no futuro. Puro jogo de interesses.
Uma hora dessas, vai sobrar para o tal gerente.
É a “política de pessoal”  de todas as empresas que rotulam funcionários de “colaboradores”.  Só falta aparecer uma cheerleader para fazer aqueles treinamentos motivacionais, que deixam os funcionários estressados e a clientela esperando. Já vi esse filme…

Não adianta cair nessa conversa de se iludir com estar “bem cotado” pela empresa.
O que importa de verdade é ter boa reputação para obter trabalho em qualquer organização, a qualquer hora, e não ficar de peito estufado para atingir “metas da empresa”. Nem sempre elas são as metas e os objetivos do Funcionário.

Conheço uma pessoa muito capaz, gerente de uma agência de um certo banco internacional, que pediu demissão.
Disseram a ela:- Mas você tem o perfil de colaborador que queremos!
E como resposta ouviram:
– Esta instituição é que não tem o perfil de onde quero trabalhar.
Essa pessoal, por sinal, está muito melhor colocada em outro lugar, atualmente.

Nuvem de tags

%d blogueiros gostam disto: