Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Velórios e funerais

Fui neste fim de semana ao velório e enterro da mãe de uma amiga.

Primeiro, tenho de contar que em uma capela ao lado, havia um bando de “religiosos” fazendo interminável um festival de músicas. Até pensei que fosse funk, de tanto que gritavam, mas parece que era o tal de “cóspeu“, ou coisa do tipo.

A irmã de minha amiga virou “membra de uma dessas egreijas”, e levou um tocador de ovelhas para fazer leitura de um livro de um tal de João, apesar de que todo o resto da família não freqüenta nem uma dessas seitas.
Estava tão chato, que eu saí da capela.
O marido de minha amiga disse que gostaria de poder fazer o mesmo.

Bem, quando eu morrer, eu exijo ordem na festa.
Assim como existe casamento religioso e casamento civil, eu quero um funeral só no civil. Tá?
Unção dos defuntos eu já recebi uma vez, por engano e pressa de uns e outros.

Nada de levar padre, pastor, monge budista, pai de santo, cavalo, rabino, iman, pajé, o que quer que seja desse tipo.
Se encontrarem em Bombaim ou em Zanzibar ou em Yazd um sacerdote zoroastriano, para levar o defunto para uma torre de silêncio, então está bem. Só duvido que ele faça a viagem e que a vigilância sanitária e o ministério público permitam que se faça a cerimônia comme il faut.

Nada de corrente de oração com o pessoal se dando mãozinha ou coisa do tipo. Zero! Eu me recuso a pegar na mão gordurosa das visitas.

Gente, mas é muito, muito chato fazer os outros terem de ouvir tanta conversa no meio do funeral.
Até o defunto fica cansado.

Já fui a tantos velórios aqui no DF quanto lá im çumpallo,
e também uns 4 ou 5 em outros países.
O único lugar onde as pessoas se reúnem para contar piadas é im çumpallo. Deve ser porque as pessoas são muito mais tristes do que em outros lugares, por isso precisam ser “criativos” (e inconvenientes). Não sabem escolher assuntos.
Nos outros lugares, velório é uma reunião onde não comparecem comediantes de stand-up shows.

No meu, não quero nem rezadeiras nem palhaços.

E não esqueçam de colocar um óbolo para eu pagar o pedágio da barca de Caronte. E vai ter de ser óbolo, ainda mais agora que a Grécia vai sair daquela zona do Euro. Podem se virar para encontrar.  Dracma, já que a inflação corroeu o valor do óbolo e o pedágio subiu.
E, como dizia minha mãe, também é bom ter uma pedra à mão, para o caso de encontrar o filho do carpinteiro.

Ai de quem ousar levar um sacerdote em meu velório.
Vai ver só o que eu faço!

Ah, e em lugar de flores, sugiro que coloquem cestos de frutas e barras de chocolate (mas não barrinhas de cereal).
Pelo menos vai dar para comer alguma coisa se ficar com fome.
Uma amiga que mora no Piauí contou que o pai quer ser borrifado com perfume bom, segundo ele. E depois que ponham o vidro vazio ao lado dele, para que ele possa ver se era bom mesmo. Quer também uma caneta no bolso e um papel de notas. “vai que ele precisa escrever alguma coisa”.

 

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Comentários em: "Velórios e funerais" (1)

  1. AMEI!!! 🙂

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