Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Arquivo para quarta-feira, 24 fevereiro 2016

A nova classe trabalhadora

Na sexta-feira, conversei com um “jovem” de 31 anos, formado em Propaganda e Marketing.
Nunca trabalhou na área – ó mundo cruel.
No ano passado, fez trabalhos de corretagem de imóveis, e gastava lindos ternos e gravatas, além de precisar estar sempre com o tanque do carro cheio, para levar os “interessados” para visitar os imóveis.
No tempo em que ficou nessa in-atividade, conseguiu realizar uma transação, e ficou não sei quantos outros meses com o dinheiro da mamãe, que lhe envia regularmente dinheirinho para o “menino” se manter, e a casa (dela) onde ele mora.

Descobri em novembro, que ele estava “no desvio” (como minha avó chamava os desempregados), porque, durante uma conversa, a namorida dele sugeriu que ele fizesse uma viagem, para “desestressar”.
Falei com uma conhecida que é dona de livraria, e ela disse que precisava de empregados temporários, para o período nata / novo ano letivo. O “menino”  foi entrevistado e passou a receber R$ 900,00 mensais, mais o tal vale-transporte e o vale-alimentação.
Ele gostou e começou o trabalho. Gostou do ambiente, dos colegas, e das tarefas na livraria. Mas a namorida não gostou. Trocou um namorido que usava carro e terno, por um sujeito “sem ambição” que usava ônibus e trabalhava de jeans e camiseta branca. Ela, como eu sabia, tinha uma ocupação muito mais “atuante” – era recepcionista de academia de ginástica!

Bem, ela começou a dormir com macacão de jeans, brigaram, ela foi embora, e nos três dias seguintes ele não foi ao trabalho. A dona da livraria tentou falar com ele, mas não conseguiu. Ele estava ocupado demais chorando.
Por fim ele apareceu, se lamentando que na partilha dos bens a ex-namorida ficou com um dos cachorros, e em seguida pediu demissão do emprego.
O que vai fazer agora? Nada. Viver pendurado no dinheiro da mãe e no amor da avó (que mora perto).
Vai estudar para todos os concursos que existem na Terra (que os alemães muito apropriadamanete chamam de Erde). Isso dá status.
Ele disse que precisa de “estabilidade”. Que trabalhar em empresa é muito “instável e arriscado”.
Eu sugeri ao “menino” que leve o colchão para a frente da casa e ponha fogo nele, para se livrar dos maus espíritos que a namorida deixou lá.

No início da noite do sábado, reencontrei um nem-nem.
Tem 26 anos, é formado há três anos em engenharia mecânica, e nem estuda nem trabalha. É concurseiro.
Disse que prestou há uns dias um concurso, mas o salário é muito baixo: apenas R$ 4.000,00.
Papai e mamãe, vovô e vovó bancam todas as despesas do engenheiro. Uma pena que eles não soubessem que engenharia mecânica não tem mercado de trabalho em Brasília, pois as indústrias de subornos estão com os quadros de servidores completos.
E nem pensar em morar em se aventurar a morar em outra cidade, longe daqueles que são dependentes afetivos do rapaz! (Pais e avós são devidamente chantageados por esse tipo de filhinhos, e tornam-se dependentes.)
Eu lhe sugeri que procurasse emprego no gabinete do senador Delcídio Amoral, para analisar projetos de construção de pontes e vias expressas no curral eleitoral no Mato Grosso do Sul. Ao menos estará na atividade de engenharia.

Mais tarde, no mesmo sábado à noite, em uma reunião de amigos, havia um garoto que acompanhava os pais, e soube que ele vai prestar vestibular para engenharia, e depois se mudar para Suíça, onde pagam melhor. No meio da conversa, ele mostrou que os conhecimentos do vestibulando levam-no a pensar que Bois nos Ares ficasse no Mexe-ku. Afinal de contas, com diz o pai, injenhêru num priciza di jografia.

Isso tudo me fez lembrar de minha vida quando eu estava na fase de conclusão da faculdade.
Eu fazia um estágio no INPS, durante a manhã, onde ganhava MEIO SALÁRIO MÍNIMO. Não havia nem essa bobagem frescurosa de vale-alimentação, nem vale-transporte, nem alguém jamais chegou a cogitar que houvesse essa anomalia de “passe livre”. Quando eu saía desse estágio, parava em uma padaria, comia alguma coisa, e ia para o outro estágio, onde recebia mais MEIO SALÁRIO MÍNIMO. Como eu estava bem, comparado com muitos dos colegas da faculdade!
Passados seis meses, o pessoal do segundo estágio me ofereceu um cargo de auxiliar técnico, em regime de 8 horas, e eu ganhava 3.200 patacas (não sei qual era a moeda daquela época, merréis, cruzetas, libras brazucas, …), que equivaliam a quase US$ 300!!! Eu era um milionário! Hoje em dia, corrigindo a inflação de 326% deixada ao mundo pelos presidentes mau-cárter, bushão, pinton, bushinho e obanana inflação aquele dinheiro equivaleria a US$ 1.244, que transformados em patacas ir-reais dariam cerca de R$ 4.960,00.
Sem incluir os infames vale-transporte e auxílio-alimentação, a que eu teria “deretchu”.

Como vêem, o MUndo MUdou MUito nestes 40 anos.
Para pior, é claro.
E os nem-nem ficam em casa para estudar para concursos, afinal de contas, essa laia de empregados públicos, que não gera nada exceto despesas, tem estabilidade… Vide a Grécia!

A nova cráçi trabaiadôra quer muito status, todos os deretchus, mas não gosta de enfrentar um buzão cheio, ou ganhar menos de cem mil dólares por semestre (para ter grana para gastar em uma viagem no semestre seguinte).

Como dizem os alemães, que Erde…

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