Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Arquivo para a categoria ‘consumidor’

Ah, os turistas

Já comentei anteriormente sobre turistas e as cidades.
A tag/etiqueta pode demonstrar mais vezes. Algumas dezenas de vezes.

Parece que as principais cidade se dão conta de que essa espécie predadora não traz tanto dinheiro para a economia como faz mal à saúde dos habitantes.

https://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/aos-poucos-europa-esta-se-cansando-do-turismo.ghtml

E no caso do Brasil, para aguardar a expectativa do carnaval, esperamos terminar o carnaval para que o governo percebesse que há algo de podre no reino do Rio de Janeiro.

https://g1.globo.com/politica/noticia/governo-decide-decretar-intervencao-na-seguranca-publica-do-rio.ghtml

Não ficava bem assustar os turistas.
O problema não é o turismo, mas as pessoas que são obrigadas a ficar trancadas em casa.

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notícias inúteis

Há umas semanas escrevi que queria ser dono de jornal.

Hoje me deparo com notícia que, como disseram os leitores, vai mudar o rumo do planeta.
Trump, com seus 71 anos, apresenta sinais de calvície.
Há menos de um mês, William de Gales também foi objeto dessa enpreimça fofoqueira, com a mesma preocupação.

Será que não há nada com que os gehornallyztas possam se ocupar em suas redações?
Podiam passar o tempo estudando Língua Portuguesa, História e Geografia, para não fazerem os leitores mergulhados nos erros que abundam nos noticiários.
Ou, quem sabe, jogar paciência nos computadores.
Seriam menos prejudiciais para a sociedade.

Queria ser dono de jornal

Queria ser dono de jornal.
Um jornal diferente.
Um jornal que não colocasse na primeira página manchetes como:

  • jogador de futebol tingiu o cabelo
  • a vida çequissuau duzartista da casa mais vigiada do país
  • famosa cantora desconhecida passa férias em ilha paradisíaca do outro lado do mundo
  • torcedores fanáticos customizam automóveis
  • saiba onde comer bolinho de bacalhau
  • morre atriz pornô
  • aberto concurso para concurseiros fracassados
  • remédios florais para pets
  • casal cria fábrica de geléias
  • vocalista diz que já perdeu as contas de quantas vezes se apresentou em festival
  • Kardashian en ropa interior para Calvin Klein
  • Woman coughs so hard she breaks rib
  • 130 000 dollars pour voir l’épave du Titanic
  • Amore tra principessa indù e sultano islamico scatena ira delle donne
  • Luxurious mansions you can stay in
  • The season’s sweetest hot chocolates
  • Mit dieser App siechern Sie sich vor dem Sex rechtlich ab

Não inventei nenhum. Todas essas manchetes estão hoje nos sites de jornais de quase todo o mundo.
Apenas dei a elas uma redação mais elaborada, em alguns casos.

Será que isso tem alguma relação com a infantilização e com a imbecilização geral da sociedade?
Esses assuntos merecem de fato o destaque que lhes é dado pela enpreimça?
Duvido que as pessoas que conheço também não preferissem outro tipo de notícias com que se ocupar.

 

 

 

 

Feriados, férias, viagens

Conversei esta semana com uma amiga e o sócio dela sobre os feriadões, as férias, e “a necessidade das viagens”, exigência da indústria do turismo aos consumidores.

O sobrinho de minha amiga foi com a família, mais uma vez, passar o ano novo no Rio de Janeiro.
Talvez a areia de Copacabana seja outra, talvez os fogos sejam outros, talvez o calor seja diferente…

Meu irmão tem passado o aniversário, nos últimos sei-lá-quantos-anos, em Ubatuba.
Eu já perdi a conta dos aniversários que não comemoro…

Um casal de amigos aqui não perde janeiro sem ir à praia do Pipa, no Rio Grande do Norte – nem mesmo este ano, com o Exército no lugar da Polícia.

Outros declaram em VOZ BEM ALTA que vão de novo a Paris  (será que não é ao Pari, ao lado do Brás e do Bom Retiro?).

Por sua vez, essas pessoas nunca estiveram no Pantanal, ou na Chapada dos Guimarães, que são parte da riqueza natural do Brasil, ou sequer conhecem a capital do próprio país.
Sentem arrepios ao ouvir a palavra África.

Sei lá, para mim há lugares que visitei uma vez e que já satisfizeram minha curiosidade nessa única vez.
Tipo São Luís do Maranhão e Holanda.
Certas datas também não me atraem nem um pouquinho, como a noite em que se comemora a chegada de novos boletos de impostos…

Outros visitei umas três vezes, e dei por concluída a missão de ver a localidade e seus arredores – Salvador, Tiradentes, Alemanha.

Desde criança, nunca gostei de sofrer nas intermináveis filas de estradas, nem nas salas de espera de aeroportos super-lotados.
Aproveito muito mais uma viagem se ela for realizada com menos tumulto.
Sei que nem todas as pessoas têm essa disponibilidade de tempo, mas voltar para casa estressado por conta de um feriado é pior do que ficar em casa e aproveitar um bom livro e uma boa música.

Quando me dizem que já viajei muito, discordo. Não foram cinqüenta países. Não coleciono carimbos em passaportes. E não fui a todos os Estados brasileiros.
O que vi, porém, tem sido suficiente.
Poucos lugares que não visitei ainda me dão curiosidade. A Rússia, por exemplo, mereceria uma viagem, mas certamente não é para apenas visitar museus.
Sei que jamais teria interesse em visitar Vietname, Maldivas, ou México. Simplesmente não me interessa o que está na moda.
Tenho mais curiosidade em conhecer a Armênia e Geórgia, ou a Ilha da Madeira.
Certamente não pretendo voltar a Paris, nem à Bolívia.
Não tenho coragem para encarar novamente o Japão e a Coréia.
Orgulho-me de nunca ter ido a qualquer parque disney no mundo.

No entanto, ainda há dezenas de dúzias de livros que pretendo ler, enquanto ainda posso compreender o que neles está escrito.
Há também muitos compositores e intérpretes que ainda não conheço…

 

cinema

Achei interessante essa matéria sobre idosos e cinema.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/12/1944671-em-cidades-pequenas-somente-5-dos-idosos-costumam-ir-ao-cinema.shtml

Discordo que isso seja uma característica de cidades pequenas.
Tenho morado em cidades grandes a maior parte de minha vida, mas há muito deixei de ir ao cinema.
Não é por falta de salas, nem por falta de oportunidades.
Como disse uma das pessoas entrevistadas, não me interesso por filmes cheios de d-efeitos especiais.
Perdi o interesse pelas guerras nas estrelas e por continuações de outras ficções, em que os extra-terrestres são bípedes orelhudos iguais aos humanos.
As aventuras já me cansaram.
Filmes românticos não fazem meu estilo.
Comédias têm se tornado um insulto às pessoas, de tão vulgares e repetitivas.
Não gosto desses filmes politizados sobre greves e coisas do tipo.
Odeio terror.
Gosto de um certo suspense, de histórias de detetives.
Filmes históricos podem ser interessantes, mas em geral são completamente distorcidos. Tipo aquele australiano ou aquela brasileira.
Dramas familiares já deram sua boa cota de filmes nas décadas de 1970 e 1980.
Ou a historinha do cachorro que se sacrifica para salvar o amiguinho.
Ou os filmes de guerra em que o soldado mutilado que retorna da casa e encontra a mulher com filhos que certamente não são dele.

Sobretudo: NÃO SUPORTO o cheiro de pipoca e o barulho dos arrotos de coca-cola nas cadeiras ao lado.

Quanto ao teatro, ou os preços são abusivos, ou as peças têm aqueles mesmos atores de novelas de televisão, ou são apenas um amontoado de gritos primais, patrocinados pela lei roubanet.

Além disso tudo, os cinemas de rua eram muito mais simpáticos do que essas salas de shopping centers.
Por isso, no que depender de mim, a segunda (teatro) e a sétima (cinema) artes não contam com minha presença.
Nem as galerias de arte.
Prefiro livros e música.

tripa aí vai, sô

Gostei da matéria sobre o restaurante que nunca existiu.

http://www1.folha.uol.com.br/turismo/2017/12/1943141-restaurante-que-nao-existe-chega-ao-topo-do-tripadvisor-em-londres.shtml

Já perdi meu tempo postando comentários e avaliações nesse de-formador de opiniões chamado tripa aí vai sô.
Até perceber que a política da empresa é um engodo maior do que o universo.

https://bocadeconsumidor.wordpress.com/tag/tripadvisor/

Depois perdi também o interesse em continuar a publicar, no próprio blogue que eu havia montado, comentários sobre restaurantes e bares que tenho freqüentado.
O mundo das comidas e bebidas flutua como uma velocidade superior à da luz.
Atendimento, qualidade e preços podem mudar conforme o cliente e conforme o funcionário. Ou permanecer iguais durante décadas…
A inundação de informações como a relatada pelo freelancer Butler (por acaso mordomo, em inglês) já me havia sido mostrada por amigos que eram donos de restaurante em Brasília.
Muitas vezes eles sabiam quem era o comentarista favorável, e quem era o comentador enviado por concorrente.
Empresários sérios não precisam sair correndo atrás de estrelinhas.

Existem milhões de pessoinhas que fazem questão de ir ao restaurante X e ao bar Y porque estão na moda.
Mesmo que o restaurante seja na verdade uma conhecida “lavanderia”, no mais puro estilo de filmes de máfia ou de restaurantes chineses.
Existem também muitas pessoas que fazem turismo nos lugares que são indicados pelos jornalistas contratados por agências e redes de hotéis.
Mesmo que aquela praia ou museu não seja estilo do viajante.
Existem pessoas que vão religiosamente ao mesmo lugar, enquanto outros gostam de desbravar o mundo.

Passar tempo em filas ou aguardando a reserva para outro mês NÃO são parte de meu lazer.
Prefiro viajar sem muitos roteiros pré-definidos, e conhecer a vida nas ruas da cidade que estou visitando.

Cenas do cotidiano

Encontrei casualmente esse vídeo no youtube, e o repassei por whatsapp para várias pessoas de minha lista.
A reação de três pessoas (que não se conhecem) foi a mesma:

  • que gente elegante!
  • reparou que não havia gente gorda naquela época? Não vi nenhum no filme inteiro
  • as pessoas não usavam camisetas cheias de coisas escritas

Pois é, as pessoas não eram obesas – não ficavam diante do televisor comendo o hambúrguer com queijo cheddar pedido por aplicativo de telefone celular;
caminhavam até o ponto de ônibus ou bonde, nos quais viajavam espremidos de tantos passageiros;
brincavam nas ruas;
conversavam em cadeiras na frente da casa;
etc. etc. etc.

Difícil seria a vida de um médico de cirurgia bariátrica. Ficaria mais magro do que as pessoas retratadas no vídeo.

Vale o mesmo para o Rio de Janeiro, então capital do país, na mesma época.

Pois é, o progresso chegou…

 

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