Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

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Velharada asquerosa

Fu​i ontem a uma agência bancária, para fazer a comprovação de que continuo vivo e mereço receber os proventos de aposentadoria.
Estava sendo atendido, quando uma bicha velha chegou esbravejando, na mesa onde eu estava sendo atendido, para dizer que “tinha atendimento prioritário” e o fulano da mesa ao lado não o tinha chamado.

A funcionária disse que já o chamaria.
Ele voltou e reclamou de novo.

Eu, discretamente, com tom de cantor de ópera, disse:

EU TAMBÉM TENHO ATENDIMENTO PREFERENCIAL, E O SENHOR ESTÁ ATRAPALHANDO MEU ATENDIMENTO.
SENTE-SE E AGUARDE.
CUMPRA SEUS DEVERES ANTES DE RECLAMAR SEUS DIREITOS.

A tiazona sentou, acanhada, e a moçoila continuou a fazer meu recadastramento.
Ela disse:
Suas palavras foram exatamente as que eu queria ter dito.
O problema cultural do Brasil só será resolvido quando houver outro povo.

Quando saí, o segurança da agência me cumprimentou.

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Senhas

Tenho um bloco de anotações, que já está quase completo, onde escrevo, usando o alfabeto amárico, as senhas de que necessito.

Cada site ou aplicativo pede um formato de senhas diferentes.
Só com algarismos.
Quatro algarismos, seis algarismos, pode repetir uma vez, não pode repetir nem uma.
Com letras e algarismos.
Letras maiúsculas e letras minúsculas se diferenciam.
Letras maiúsculas e minúsculas não se diferenciam.
Com sinais especiais. Sem sinais especiais.

Todos nós acabamos tendo aquela mundaréu de senhas.

Senha para a conta no banco em Itaquaquecetuba.
Senha para a conta no banco em Ananindeua.
Senha para o internet banking em Itaquá.
Senha para o internet banking em Anani.

Senha para o Imposto de Renda.
Senha para o contracheque.
Senha para o plano de saúde.

Senha para wifi em casa.
Senha para internet no trabalho.
Senha para o correio eletrônico pessoal.
Senha para o correio eletrônico profissional.

Senha para

  • facebook
  • instagram
  • tinder
  • pinterest
  • spotify
  • whatsapp
  • site de notícia
  • youtube
  • twitter
  • e até aquela senha que era usada no orkut.

Senha para doze diferente sites de busca de hotéis.
Senha para vinte e cinco empresas aéreas.

Senha para

  • Uber
  • 99Taxis
  • Cabify

Senha para ligar o computador.
Senha para acessar o celular, antes de marcar a digital.

Senha para desbloquear o elevador.
Senha para usar o carrinho de supermercado do prédio.

Senha para falar com a empresa de

  • luz
  • de água
  • de gás
  • de telefone fixo
  • de telefone celular atual
  • de telefone celular antiga
  • do condomínio

Senha para a conta do Maluf em Jersey.
Senha para a conta da Adriana na Suíça.
Senha para aquela conta que vovó abriu em Cayman, e você nem sabia.

Senha para o motoboy do sanduíche.
Senha para o riquixá da comida chinesa.
Senha para o bicicleteiro da padaria.
Senha para a Lamborghini do disk-drogas.

Senha para controlar os exercícios na academia.
Senha para os pagamentos da academia.

Senha para a lista de presentes para o casamento da filha da vizinha da prima do cunhado da irmã da antiga professora de sânscrito.
Senha para ir à imperdível festa de aniversário da Fifi, a yorkshire da síndica.

Senha para regular o botox no rosto.
Senha para ajeitar o silicone nos glúteos.

Por mais que você tente, sempre precisa criar uma senha nova, diferente.

Não adianta deixar tudo memorizado,
pois um dia o computador vai para o conserto,
ou o celular precisa ser trocado porque um vírus nele mofo deu.

Olho o bloco de anotações.
Encontro até a senha para entrar no paraíso.
Só não encontro a senha para sair deste inferno de senhas.

 

 

Feriados, férias, viagens

Conversei esta semana com uma amiga e o sócio dela sobre os feriadões, as férias, e “a necessidade das viagens”, exigência da indústria do turismo aos consumidores.

O sobrinho de minha amiga foi com a família, mais uma vez, passar o ano novo no Rio de Janeiro.
Talvez a areia de Copacabana seja outra, talvez os fogos sejam outros, talvez o calor seja diferente…

Meu irmão tem passado o aniversário, nos últimos sei-lá-quantos-anos, em Ubatuba.
Eu já perdi a conta dos aniversários que não comemoro…

Um casal de amigos aqui não perde janeiro sem ir à praia do Pipa, no Rio Grande do Norte – nem mesmo este ano, com o Exército no lugar da Polícia.

Outros declaram em VOZ BEM ALTA que vão de novo a Paris  (será que não é ao Pari, ao lado do Brás e do Bom Retiro?).

Por sua vez, essas pessoas nunca estiveram no Pantanal, ou na Chapada dos Guimarães, que são parte da riqueza natural do Brasil, ou sequer conhecem a capital do próprio país.
Sentem arrepios ao ouvir a palavra África.

Sei lá, para mim há lugares que visitei uma vez e que já satisfizeram minha curiosidade nessa única vez.
Tipo São Luís do Maranhão e Holanda.
Certas datas também não me atraem nem um pouquinho, como a noite em que se comemora a chegada de novos boletos de impostos…

Outros visitei umas três vezes, e dei por concluída a missão de ver a localidade e seus arredores – Salvador, Tiradentes, Alemanha.

Desde criança, nunca gostei de sofrer nas intermináveis filas de estradas, nem nas salas de espera de aeroportos super-lotados.
Aproveito muito mais uma viagem se ela for realizada com menos tumulto.
Sei que nem todas as pessoas têm essa disponibilidade de tempo, mas voltar para casa estressado por conta de um feriado é pior do que ficar em casa e aproveitar um bom livro e uma boa música.

Quando me dizem que já viajei muito, discordo. Não foram cinqüenta países. Não coleciono carimbos em passaportes. E não fui a todos os Estados brasileiros.
O que vi, porém, tem sido suficiente.
Poucos lugares que não visitei ainda me dão curiosidade. A Rússia, por exemplo, mereceria uma viagem, mas certamente não é para apenas visitar museus.
Sei que jamais teria interesse em visitar Vietname, Maldivas, ou México. Simplesmente não me interessa o que está na moda.
Tenho mais curiosidade em conhecer a Armênia e Geórgia, ou a Ilha da Madeira.
Certamente não pretendo voltar a Paris, nem à Bolívia.
Não tenho coragem para encarar novamente o Japão e a Coréia.
Orgulho-me de nunca ter ido a qualquer parque disney no mundo.

No entanto, ainda há dezenas de dúzias de livros que pretendo ler, enquanto ainda posso compreender o que neles está escrito.
Há também muitos compositores e intérpretes que ainda não conheço…

 

cinema

Achei interessante essa matéria sobre idosos e cinema.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/12/1944671-em-cidades-pequenas-somente-5-dos-idosos-costumam-ir-ao-cinema.shtml

Discordo que isso seja uma característica de cidades pequenas.
Tenho morado em cidades grandes a maior parte de minha vida, mas há muito deixei de ir ao cinema.
Não é por falta de salas, nem por falta de oportunidades.
Como disse uma das pessoas entrevistadas, não me interesso por filmes cheios de d-efeitos especiais.
Perdi o interesse pelas guerras nas estrelas e por continuações de outras ficções, em que os extra-terrestres são bípedes orelhudos iguais aos humanos.
As aventuras já me cansaram.
Filmes românticos não fazem meu estilo.
Comédias têm se tornado um insulto às pessoas, de tão vulgares e repetitivas.
Não gosto desses filmes politizados sobre greves e coisas do tipo.
Odeio terror.
Gosto de um certo suspense, de histórias de detetives.
Filmes históricos podem ser interessantes, mas em geral são completamente distorcidos. Tipo aquele australiano ou aquela brasileira.
Dramas familiares já deram sua boa cota de filmes nas décadas de 1970 e 1980.
Ou a historinha do cachorro que se sacrifica para salvar o amiguinho.
Ou os filmes de guerra em que o soldado mutilado que retorna da casa e encontra a mulher com filhos que certamente não são dele.

Sobretudo: NÃO SUPORTO o cheiro de pipoca e o barulho dos arrotos de coca-cola nas cadeiras ao lado.

Quanto ao teatro, ou os preços são abusivos, ou as peças têm aqueles mesmos atores de novelas de televisão, ou são apenas um amontoado de gritos primais, patrocinados pela lei roubanet.

Além disso tudo, os cinemas de rua eram muito mais simpáticos do que essas salas de shopping centers.
Por isso, no que depender de mim, a segunda (teatro) e a sétima (cinema) artes não contam com minha presença.
Nem as galerias de arte.
Prefiro livros e música.

Vizinhos e pobreza

Andei visitando outros prédios, para me mudar daqui.
Vi apartamentos muito bons.
Mas na hora em que os corretores dizem que lá moram juízes, promotores, médicos ou advogados, já descarto na hora.

Não quero esse ambiente de cráçi mérdia emer-gente, de novo rico com nariz de Gleise Hoffman.

Estou muito mais inclinado a morar em um prédio onde vi anúncio de que a moradora do apartamento xyz faz consertos de roupas, e que o morador do apartamento wzy dá aulas particulares.
E o mais curioso é que esse prédio fica no mesmo bairro que os nojentinhos dos riquinhos.

Prefiro morar em um prédio onde os moradores não se preocupem em ter audis, rangerovers, bmws na garagem.

Será que eu estou em defasagem com o ambiente humano?
Pois, aprendi com alguns amigos, que infelizmente há gente tão pobre que só tem dinheiro, mais nada.

Ausência

Tenho me ausentado do blog.

Mudei de cidade (e de unidade federativa).

Demora até as coisas se ajeitarem.

Em breve eu volto a escrever.

Enquanto isso, apenas quero dizer: como é bom ficar fora de certos círculos de histeria coletiva…

Ex-cócia, Br-Exit, Carla Camurati e afins

Recebi um e-mail de velha parente  (parenta soa horrìvelmente!) que reproduzo:

Primeiro vamos lembrar que a Escócia  só foi “juntada” ao Reino Unido há mais ou menos uns 250 anos. Batalha de Culloden, Lembra ? Vencida pelo “açougueiro” Lorde Cameron com a destruição total da língua, costumes, etc. Não me parece que  eles
tenham algum motivo para amar os ingleses. Acho apenas que é a volta do nacionalismo de um povo de origens diferentes, língua diferente e costumes diferentes. Lembra que o Sean Connery sempre disse que era escocês. E meu pai tinha um amigo, o Aidan, que dizia a mesma coisa.

A resposta que lhe enviei foi:

Quando houve a batalha de Culloden a Inglaterra já tinha estado sob os pés dos reis escoceses Stuart, desde 1603.
O que eles queriam era colocar de volta os Stuarts católicos, e depor os Hanovers, que tinham ascendido por falta de herdeiros diretos dos Stuarts que atendessem os requisitos das leis de sucessão.
A briga entre Stuarts e Hanovers tinha motivação porque um ramo católico queria assumir o trono, quando a reforma anglicana (Inglaterra) / prebisteriana (Escócia) já estava bem instalada na ilha.

Escoceses adoram distorcer os fatos para se fingir de vítimas.
Como aquele filme horroroso do Coração Valente, que narra fatos do século XIV como se fossem os últimos ocorridos.

Vítimas foram os ingleses, que viram o filho de uma fofoqueira profissional (Maria Stuart) virar rei da Inglaterra (1603 – Jaime VI Jaime I)
Maria Stuart viajava por tudo quanto era lugar tentando depor Elizabeth I, só que esta foi mais esperta e prendeu a prima.
Os Tudor tinham de buscar parentes remotos no País de Gales, que seriam menos chatos.

Além disso, Elizabeth Bowles-Lyon, mãe da atual rainha, tinha origem escocesa.
Não dá para Elizabeth II deixar de ser rainha da Escócia.

Os escoceses votaram em 2014 pela manutenção da ligação com o Reino Unido.
Quem votou contra foram os sindicalistas de Glasgow, que ainda vivem no século XIX.
Esses são os escrotos, não os escoceses.

E quase ninguém mais fala a língua gaélica (exceto os moradores do extremo-norte, justamente onde o Sim ganhou em 2014).
São muito menos numerosos (menos de cem mil pessoas) do que galeses falando galês em  Cymru (600 mil).
Escoceses usam sim o scots, que é um dialeto do inglês, uma língua germânica, e não uma língua celta.

Eu tinha um amigo escocês, que sempre brincava que Elizabeth de Windsor era a primeira, pois a outra, a Tudor, tinha sido antes da união e não entrava na numeração da Escócia (0 que não é verdadeiro).
Mas ele era o mais ardoroso monarquista que já conheci, filho de diplomata britânico que se radicou em Petrópolis após aposentar-se.

Existem dois filmes sobre a tal batalha de Culloden, um da década de 1964 (que lembro de ter assisti na televisão em preto e branco) e outro de 2003.
Minha parente deve ter fundamentado a opinião nos filmes.
Ou terá sido em algum romance? Alguma matéria de jornal brasileiro, mal traduzida e baseada em uma única fonte?
Muita gente confunde arte com História, e acredita nas versões vitimistas ou pastelões. Seja com aquele canastrão do Mel Gibson ou com aquela “comedianta” da esquerda caviar chamada Carla Camuflatti.

Quanto a Sean Connery ser escocês, devo dizer que nasci em São Paulo, mas nem por isso nunca deixei de ser brasileiro, assim como o ator nunca deixará de ser britânico.

Infelizmente, a lavagem cerebral decorrente da imprensa pode mudar opiniões.

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