Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

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Señor Best Regards

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Avião na feira

Quando alguém viaja de ônibus, ou metrô, às 7 da manhã ou no fim da tarde, quando a demanda é maior, por acaso a tarifa é mais alta?

Quando há greve de ônibus sobe a tarifa do metrô, ou vice-versa?

Não. A tarifa cobrada é calculada por uma série de variáveis que compõem o preço final – distância, custo de combustível, salário de empregados, pedágios (se houver) e coisas do tipo.

Agora, por que essa viadagem canalha de aviões cobrarem tarifas diferentes conforme o horário ou o dia?

Os bebêzinhos poderão dizer: 1 – mas é assim em todo lugar. – 2 – Sempre foi assim.

1 – Dane-se!  – 2 – Mentira!

Não era assim antigamente, nos meus bons e velhos tempos de viajante. Foi depois da década de 90 que tivemos essa coisa abusiva de preços variarem conforme a tal “lei de oferta e procura”.

Se o ônibus ou o trem está cheio, o passageiro que aguarde o próximo.

Se o avião está cheio, que aguarde outro. Ou a empresa coloca mais aparelhos a funcionar, ou que deixe de atender a demanda.
O que não é justificável é cobrar R$ 980,00 por um trecho que normalmente custa R$ 350,00, porque é reflexo do “mercado”.

Pouco me importa se é mercado, feira-livre ou super-mercado. É ROUBALHEIRA!

E que dividam outra vez trens e aviões com primeira e segunda classe. Uma com bancos estofados, e a outra com bancos de madeira. Uma com refeição quente, e a outra com biscoitos.
Mesmo porque não vou pagar 100 dólares por meia dúzia de pãezinhos de queijo descongelados no micro-ondas, como fazem as lanchonetes de “aeroporcos”.

 

Não vou encher o cofre da empresa vagabunda que quer me roubar.
Sou velho mas não sou idiota.
Que fiquem com um monte de assentos desocupados, tal como mostra a planilha de venda.

LADRÕES!

 

Charles of Wales & Hillary of Clinton

Muito curioso como a enpreimça é uma coisa (coisa mesmo) tendenciosa e que não deve ser levada muito a sério.

Jornais publicaram com algum destaque que o Príncipe de Gales, herdeiro do trono britânico, teria comparado Putin a Hitler, em razão da crise na Ucrânia.
Na Folha de São Paulo, um leitor inseriu um comentário, com assinatura de quem não sabe de nada sobre o funcionamento de instituições fora do Brasil, e afirmou que

O comentário desse cara e o de um leão de chácara de boate falida tem o mesmo peso!

Curiosamente, hoje encontrei uma matéria assinada no Estadão, em que o professor da USP e da PUC Oliveiros Ferreira trata da geopolítica, e inicia com

Muitos, como Hillary Clinton, compararam a crise na Ucrânia e a incorporação da Crimeia ao Estado russo à crise de 1938, quando Hitler avançou sobre a Checoslováquia. Esqueceram-se de que a Grande Política então se fazia por pactos e alianças e, sobretudo, de que não havia a arma nuclear.

Bem, a pré-candidata ao trono americano afirmou isso, e não vi o mesmo destaque na imprensa, e muito menos palavras de gozação contra a afirmação clintoniana.

Por que ela deve ser levada a sério, enquanto que o “par” do outro lado do Atlântico é motivo de chacota?

Ah, por que ela é de uma república, e ele representa uma monarquia atrasada…

Algumas pessoas insistem em ignorar que as monarquias européias (exceto aquela coisa sem tradição na Espanha, cheia de corrupção; mas Espanha, como sabemos, é um país do Norte da África) são muito, mas muito mais democráticas, do que republiquetas na América Latrina ou na África. (incluir na primeira categoria os países que algumas pessoas jocosamente chamam de “colônias”- Canadá, Austrália e Nova Zelândia).

Rei é apenas enfeite? Sei… é enfeite mas de muito significado na opinião pública.

Ninguém reparou, mas a seqüência de atos contra a ditadura da primeira-ministra na Tailândia (irmão de um político exilado, por corrupção) – primeiro sua destituição e agora o lei marcial, toque de recolher e tudo mais, veio depois de demonstrado, durante o 60º aniversário da coroação do rei, que há muito apoio do povo à monarquia – os amarelos -, capaz de se contrapor ao peso da turma populista dos depostos – os vermelhos.

Do mesmo modo, a enpreimça rotula como extrema-direita os partidos eurocéticos. Certamente são jornalistas vesgos, que não sabem o que significa direita e esquerda. Ser eurocético não é ser de extrema-direita. Ou será que não pode haver vozes dissonantes na União Européia, como ocorre no “super-bem-sucedido” Mercosul.

Só como apêndice e curiosidade: sabiam que a família real sueca vai à fila de embarque nos aeroportos como qualquer passageiro? Que paga multas de trânsito?
Sabiam que Harry foi em vôo de linha aérea barata para participar de cerimônia oficial na Estônia? Do mesmo modo em que, quando uma semana antes foi à festa de um amigo em Miami, viajou também em avião comercial, a contragosto da então namorada.
Enquanto isso, na república popular democrática do Brasil, um senador usou avião da FAB para fazer implante de cabelos, um governador já pagou com verba pública jatinho para levar a sogra a passear em Paris, um candidato “socialista” ficou zangadinho por terem mostrado foto dele em um jatinho “amigo”, o governador de um outro estado usava helicóptero oficial para levar babás e cachorros à praia, ministros e deputados utilizaram (não raras vezes) avião da FAB para ir a jogo de futebol, …..  Desse tipo de democracia estamos cansados..
Não são necessários mais exemplos para vermos quem são parasitas.

ai, a mesma lenga-lenga demagógica de sempre

Tá tudu arrezorvidu. Foi aprovada na Câmara um projeto de emenda à constituição que garante o direito social de usar transporte público. A matéria agora segue para o Senado.

Como senadores não têm a menor idéia do que seja transporte público, devem aprovar o “direito”.

Quer dizer, transporte público eles sabem muito bem o que seja. Afinal de contas usam seus veículos oficiais com motoristas, com combustível também por verbas públicas.

Fora o monte de vereadores que fazem isso em seus currais eleitorais. E secretários municipais de municípios que existem apenas à custa dos repasses do FPM.

E aqueles ministros que pegam jatinhos da FAB ou helicópteros dos bombeiros para passear.

Transporte COLETIVO, ah, isso é diferente. Imaginem se uma ótóridade vai andar de buzum, se vai colocar o próprio carro na estrada, se vai fazer check-in no aeroporto.

Isso é coisa para europeu atrasado. Já ouvi dizer mais de uma vez que ministros holandeses vão ao trabalho de bicicleta, que ministros ingleses usam ônibus para ir ao Parlamento, que aquela alemã que fala português e é rainha da Suécia viaja em vôos comerciais. Que gente mais sem noção.
Nós, políticos brasileiros, não vamos nos misturar com esse povaréu que está lá fora pagando impostos.
Mobilidade é eu poder subir na vida, não é mesmo, caro eleitor?

E Viva o Feudalismo!!!

Pois us pobrêma nóis arrezórvi cum lei. Pra íçu qui nóis legisla.

De boas intenções o inferno se enche todos os dias.

A copa, turismo e hotéis

Há uma interessante matéria na Folha, sobre perda de receita durante a copa do mundo.

As empresas dizem que é cedo para fazer previsão de quanto seria a queda no movimento de passageiros, mas baseiam a previsão negativa no comportamento da demanda nos Mundiais anteriores. Na Alemanha, o aeroporto de Berlim viu o movimento de passageiros encolher 18% em 2006, ano da Copa. Nos dois anos seguintes, contudo, o movimento não só se recuperou como deu um salto.

Já na África do Sul, a Copa não foi capaz nem de recuperar o movimento perdido com a crise financeira global. O movimento de passageiros em Johannesburgo, principal porta de entrada do país, em 2010, foi inferior ao de 2008. Lá, o efeito da exposição internacional do destino durante o Mundial ainda não foi sentido. O movimento de passageiros em 2012 (18,6 milhões) foi similar ao de 2008.

“Se a Copa fosse há três anos, ia bombar em termos de benefício para o Brasil. Mas, hoje, como a imagem não está mais lá essas coisas, o resultado não deve ser tão positivo”, disse Frederico Turolla, consultor e professor da ESPM.

Só isso? E a explosão de hotéis em lugares sem vocação para o turismo? Brasília com sua abominável setorização que confina os turistas a lugares afastados de qualquer atração. Bem parecido com o conceito de “turismo” na Coréia do Norte, por exemplo. Goiânia, que não será cidade-sede durante a Copa, pretende abocanhar parte dos turistas que não se dispõem a pagar os preços abusivos cobrados na capital federal. Só que esqueceram de iniciar a construção há mais tempo, e duvido muitíssimo que a oferta hoteleira no futuro venha a ser preenchida, apesar de atualmente haver um evidente gargalo na oferta. A questão do famoso timing desperdiçado.

No Rio de Janeiro, continuam os mesmos gargalos de sempre, hotéis concentrados nas mãos de poucos grupos empresariais (quando não pessoas físicas), e concentrados em poucos bairros. Azar de quem precisa ir a negócios em bairros da Zona Norte ou da Zona Oeste.
Isso São Paulo e Belo Horizonte já souberam superar: há hotéis em pràticamente todas as regiões dessas cidades.

Com toda a certeza ou ficarei em casa ou “escondido” em algum “lugar seguro” durante a Copa de 2014 no Brasil. Talvez longe daqui.

Violência reprimida

Um amigo comentou hoje sobre o sujeito que atirou contra um agente de segurança no aeroporto de Los Angeles.

Comentário dele: ainda é pouco!

Realmente, do modo que como somos mal tratados o tempo todo, e como tratamos mal os outros na maioria das vezes, de fato ainda é pouco o número de pessoas que extravasam o ódio e a raiva reprimidos com esses acessos de fúria.

Nesta semana, ouvi vários relatos de amigos ou parentes, de que estavam se sentindo esgotados por conta de serem mal atendidos.

É funcionária de hospital que não avisa dos cuidados prévios necessários a um exame; é funcionário de aeroporto que destrata passageiro com 90 anos; é funcionários de seguradora que “esquece” de renovar a apólice; é gente dos insuportáveis tele-marketings que liga nos horários mais inconvenientes para oferecer coisas que você nunca pediu; é um motorista imbecil que bloqueia teu carro no estacionamento, porque ele foi “só ver uma coisinha rápida”; é bar que não respeita lei do silêncio; é a máquina de “auto-atendimento” que não funciona e não lhe dá opção para um serviço “humanizado”; é a pessoa que espera por uma condução que vem sempre lotada; é o descerebrado que passa com o volume do som do rádio do carro ao máximo; é o prestador de serviço que ri na sua cara se você reclama do atraso; é é é.

Pensem bem: somos agredidos o tempo todo por coisas que não ocorreriam se:

a funcionária se preocupasse com o trabalho e não com a televisão ligada na sala de espera; se a seguradora soubesse usar de planejamento; se não existissem essas infernais coisas de querer vender porcarias por telefone; se as pessoas soubessem que andar 50 metros é melhor do que pagar mensalidade em academia de ginástica; se falar baixo fosse regra e não exceção; se olhassem menos para a tela do celular durante uma conversa; se as pessoas soubessem a utilidade do relógio.

No fundo, somos expostos à violência dos outros o tempo todo. Você pede uma informação e já fica com 4 pedras escondidas na mão, porque está condicionado a ser mal atendido. Não é violência gratuita, não é loucura, é simplesmente um estado de ansiedade permanente, de pessoas com horas de sono interrompidas por barulhos anormais, de pessoas que “falam muito dos direitos mas esquecem dos deveres”.

Sinceramente sou pessimista.

Não vejo como frases de “gentileza gera gentileza” coladas em latarias de automóveis possam influenciar de forma positiva as pessoas. Sempre nos pedem que façamos concessões, mas raramente as recebemos.

A violência reprimida está em todos os lugares, em todas as situações, em todos os países, em todas as classes sociais. Só podemos esperar por uma explosão pior do que os eventos isolados que percebemos, dos quais apenas uma minoria insignificante são noticiados. Quem vai se preocupar com um ataque a facadas que ocorrem num lugarejo do interior da Guatemala? Quem ouve falar de uma pessoa que tenta estrangular outra em uma rua no Iraque? Para nós isso parece ficção, e no entanto ocorre aqui mesmo ao nosso lado.

Debaixo desse lençol há uma situação de violência reprimida muito pior, que tendemos a desconsiderar, como se não fôssemos parte da máquina de triturar gente.
Não sei se fazemos isso para o nosso bem, ou para ignorar que um mal pior está por vir.

Compartilho o mesmo sentimento de uma prima: que vontade de ir embora deste planeta.

P.S.:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,pais-teve-50-mil-mortes-em-2012-maior-n-em-5-anos-,1092590,0.htm

aeroportos demais

Alguém aí do governo andou dizendo que vai construir “pelo menos” novos 800 aeroportos regionais no Brasil, para atender as cidades com mais de 100 mil habitantes.

Vai melhorar para os passageiros? Duvido muitíssimo.

Em primeiro lugar, porque para aeroportos funcionarem, uma coisa importante é que haja passageiros que justifiquem os vôos. A tal demanda pelas linhas aéreas.

Depois, porque aeroportos nessas condições acabam por provocar que as linhas sejam no abominável estilo pinga-pinga, feito ônibus suburbano ou rural.

Muito mais eficiente do que construir centenas de aeroportos regionais (para deleite das construtoras), seria melhorar os existentes, e construir alguns maiores, concentradores de tráfego, com boas rodovias E ferrovias ligando esses aeroportos às cidades próximas.

Dallas (1,2 milhão de habitantes) e Fort Worth (750 mil habitantes) são duas grandes cidades do Texas, a menos de 60 km de distância entre elas. Compartilham um grande aeroporto internacional.

Pelotas (330 mil hab) e Rio Grande  (199 mil hab) também ficam a  menos de 60 km, cada uma com seu minúsculo aeroporto (um deles pomposamente denominado Aeroporto Internacional), que não apenas tem pouco tráfego, como ficam próximos demais, e deixa os passageiros obrigados ao desconforto de vôos em aeronaves pequenas, que voam em baixa altitude, muito “convenientes” para enjôos e sacolejos desnecessários. Sem contar que nenhum passageiro vai de uma cidade à outra – a escala é apenas para gastar tempo e combustível. A única rota liga as duas cidades à capital sul-riograndense (260 km), mas nem mesmo opera nos fins de semana.

Querem que Araraquara tenha de seu aeroporto vôos para Campinas. 200 km por rodovia. A distância do aeroporto de Ribeirão Preto a Viracopos, por sua vez, é de 236 km. Um único e grande aeroporto, situado entre Ribeirão Preto (420 mil hab) e Araraquara (com seus 230 mil hab), já que são menos de 90 km entre seus respectivos aeroportos, atenderia com distância inferior a 50 km as duas regiões, com aumento no fluxo de passageiros.

O mesmo problema, que descrevi sobre os vôos que servem Pelotas E Rio Grande, ocorre também com vôos a Santo Ângelo (76 mil hab) E Santa Rosa (69 mil hab), com pertíssimos 72 km entre eseus aeroportos.

Se cada município com 100 mil habitantes quiser ter seu aeroporto para vôos regionais, estamos certos de que em pouco tempo mais linhas regionais terão desaparecido, e mais empresas de aviação estarão falidas. Alguém vai querer criar vôos regulares entre Anápolis e Goiânia (60 km) ? Ou entre Divinópolis e Belo Horizonte (110 km) ?

Sou totalmente a favor da aviação regional, mas ela é em geral é fundamentada na vaidade dos prefeitos e outras “ótóridades”, que evitam contatos mais próximos com a lógica.

As empreiteiras agradecem penhoradamente, repito, esse empenho em construir 800 aeroportos, além dos donos particulares de aviões, que serão os únicos a utilizá-los. Ao povo comum apenas restará pagar a conta.

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