Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘África do Sul’

a “democracia” sul-africana

O fato de ter sido rejeitado o pedido de impeachment do presidente “berlusconi” Jacob Zuma, por ter desviado reles US$ 16 milhões para a reforma da casa, deve também evocar um fato:

a África do Sul é uma ditadura, governada desde o fim do apartheid pelo mesmo partido, o Congresso Nacional Africano, que desde 1994 abrigou os quatro presidentes que o país teve (Mandela, Mbeki, o interino Motlanthe e Zuma), detém o controle de dois terços da câmara de deputados e de dois terços do senado do país.

renovação? que é isso…

e a mesma observação vale para a “democrática” Namíbia, onde o SWAPO controla quase 90% do parlamento, desde a independência do país, em 1990;
e também para Botsuana, “exemplo de democracia”, que desde a independência em 1966 sempre foi governada pelo mesmo BDP – Botswana Democratic Party – inclusive o atual presidente é filho do primeiro da lista, e, como costuma ser a regra por lá, era vice do anterior.

Sempre se comenta da ditadura “eletiva” do Robert Mugabe, no Zimbábue, mas as “democracias” da África austral não diferem muito.

Não sei por que, mas onde um partido de “eterniza” a corrupção torna-se endêmica.
A rotatividade sempre faz.
A máquina eleitoral, porém, nem sempre permite a alternância.

Iugoáfrica, ou Zululândia

Escrevi mais de uma vez que a África do Sul será a nova Iugoslávia, fragmentando-se com guerras entre as etnias, e fazendo aquilo que o mundo tão bem conhece: genocídios.

O recomeço de conflitos entre zulus e estrangeiros são apenas o pontapé inicial.

Democracia na África

Encontrei no The Guardian (aquele jornal inglês sustentado por sindicatos, venerado pela esquerda festiva brasileira) uma matéria sobre demo-cracia na África.

http://www.theguardian.com/global-development-professionals-network/ng-interactive/2015/feb/25/democracy-africa-maps-data-visualisation

Não sequer um comentário sobre países que demo-craticamente estão sempre sob o mesmo partido…
tão demo-cráticos como o demo, coitadinhos…

Em Botsuana, um único partido – o BDP, Partido Democrático de Botsuana – tem estado no poder desde a independência, em 1966, e domina também o Legislativo.
Copio da wikipedia (editada por todos e por ninguém):

Desde sua independência, o país teve governos democráticos e eleições ininterruptas, sem sofrer qualquer golpe de estado.

O primeiro presidente, sir Seretse Khama, governou até a morte, em 1980, e foi substituído por seu vice Quett Ketumile Masire, que, após quatro mandatos sucessivos, foi substituído em 1988 por seu vice, Festus Mogae. Depois de 10 anos, Mogae deixou o poder para seu vice, Ian Khama – filho de Seretse!

Na “pluripartidária” Namíbia, o SWAPO, que faz parte da Internacional Socialista, mas na prática é tão partido único como o mencionado na “pluripartidária Botsuana”,  permanece no poder desde a independência, em 1990.

Na conhecida África do Sul (parceira do Brasil nos míticos BRICS e IBSA), o conhecido ANC (Congresso Nacional Africano), partido também filiado à Internacional Socialista, está no poder desde 1994, quando houve o fim do apartheid que era conduzido pelo Partido Nacional que governou o país desde 1948.

Esses três países, contudo, são retratados nos mapas como “mais democráticos” do que o Quênia, onde eleições têm provocado alternância possível dos partidos. O terceiro presidente do país, Mwai Kibai, era de um partido de direita, ao contrário dos anteriores e do atual.
Porém talvez a análise não deve gostar do fato de que o atual presidente Uhuru Kenyatta (desde 2013), filho do primeiro presidente, o notório pró-soviético Jomo Kenyatta (1963-1978), conviva com um vice de outro partido, de direita!

Bem, trata-se do The Guardian

Quanto a outros países da África Ocidental, já lemos bastante sobre eles, por conta do carnaval, e das matérias a respeito da corrupção das empreiteiras brasileiras. Não vou comentar sobre eles para não estender este post.

Já não se fazem mais funerais como antigamente

O funeral de Mandela, em um estádio de futebol, é realmente um espetáculo para ser lembrado.

Sem qualquer constrangimento, líderes internacionais tiraram suas próprias fotografias para enviar a sites de relacionamento, a população local vaiou o atual presidente sul-africano, o intérprete da linguagem de sinais para surdos inventou os sinais que lhe pareceram mais apropriados,  a casa do Bispo Desmond Tutu foi roubada enquanto ele estava no serviço fúnebre, papagaios de pirata como Jon Mala Vox marcaram presença. Pudemos com isso até ser apresentados à primeira-ministra da Dinamarca, senhora Helle Thorning-Schmidt.

Para que a festa fosse completa, faltou que algumas “personalidades” da política e do mundo artístico sorteassem automóveis para a platéia.

Quem sabe no próximo show um patrocinador se lembre de suprir essa falha. Fidel Castro, por exemplo, poderia nos dar esse prazer do funeral-festa.

Da parte brasileira, deve ter sido agradável para o grupo de amigos do Planalto ter-se reunido para o convescote.

África do Sul sem Mandela

Anúncio oficial da morte de Nelson Mandela. 95 anos.

Certamente uma pessoa do maior destaque na segunda metade do século XX.

Refaço uma pergunta que já fiz em outras ocasiões:

Quanto tempo levará para que a África do Sul se torne uma “nova Iugoslávia“, com guerras entre as diferentes etnias?

E não estou a falar de lutas entre brancos e negros. Refiro-me a guerras entre negros e negros, do leste e do oeste e do norte do país. Entre zulus e xhosas, entre tswanas e sothos.

Dez, doze, quinze anos?

A copa, turismo e hotéis

Há uma interessante matéria na Folha, sobre perda de receita durante a copa do mundo.

As empresas dizem que é cedo para fazer previsão de quanto seria a queda no movimento de passageiros, mas baseiam a previsão negativa no comportamento da demanda nos Mundiais anteriores. Na Alemanha, o aeroporto de Berlim viu o movimento de passageiros encolher 18% em 2006, ano da Copa. Nos dois anos seguintes, contudo, o movimento não só se recuperou como deu um salto.

Já na África do Sul, a Copa não foi capaz nem de recuperar o movimento perdido com a crise financeira global. O movimento de passageiros em Johannesburgo, principal porta de entrada do país, em 2010, foi inferior ao de 2008. Lá, o efeito da exposição internacional do destino durante o Mundial ainda não foi sentido. O movimento de passageiros em 2012 (18,6 milhões) foi similar ao de 2008.

“Se a Copa fosse há três anos, ia bombar em termos de benefício para o Brasil. Mas, hoje, como a imagem não está mais lá essas coisas, o resultado não deve ser tão positivo”, disse Frederico Turolla, consultor e professor da ESPM.

Só isso? E a explosão de hotéis em lugares sem vocação para o turismo? Brasília com sua abominável setorização que confina os turistas a lugares afastados de qualquer atração. Bem parecido com o conceito de “turismo” na Coréia do Norte, por exemplo. Goiânia, que não será cidade-sede durante a Copa, pretende abocanhar parte dos turistas que não se dispõem a pagar os preços abusivos cobrados na capital federal. Só que esqueceram de iniciar a construção há mais tempo, e duvido muitíssimo que a oferta hoteleira no futuro venha a ser preenchida, apesar de atualmente haver um evidente gargalo na oferta. A questão do famoso timing desperdiçado.

No Rio de Janeiro, continuam os mesmos gargalos de sempre, hotéis concentrados nas mãos de poucos grupos empresariais (quando não pessoas físicas), e concentrados em poucos bairros. Azar de quem precisa ir a negócios em bairros da Zona Norte ou da Zona Oeste.
Isso São Paulo e Belo Horizonte já souberam superar: há hotéis em pràticamente todas as regiões dessas cidades.

Com toda a certeza ou ficarei em casa ou “escondido” em algum “lugar seguro” durante a Copa de 2014 no Brasil. Talvez longe daqui.

dia de Zumbi

Dia 20 de novembro, feriado em vários municípios para celebrar Zumbi dos Palmares.

Figura histórica um tanto polêmica. Muito mais para traidor do que para herói. Algo normal na história do Brasil, que hoje em dia cultua Luís Carlos Prestes e Lampião, só para citar dois casos de bandoleiros famosos. Os Billy the Kid brazucas.

Reproduzo alguns parágrafos encontráveis na Wikipedia, embora muitas outras fontes digam o mesmo:

Alguns autores levantam a possibilidade de que Zumbi não tenha sido o verdadeiro herói do Quilombo dos Palmares e sim Ganga-Zumba: “Os escravos que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos eram capturados e convertidos em cativos dos quilombos. A luta de Palmares não era contra a iniquidade desumanizadora da escravidão. Era apenas recusa da escravidão própria, mas não da escravidão alheia.[…]”

De acordo com José Murilo de Carvalho, em “Cidadania no Brasil” (pag 48), “os quilombos mantinham relações com a sociedade que os cercavam, e esta sociedade era escravista. No próprio quilombo dos Palmares havia escravos. Não existiam linhas geográficas separando a escravidão da liberdade”.

Segundo alguns estudiosos Ganga Zumba teria sido assassinado, e os negros de Palmares elevaram Zumbi a categoria de chefe:

“Depois de feitas as pazes em 1678, os negros mataram o rei Ganga-Zumba, envenenando-o, e Zumbi assumiu o governo e o comando-em-chefe do Quilombo”4

Seu governo também teria sido caracterizado pelo despotismo:

“Se algum escravo fugia dos Palmares, eram enviados negros no seu encalço e, se capturado, era executado pela ‘severa justiça’ do quilombo.

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e prática da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.”

Escravidão no Quilombo dos Palmares

Apesar de representar uma resistência à escravidão, muitos quilombos contavam com a escravidão internamente. Esta prática levou vários teóricos a interpretarem a prática dos quilombos como um conservadorismo africano, mantendo as diversas classes sociais existentes na África, incluindo reis, generais e escravos.

Para alguns estudiosos, no entanto, a escravidão nos quilombos não se assemelhava à escravidão dos brancos sobre os negros, sendo os escravos considerados como membros das casas dos senhores, aos quais deviam obediência e respeito.Semelhante à escravidão entre brancos, comum na Europa na Alta Idade Média.

A prática da escravidão nos quilombos, como a praticada por Zumbi, tinha dupla finalidade:

– a primeira, de aculturar os escravos recém-libertos às práticas do quilombos, que consistiam em trabalho árduo para a subsistência da comunidade. Já que muitos dos escravos libertos achavam que não teriam mais que trabalhar; e

– a segunda, que visava diferenciar a população do quilombo, em:

a) aqueles que chegaram pelos próprios meios. Escravos fugidos, que se arriscavam até encontrar um quilombo. Sendo, neste trajeto, perseguidos por animais selvagens e pelos antigos senhores. Ainda, correndo o risco de serem capturados por outros escravistas, e em

b) aqueles trazidos por incursões de resgates. Escravos libertados por grupos quilombolas que iam às fazendas e vilas. Estes ficavam sob um regime de servidão temporário à algumas casas mais antigas, até se adaptarem à rotina do quilombo e poderem ter suas próprias casas.

Matéria assinada no Estadão trata da lei que obriga o ensino sobre África nas escolas. Link disponível no início da linha.

Pergunto se esse conteúdo “didático” contém as mentiras históricas de que os “brancos” entravam no interior do continente para “caçar negros”, ou se conta a verdade de que os escravos eram comercializados por reis africanos, em entrepostos no litoral, onde a “mercadoria” era vendida tanto para árabes (Oceano Índico) como para europeus (Oceano Atlântico). Os europeus só começaram a se estabelecer no interior da África no século XIX. Isso é mais do que comprovado. Primeiro os franceses na Argélia, em seguida os bôeres penetrando no sul da África, a partir do litoral que ocupavam, estabelecendo suas pequenas repúblicas no interior, enquanto os ingleses passavam a ocupar as regiões costeiras. A famosa partilha da África entre as potências européias só se deu no final do século XIX, quando o Império Otomano já estava em declínio e em retrocesso no Norte do continente.

O maior inimigo dos negros foram os negros de outras etnias. Isso ainda continua a ser verdade, basta ver as guerras em todos as partes do continente. Nigéria (desde Biafra até os recentes massacres de cristãos por muçulmanos), Burundi, Ruanda, Etiópia, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc..  Aliás, se for para fazer um retrospecto, os escravos etíopes que havia no antigo Egito já eram relatados há milênios.

Será que isso tudo é ensinado nas aulas sobre África nas escolas brasileiras?

Será que Zumbi é o herói que os brasileiros de cor de pele negra merecem? Bem, se for como Macunaíma para os brasileiros de pele branca, então pode ser que seja válido. Acho, porém, que os brasileiros merecem heróis com caráter, independentemente da cor da epiderme.

Essa história feita de estòrinhas revanchistas e “revisionistas” poderia ser um pouco mais séria e ter um pouco mais de pesquisas.
Aliás, é sempre bom lembrar que as práticas escravocratas surgiram há aproximadamente 11 mil anos, quando teve início a ocupação de pessoas com agricultura regular. Só começaram a ser questionadas no século XVIII, com o Iluminismo. Não fossem os filósofos europeus, a escravidão seria ainda vista como algo natural em todo o mundo.

Por falar nisso, é bom rever a entrevista de Morgan Freeman sobre “mês da história negra”, e outras mais:

http://youtu.be/qAQneXfkZFk

http://www.youtube.com/watch?v=qAQneXfkZFk&feature=youtu.be

Quando se comemora o dia da consciência nipo-brasileira? E o  do árabe-descendente? Ou do greco-brasileiro? Sem deixar de mencionar, é claro, o dia do ítalo-brasileiro.
Eles não contam? Só os “negros” que, na maioria, são originários da miscigenação com os antigos lusitanos?

Fosse feita uma pesquisa entre os “negros”, teríamos um porcentual de descendentes de europeus maior do que a “mestiçagem” propalada dos”brancos”, afirmada por ociólogos e antropo-ilógicos, sem análise que ultrapasse a amostragem da população brasileira da primeira metade do século XIX.
Esses “intelectuais” aí querem tanto falar de “mestiçagem”, mas são favoráveis ao levantamento de um “muro” separando etnias no Brasil. Bem típico de certos grupos políticos.
Muitos deles afirma(ra)m que “todo brasileiro tem um pé na senzala”. Esquecem, porém, que “todo brasileiro tem um pé na sala”, se a “mestiçagem” é tão categórica.
Se há tantos mestiços, é claro que descendem de um grupo E de outro, às vezes mesmo de três, levando-se em conta avós.
Eu mesmo tenho avós e bisavós de quatro diferentes nacionalidades, origens e costumes, além de continentes diferentes. Todos abrasileiraram-se e eu sou exatamente isso: brasileiro, e gosto desse adjetivo. Um de meus avôs era tão pobre que em sua certidão de batismo constava que “deixavam de ser cobrados os emolumentos paroquiais, dada a condição financeira da família“.
Um dos bisavôs (de outro ramo) era de família que tinha vindo fazer aquilo que hoje em dia se chama “trabalho degradante semelhante a escravidão”. Dívidas em cima de dívidas contraídas por patrão trambiqueiro, embrulhão e tudo mais. Se a família dele era pobre no início, ficou mais pobre depois de trabalhar com esse patrão.

Ah, só para deixar claro: o assunto aqui é Zumbi, o herói sem nenhum caráter, irmão de Macunaíma.
Não estou a falar de cotas, nem de bolsas, nem de políticas de inclusão. Isso é uma outra conversa MUITO diferente.

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