Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘África do Sul’

Temas que se entrelaçam

A ex-presidente da Coréia do Sul foi algemada e começou a cumprir a pena de 24 anos de prisão a que foi condenada por “tráfico de influências”.

Os jornais brasileiras destacam que seus colegas em outros países deram ênfase na condenação de um dos ex-presidentes brasileiros que merece a mesma pena.
Só que publicam sempre os mesmos, aqueles que têm correspondentes no Rio de Janeiro ou em São Paulo.
Não sabem dizer o que estão em importantes jornais como Le Figaro, El Mundo (Madrid), La Nación (Buenos Aires), Die Welt (Berlim), …

Um importante corrupto da social-democracia brasileira também foi preso.
Faltam os outros.
Inclusive os do podre judiciário.

Ah, enquanto isso, outros ex estão sendo processados em todo o mundo. França, África do Sul, Peru, …
A estação de caça aos ex-presidentes está aberta.

 

a “democracia” sul-africana

O fato de ter sido rejeitado o pedido de impeachment do presidente “berlusconi” Jacob Zuma, por ter desviado reles US$ 16 milhões para a reforma da casa, deve também evocar um fato:

a África do Sul é uma ditadura, governada desde o fim do apartheid pelo mesmo partido, o Congresso Nacional Africano, que desde 1994 abrigou os quatro presidentes que o país teve (Mandela, Mbeki, o interino Motlanthe e Zuma), detém o controle de dois terços da câmara de deputados e de dois terços do senado do país.

renovação? que é isso…

e a mesma observação vale para a “democrática” Namíbia, onde o SWAPO controla quase 90% do parlamento, desde a independência do país, em 1990;
e também para Botsuana, “exemplo de democracia”, que desde a independência em 1966 sempre foi governada pelo mesmo BDP – Botswana Democratic Party – inclusive o atual presidente é filho do primeiro da lista, e, como costuma ser a regra por lá, era vice do anterior.

Sempre se comenta da ditadura “eletiva” do Robert Mugabe, no Zimbábue, mas as “democracias” da África austral não diferem muito.

Não sei por que, mas onde um partido de “eterniza” a corrupção torna-se endêmica.
A rotatividade sempre faz.
A máquina eleitoral, porém, nem sempre permite a alternância.

Iugoáfrica, ou Zululândia

Escrevi mais de uma vez que a África do Sul será a nova Iugoslávia, fragmentando-se com guerras entre as etnias, e fazendo aquilo que o mundo tão bem conhece: genocídios.

O recomeço de conflitos entre zulus e estrangeiros são apenas o pontapé inicial.

Democracia na África

Encontrei no The Guardian (aquele jornal inglês sustentado por sindicatos, venerado pela esquerda festiva brasileira) uma matéria sobre demo-cracia na África.

http://www.theguardian.com/global-development-professionals-network/ng-interactive/2015/feb/25/democracy-africa-maps-data-visualisation

Não sequer um comentário sobre países que demo-craticamente estão sempre sob o mesmo partido…
tão demo-cráticos como o demo, coitadinhos…

Em Botsuana, um único partido – o BDP, Partido Democrático de Botsuana – tem estado no poder desde a independência, em 1966, e domina também o Legislativo.
Copio da wikipedia (editada por todos e por ninguém):

Desde sua independência, o país teve governos democráticos e eleições ininterruptas, sem sofrer qualquer golpe de estado.

O primeiro presidente, sir Seretse Khama, governou até a morte, em 1980, e foi substituído por seu vice Quett Ketumile Masire, que, após quatro mandatos sucessivos, foi substituído em 1988 por seu vice, Festus Mogae. Depois de 10 anos, Mogae deixou o poder para seu vice, Ian Khama – filho de Seretse!

Na “pluripartidária” Namíbia, o SWAPO, que faz parte da Internacional Socialista, mas na prática é tão partido único como o mencionado na “pluripartidária Botsuana”,  permanece no poder desde a independência, em 1990.

Na conhecida África do Sul (parceira do Brasil nos míticos BRICS e IBSA), o conhecido ANC (Congresso Nacional Africano), partido também filiado à Internacional Socialista, está no poder desde 1994, quando houve o fim do apartheid que era conduzido pelo Partido Nacional que governou o país desde 1948.

Esses três países, contudo, são retratados nos mapas como “mais democráticos” do que o Quênia, onde eleições têm provocado alternância possível dos partidos. O terceiro presidente do país, Mwai Kibai, era de um partido de direita, ao contrário dos anteriores e do atual.
Porém talvez a análise não deve gostar do fato de que o atual presidente Uhuru Kenyatta (desde 2013), filho do primeiro presidente, o notório pró-soviético Jomo Kenyatta (1963-1978), conviva com um vice de outro partido, de direita!

Bem, trata-se do The Guardian

Quanto a outros países da África Ocidental, já lemos bastante sobre eles, por conta do carnaval, e das matérias a respeito da corrupção das empreiteiras brasileiras. Não vou comentar sobre eles para não estender este post.

Já não se fazem mais funerais como antigamente

O funeral de Mandela, em um estádio de futebol, é realmente um espetáculo para ser lembrado.

Sem qualquer constrangimento, líderes internacionais tiraram suas próprias fotografias para enviar a sites de relacionamento, a população local vaiou o atual presidente sul-africano, o intérprete da linguagem de sinais para surdos inventou os sinais que lhe pareceram mais apropriados,  a casa do Bispo Desmond Tutu foi roubada enquanto ele estava no serviço fúnebre, papagaios de pirata como Jon Mala Vox marcaram presença. Pudemos com isso até ser apresentados à primeira-ministra da Dinamarca, senhora Helle Thorning-Schmidt.

Para que a festa fosse completa, faltou que algumas “personalidades” da política e do mundo artístico sorteassem automóveis para a platéia.

Quem sabe no próximo show um patrocinador se lembre de suprir essa falha. Fidel Castro, por exemplo, poderia nos dar esse prazer do funeral-festa.

Da parte brasileira, deve ter sido agradável para o grupo de amigos do Planalto ter-se reunido para o convescote.

África do Sul sem Mandela

Anúncio oficial da morte de Nelson Mandela. 95 anos.

Certamente uma pessoa do maior destaque na segunda metade do século XX.

Refaço uma pergunta que já fiz em outras ocasiões:

Quanto tempo levará para que a África do Sul se torne uma “nova Iugoslávia“, com guerras entre as diferentes etnias?

E não estou a falar de lutas entre brancos e negros. Refiro-me a guerras entre negros e negros, do leste e do oeste e do norte do país. Entre zulus e xhosas, entre tswanas e sothos.

Dez, doze, quinze anos?

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