Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘alimento’

o café e a tapioca

Há muitos anos me acostumei a tomar granola na xícara de café.
Não gosto de leite nessa mistura.

Certa vez, em um hotel, a funcionária ia de mesa em mesa, com a bandeja com bule de café e de leite. Eu pedi que ela derramasse o café na tigela onde já estava o cereal.
Ela serviu leite.
Devolvi a tigela, fui buscar mais granola e insisti: quero café!
Arregalou os olhos e me perguntou: é bom?

 – Para mim, é bom.

 

Bem, hoje em dia existe a moda do beiju/tapioca, em tudo quanto é lugar.  Até para ministro comprar com cartão porcorativo na rua.

As pessoas comentam:

– Eu gosto só na manteiga.

– Eu prefiro a salgada.

– Eu sempre como com geléia.

– Eu gosto com cocô.

E eu simplesmente digo:

ODEIO TAPIOCA!

Deixem-me com o café na granola, e afaste de mim essa gosma.

 

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Imagem comovente

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tapioca

Há umas semanas, contei um segredo a parentes e amigos :

detesto tapioca
não sei de onde veio essa moda de as pessoas serem obrigadas a dizer que gostam dessa maçaroca
aliás, contei-lhes dois segredos –

açaí tem gosto de isopor gelado;
o que salva é a banana ou os sucrilhos

Como resposta, tive:

Vou contar o mesmo segredo, também não suporto tapioca!

Também detesto tapioca!!! E olha que eu sou um bom garfo. Tem muita pouca coisa da qual não gosto. Açaí? nunca provei!!! Nem tenho vontade.

O pior é que agora  todo mundo fala da tal de tapioca.

Pior que isso, só camarão mal preparado, com gosto de isopor temperado com alho!

 

Laticínios

Um amigo me contou que, quando tinha uns 12/13 anos, pensava que laticínios fossem aquelas coisas que havia nos armários da casa, do tipo leite condensado, ervilhas, sardinha, …
Tudo em lata!

Aliás, nessa época, gordura de côco (Brasil) e óleo de algodão / óleo de amendoim  também vinham em latas.
Trocaram pelos plasticínios.

Festa junina

Fui ontem à noite a uma festa junina.

Aquelas comidas típicas da roça:

Acarajé,
Apfelstrudel,
Bobó,
Cachorro quente com molho de ervas,
Churro,
Crepe de chocolate,
Gyozá,
Vegana (ouvi uma pessoa perguntando o que era “vegana”; ela pensava que fosse um salgadinho),
Yakissoba,

As bebidas, claro, eram Coca-Cola e Heineken.

A globalização tingiu tudo com cores pastel.

Fala, falsidade!

Vi há alguns dias uma cena típica do comportamento de algumas pessoas:
pisam com facilidade nos “inferiores” e bajulam os “superiores”.

Eu estava em uma mesa de restaurante e pude ouvir o que se passava ao lado, dado que a “advogada criminal” ali sentada falava em um volume, vamos dizer, assim um tanto quanto alto. Talvez ela pensasse estar em algum tribunal.

Terminada toda a refeição, o garçon lhe perguntou se tinha apreciado a comida.

A mulher respondeu, com ar professoral, que tinha apreciado o almoço, MAS que o ceviche estava muito cítrico, e que o peixe tinha uma consistência “borrachuda”.
(Acho que ela não sabe que ceviche é peixe cru marinado em limão.)

Em seguida, o próprio dono do restaurante chegou para cumprimentar a cliente e fez mesma pergunta.

“Estava tudo maravilhoso. Adorei.”

A referida causídica, pelo visto, está sempre do lado dos mais fortes.  Muda de opinião conforme o interlocutor.
Um perigo e, ao mesmo tempo, um exemplar muito comum à solta na sociedade.
Como será que ela defenderia um cliente envolvido com abuso de autoridade?

Cabra duma figa

Sabe o que é isso?

2015-02-19 20h16m50 cabra duma figa

Simples, uma redução de aceto balsamico com açúcar, com creme de queijo de cabra, figo fresco salteado na manteiga e lâminas crocantes de batata doce fritas.

Pode chamar de “cabra duma figa”.

É uma entrada que comi em um bistrô aqui perto do apartamento, que antecedeu um filé ao molho do porto, com ratatouille e purê de mandioquinha (ou, como dizem alguns, batata baroa).
Se eu disser o quanto paguei pela refeição, vocês ficarão ofendidos com os preços baratos, abaixo de R$ 50,00 no total!
Aliás, não direito baratos, mas JUSTOS.
O chef-proprietário do bistrô tem uma característica raríssima: cobra o preço justo, e não os preços abusivos que caracterizam a maior partes dos estabelecimentos do tipo, preocupados com o “lucro brasil”, para enriquecerem logo e caírem fora do país que naufraga por conta desses “empresários” e por conta do público que adora pagar preços escorchantes, pois “fica bem com a galera” da ostentação.
Resumindo: não é explorador, como uns e outros restauranteiros que querem ficar ricos com a fome dos clientes.
Questão de comportamento.
Depois, alguns concorrentes vão lá para saber porque a “clientela cativa” deixou de freqüentá-los e passou a comer no botequistrô (boteco bistrô), já que, com sua equipe, também vende o melhor hambúrguer de todo o Cerrado.
Ser Classe A é saber pagar pouco, não “uzói da cara” para fingir que dinheiro lavado torna alguém mais rico.

O mais interessante dessa entrada, o “cabra duma figa”, é que contém os cinco sabores: amargo, ácido, salgado, doce, e umami, que, para quem não sabe, é o quinto sabor.
O crocante da batata apresenta os sabores salgado e amargo, que resulta da queima do carboidrato.
O figo é a porção doce do prato.
O queijo de cabra é amargo, salgado, contém intensidade e pungência no sabor.
O aceto balsamico é ao mesmo tempo doce e ácido.
Eles se complementam e casam, elevando o sabor de cada um.
Na confluência desses quatro sabores, estes elevam-se do prato a ponto de culminar em um prazer gastronômico e desmascara o quinto sabor, o umami.
O umami, mais conhecido por nosso familiar glutamato monossódico, é sentido nas papilas do fundo da língua, e concentrações desse sabor podem ser obtidas em alimentos como queijão parmesão envelhecido, algas marinhas, tomate e alguns tipos de carne.

O proprietário-chef trabalha com a ficha técnica de preparação, que é ensinada nas escolas de gastronomia para se avaliar o custo de cada prato, mas que é solenemente ignorado pelos empresários do lucro-brasil.
A ficha técnica calcula direitinho os preços cobrados. Falarei mais sobre esse assunto em outros post aqui no blogue.
Justamente porque, como já antecipei acima, a maioria dos restaurantes acredita que cliente não tem noção alguma dos preços dos elementos que compõem um prato. Ledo engano. Temos de explorar esse “calcanhar de aquiles” dos “chefs” que, por exemplo, usam e abusam do tal “menu degustação”, para subsidiar suas (deles) viagens de turismo em que copiam o que vêem, e fazem compras de roupas e bebidas para revender aos incautos. Salafrários em todos os sentidos – tentam também enganar no paladar.

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