Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

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bieber

Perguntaram a uma amiga minha (musicista profissional) o que ela achava da “nova fase, adulta” de Justina Biba.

Ela respondeu ràpidamente:

Seria melhor ele ter morrido na primeira infância…

 

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A Inconfidência Paranaense

Recebi este texto de um amigo que trabalhou comigo.

Quando, no futuro, forem examinados os ricos autos da devassa das escandalosas operações de assalto aos cofres públicos, conhecidas pelo apelido de “Petrolão”, os pesquisadores poderão talvez encontrar algumas semelhanças com uma outra devassa, duzentos e dezesseis anos mais antiga, a Inconfidência Mineira. Em ambas há episódios de divulgação do que seria confidencial, donde o termo “inconfidência. Numa, a quebra do sigilo foi a perdição do herói e da nobre causa pública. Noutra, o fim do segredo foi o ardil astucioso encontrado pelos vários heróis verdadeiros para evitar que a Justiça fosse obstada em sua intervenção contra interesses inconfessáveis.

Naquela primeira Inconfidência, o herói era um homem do povo, um alferes e boticário, sobre quem recaiu o peso da mão da Coroa, o Tiradentes, figura posteriormente trabalhada pela ditadura republicana, diga-se, por absoluta falta de heróis republicanos um século depois. A incumbente do Governo, antagonista do herói no enredo, era a Rainha Dona Maria I, injustamente conhecida como Dona Maria a Louca. Os inconfidentes se sublevavam contra a sanha fiscal do poder colonizador português. Propunham algo que poderíamos aproximadamente chamar de uma independência política para parte do que hoje é o Brasil. A Justiça do país colonizador agiu com rigor e coibiu a sanha libertária dos nossos proto-para-pseudo-jacobinos das Alterosas. Resumindo, contaríamos então no enredo com um herói popular (o Tiradentes), uma Justiça malvada e cruel, e uma Rainha louca.

Na nossa nova inconfidência paranaense, os personagens poderiam ser identificados aos da mineira. O herói popular: o eterno operário quintessencial que chegou pela via democrática ao mais alto cargo do país. Querem também apresentar a Justiça como malvada e cruel, como se nada houvesse mudado no Brasil nos últimos 216 anos… Como se não estivéssemos sob regime democrático e em Estado de Direito. Suprema diferença: se o Tiradentes era um cidadão que jamais ocupou nenhum cargo importante e nem tinha qualquer vínculo com o Governo de então, o nosso novo “herói popular” foi, por dois mandatos, Presidente da República, e é o maior líder do Partido dos Trabalhadores, que é o partido do Governo, ao qual pertence a atual Presidente da República.

Por fim, a terceira personagem do enredo: a Rainha louca. Necessário dizer que não vai aqui nenhuma referência velada à política do Estado do Paraná, que parece ter a sua própria Dona Maria a Louca…Voltando ao plano nacional, se Dona Maria I foi injustiçada com tal apodo, havendo mesmo sido uma boa Rainha, antes que sucumbisse à arteriosclerose, a atual governanta bem merece ser chamada de Presidenta louca. Suas tristemente célebres pedaladas, sua inconsequência, sua ignorância arrogante e temerária, para não mencionar sua proverbial falta de bons modos, têm levado o País para o abismo.

Quanto ao desfecho, bem sabemos que o da Inconfidência Mineira foi trágico, com a execução e esquartejamento do Tiradentes e o degredo de seus correligionários. Cumpriu-se a decisão da Justiça, surgiu o germe do herói, posteriormente fantasiado e amplificado pelo marketing da república nascente. Na inconfidência curitibana, creio haver uma tentativa de total inversão dos papéis. O “herói popular” operário-presidente, suspeito de haver-se beneficiado de um assalto colossal aos cofres públicos, certamente não irá ao patíbulo, já que a pena de morte não é prevista na legislação brasileira. Espera-se que a justiça se faça, mesmo a pesar de toda a pressão contrária de altos interesses envolvidos, até mesmo no Poder Judiciário. A Justiça, que esses mesmos interesses querem apresentar como a vilã do enredo, surge, na verdade, como a real heroína. É a ela que o pseudo-herói e a nova Rainha louca querem trucidar. Esquartejá-la-iam, se pudessem…

Quanto à Rainha louca, espera-se que seja devidamente apeada do trono e submeta-se a um bom tratamento psiquiátrico e possa viver feliz para sempre, mas bem longe de todos nós, ou, ao menos, sem nenhum poder de berrar e ofender os que a cercam nem de infernizar o país com seu incrível arsenal de péssimas ideias.

Laticínios

Um amigo me contou que, quando tinha uns 12/13 anos, pensava que laticínios fossem aquelas coisas que havia nos armários da casa, do tipo leite condensado, ervilhas, sardinha, …
Tudo em lata!

Aliás, nessa época, gordura de côco (Brasil) e óleo de algodão / óleo de amendoim  também vinham em latas.
Trocaram pelos plasticínios.

Vaidoso

Um amigo comentou que toda hora ouvia outras pessoas dizerem que ele era vaidoso.

Vaidoso?
Como?
Por que?

Uma pessoa igual às outras.

Até que um dia ele pôde entender melhor:

VÁ Idoso!

Aurora boreal “marciana”

Um amigo que está no Norte Nortíssimo da Escócia me mandou essa foto de aurora boreal.

image1

Cá entre nós, acho que parece mais um cocô de marciano.

Sicília / Sicíria

Uma amiga me mandou uma mensagem:

Agora estamos passeando pela Sicília para descobrir que os italianos são o povo mais indisciplinado da face da terra!
E quem foi que disse que isto era bonito? Quero meu dinheiro e minhas férias de volta!
Alugamos um carro pasta andar pela ilha e descobrimos que a Máfia roubou até as estradas! Puta que pariu, lugarzinho de merda!

Eu respondi:

Por que você acha que o Brasil não deu certo?
Foi o excesso de italianos.
Nunca viu no youtube aquele desenho Itália e UE?
https://youtu.be/uKC4XGGlnRI
Nada mais parecido com um brasileiro do que um italiano.

e repassei a conversa para minha lista.

Respostas:

  1. Não tenho dúvida. Quando visitei Roma pela primeira vez me surpreendi ao perceber que os italianos são muito mais parecidos com a “autoimagem” que os brasileiros fazem de si do que os próprios brasileiros… nos bons e maus sentidos.
  2. É vero…
  3. Pois eu também fui lá conferir e achei uma M. O único passeio que valeu a pena foi o que fiz ao vulcão. De resto… Cidadezinhas mais ou menos e praias menos ou menos. E o povinho então… O pior do mundo. Igualzinho o nosso, grosso, inviabilizado, sem cultura e egoísta que sempre quer se dar bem às custas dos outros. O etna faria um grande favor ao mundo se explodisse de verdade e acabasse com aquela ilha de merda.Já a vizinha Malta… É bem legal. Maior concentração de sítios arqueológicos por m2 do planeta! Igrejas legais, cidades medievais impressionantes. Paradinha e desanimada, claro.
  4. é por ai…a Sicília também me decepcionou. A parte menos ruim é o lado oeste, mais agreste. Palermo é um horror, cheira a mijo de rato…
  5. Não concordo. Há muito de indisciplina na Itália, muita corrupção e o câncer das organizações mafiosas, mas minha experiência como turista em mais de 40 vezes, com três vezes na Sicília, sempre foi positiva.
    Quem é esse seu amigo que se deu mal na Trinácria?
    Gosto de disciplina e organização, mas às vezes o excesso também é doentio, como em alguns países que conheço ne Europa e na Ásia.
    Algumas “ilhas” fiscais, por exemplo, tendem a ser muito organizadas, para o bem e para o mal.
    Quanto à Sicília, duvido que diante do Vale dos Templos em Agrigento, dos teatros gregos de Taormina e Siracusa, dos demais vestígios de camadas de civilização e de uma comida simples e deliciosa, eu me sentisse infeliz.
    Seu amigo ou amiga não teve sorte e estava com o humor fora do eixo.

Bem, pela maioria das respostas,
pelo conto Un lungo viaggio,
e pela “herança maldita” dos sicilianos nos filmes de gângster (não só americanos, mas também italianos, franceses, …),
parece terra de ninguém.
Meu amigo da “Trinácria” focou a Magna Grécia de Arquimedes.
Os outros, Manhattan.
Por mim, em função do conto que mencionei, sugiro que os sicilianos sejam todos levados para Manhattan, e que os sírios refugiados na Europa mudem-se para a Sicília, que passará a se chamar Sicíria.
Todos serão atendidos.

Velórios e funerais

Fui neste fim de semana ao velório e enterro da mãe de uma amiga.

Primeiro, tenho de contar que em uma capela ao lado, havia um bando de “religiosos” fazendo interminável um festival de músicas. Até pensei que fosse funk, de tanto que gritavam, mas parece que era o tal de “cóspeu“, ou coisa do tipo.

A irmã de minha amiga virou “membra de uma dessas egreijas”, e levou um tocador de ovelhas para fazer leitura de um livro de um tal de João, apesar de que todo o resto da família não freqüenta nem uma dessas seitas.
Estava tão chato, que eu saí da capela.
O marido de minha amiga disse que gostaria de poder fazer o mesmo.

Bem, quando eu morrer, eu exijo ordem na festa.
Assim como existe casamento religioso e casamento civil, eu quero um funeral só no civil. Tá?
Unção dos defuntos eu já recebi uma vez, por engano e pressa de uns e outros.

Nada de levar padre, pastor, monge budista, pai de santo, cavalo, rabino, iman, pajé, o que quer que seja desse tipo.
Se encontrarem em Bombaim ou em Zanzibar ou em Yazd um sacerdote zoroastriano, para levar o defunto para uma torre de silêncio, então está bem. Só duvido que ele faça a viagem e que a vigilância sanitária e o ministério público permitam que se faça a cerimônia comme il faut.

Nada de corrente de oração com o pessoal se dando mãozinha ou coisa do tipo. Zero! Eu me recuso a pegar na mão gordurosa das visitas.

Gente, mas é muito, muito chato fazer os outros terem de ouvir tanta conversa no meio do funeral.
Até o defunto fica cansado.

Já fui a tantos velórios aqui no DF quanto lá im çumpallo,
e também uns 4 ou 5 em outros países.
O único lugar onde as pessoas se reúnem para contar piadas é im çumpallo. Deve ser porque as pessoas são muito mais tristes do que em outros lugares, por isso precisam ser “criativos” (e inconvenientes). Não sabem escolher assuntos.
Nos outros lugares, velório é uma reunião onde não comparecem comediantes de stand-up shows.

No meu, não quero nem rezadeiras nem palhaços.

E não esqueçam de colocar um óbolo para eu pagar o pedágio da barca de Caronte. E vai ter de ser óbolo, ainda mais agora que a Grécia vai sair daquela zona do Euro. Podem se virar para encontrar.  Dracma, já que a inflação corroeu o valor do óbolo e o pedágio subiu.
E, como dizia minha mãe, também é bom ter uma pedra à mão, para o caso de encontrar o filho do carpinteiro.

Ai de quem ousar levar um sacerdote em meu velório.
Vai ver só o que eu faço!

Ah, e em lugar de flores, sugiro que coloquem cestos de frutas e barras de chocolate (mas não barrinhas de cereal).
Pelo menos vai dar para comer alguma coisa se ficar com fome.
Uma amiga que mora no Piauí contou que o pai quer ser borrifado com perfume bom, segundo ele. E depois que ponham o vidro vazio ao lado dele, para que ele possa ver se era bom mesmo. Quer também uma caneta no bolso e um papel de notas. “vai que ele precisa escrever alguma coisa”.

 

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