Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

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A necessidade da arte

Esse livro, A necessidade da arte (1959), de Ernst Fischer (1899-1972), era super-tri-muito-badalado, necessário para as conversas de “entelequetuaes” nas décadas de 1960 e 1970.
Pois esta semana, depois de conversar com um cozinheiro (ou chef de cuisine, como dizem os pernósticos hipòcritamente mal-resolvidos), levantei, no dia 4, uma questão com amigos:

– Qual a arte mais completa? A gastronomia, claro.
É a única que envolve tato, paladar, visão e olfato.
Os outros artistas ficam furiosos com isso…
Um simples ovo frito tem todos esses quatro sentidos envolvidos.
Só a audição é que não faz parte – necessariamente – do conjunto.
Existe o arroz trovão, na comida chinesa, que faz barulho igual aos crocantes de várias outras comidas.

Recebi comentários de “amantes das grandes artes”.

  1. Se você permite minha humilde opinião, não posso conceber hierarquia entre as artes, pois o deleite e a abertura dos portais sensoriais e espirituais dependem de cada obra de arte. Assim, ver as colunas dos templos da Paestum ou do Vale dos Templos de Agrigento, admirar o “Nascimento de Vênus, de Botticceli, tocar o Hércules Farnese ou a Vênus Calipígia, ouvir a Callas ou a 9a. de Beethoven, extasiar-se diante de um filme de Visconti ou ver Fernanda Montenegro no palco em “As Lágrima Amargas de Petra von Kant”, devanear diante das fotos de Robert Doisneau, ver espetáculos multimídia bem concebidos ao ar livre em lugares dramáticos, como o Teatro Grego de Taormina ou ou comer em um restaurante estrelado francês são experiências que permitem muito mais do que a sinestesia ou a transcendência, ainda que pareçam estanques do ponto de vista dos sentidos humanos.
  2. A literatura aguça todos os sentidos. Quando lemos sobre comida, as glândulas salivares são ativas. Quando lemos sobre um cheiro, podemos senti-lo mentalmente. Quando lemos sobre uma música, lembramo-nos da canção. Quando lemos sobre uma linda paisagem, enxergamos mentalmente a paisagem.
  3. Não é por isso que é maior, e a cabeça não conta? e as idéias? as sensações…

Ao que tive de esclarecer, para a terceira pessoa, que não me referia à “maior”, mas à mais completa, indagando a idéia de misturar banana com conhaque não contava.

E recebi também uma resposta bem humorada de que a gastronomia também provoca reações na audição, com os gases expelidos pelo corpo, e outra que dizia:

Mandei para o meu filho que é fanático por comida, incluindo os sabores, o cheiro, o visual, a textura.
Só não entendi porque não incluir o barulhinho bom de morder uma amêndoa bem torradinha ou uma castanha ou o croc da mordida em uma maçã. Por falar em maçã, para escolher eu dou um peteleco de leve; um ruído oco é sinal de suculência.

Pois no dia seguinte, 5, saiu a notícia de que o atual ocupante do Eliseu pretende vender a Mona Lisa, para pagar as dívidas da république française.
Para isso, o quadro provàvelmente sairia do museu mais visitado do mundo e passaria para as paredes da casa de um petroleiro árabe ou de um falsificador chinês qualquer.

Já comentei aqui no blogue, há dois anos, o que acho de pinturas de modo geral. Refresquem a memória.Cliquem neste link.

Pois bem, desde que Henrique III, rei de Navarra, aceitou uma missa para ser coroado também em Paris, como Henrique IV, a Gália tem sido governada por uma seqüência de pessoas sem o menor tino para a administração pública. Incluo aí todos os luizinhos, napoleinho, o sobrinho dele, e aqueles generais revanchistas que só provocaram instabilidade na Europa durante o século XX. O marido da cantora italiana e este atual, porém, ultrapassam qualquer marca de imbecilidade humana. Quanto mais “filosofia” e “ciências humanas”, menos raciocínio “cartesiano”… (O pior é que o Brasil gosta de copiar o que se faz por lá…)

Bem, esse presidente francês que tem sobrenome de estrangeiro já pensou que a monarquia inglesa dá muito mais lucros, com o turismo, do que despesas? Pois o mesmo ocorre com o Louvre, que transforma todo o país no principal ponto receptor de turistas de todo o mundo.

Não serei eu que irei a Paris visitar a mulher sem sorriso, embora tenha a intenção de visitar os vários pontos turísticos da Aquitânia e do Languedoc, nos próximos meses. Un peu d’argent para os depauperados cofres do governante socialista.

Voltando ao título do post, devo comentar que sem dúvidas a gastronomia é a mais importante e mais completa das artes.
Você já pensou em viver sem comer?Aí está a “necessidade da arte”. Ernst Fischer, apesar do sobrenome de pescador, não chegou a pensar nessa necessidade humana, animal e também vegetal.
A camponesa que, em 1793, foi assistir Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburgo-Lothringen, vulgo Antonieta, ser guilhotinada, sabia que “saco vazio não pára em pé”. Sem comida não há sensibilidade.
Viva a gastronomia! A mais completa das artes. Talvez a maior.

 

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o curto e finado século XX

A rigor, em termos sociais, econômicos e políticos, o século XX começou com o término da I Guerra Mundial.

Não foram apenas os Impérios que desapareceram. Alemanha, Áustria-Hungria, Rússia.

O comportamento das pessoas também se alterou a partir daquele evento.

Mulheres começaram a ter direitos políticos.

Legislações trabalhistas surgiram em quase todas as partes (e seus malfadados sindicatos).

A moda mudou substancialmente.

O automóvel e o avião alteraram rotas e distâncias. Em outro setor, rádio e televisão passaram a ser meios de lazer e de comunicação de massas.

O século XX, contudo, durou menos de 100 anos. Após 1968, mas com certeza no final da década de 1970, ele já estava sendo substituído pelo século XXI.

A gonorréia deu lugar à AIDS.

As pessoas tornaram-se obesas.

A moda despojou-se.
Se olharmos para imagens dos anos 60 e para as dos anos 80, a diferença é gritante. Cantores apresentavam-se de terno em 1967!

No Brasil, o latim e o francês foram abandonados no ensino das escolas.

A virgindade antes do casamento deixou de ser uma obrigação.

O que temos de lembranças do século XX são bàsicamente as trágicas lembranças da II Guerra Mundial, e de seus  “filhotes”: a Guerra Fria, a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã. Além do processo de descolonização, muitas vezes seguido de comunização, de países africanos, asiáticos e das Antilhas. Nem mesmo se diz mais Antilhas, hoje em dia a palavra é Caribe.

No entanto, ao olhar para o que temos nestes últimos 30 ou 40 anos, que formam um século à parte, pergunto de os valores alterados são de fato melhores do que os que regiam as sociedades do século XX.

Nunca se noticiaram tantos crimes banais.

As imagens tornaram-se fúteis. Confunde-se pintura e pichação. Fotografia deixou de exigir técnica de quem a tira. A música deixou de valorizar a melodia, dando-se mais valor às letras. A escrita perdeu precisão e estilo. Qualquer pessoa é “artista”.

Bem, o mais certo é que não verei até onde chegará o século XXI. Não estarei vivo para tanto. Simples questão de que as pretensões da medicina, dita “ciência”, na verdade bem pouco exata, não conseguem alterar a regra básica de que tudo termina. E pela lógica terminarei minha passagem pela Terra antes de saber quais foram os resultados deste século XXI, e em que transformações virão a seguir.

Divagações, nada mais.

Cidade Cinza – o filme

Fui ontem assistir o filme Cidade Cinza. (link para comentário de Roberto Sandovski no UOL) Eu e mais uma velhinha (talvez só um pouco mais velha do que eu, provàvelmente uma professora universitária) estávamos na sessão das 13h30 de segunda-feiúra (bota feia, nisso).
O filme do filho de meus amigos é muito bem produzido e muito bem montado. Levou seis anos desde a idéia inicial até a conclusão.
Apesar de eu não gostar de muitos grafites, que não passam de pichação (com CH, não com X, como está no filme – confundem Pixels com Pichar), tenho de aceitar algumas coisas do que os pintadores dizem no filme (entre-recheados de palavrões da geração WXYZ).
Continuo achando que o cinza dos prédios poderia ser resolvido com uma pintura de cada prédio em cor diferente. Um prédio Café Moca, outro Verde Trevo, um Azul Meia-Noite, um Morango, um Pimentão. Fora o azul celeste, o verde musgo, o amarelão, o bronze, o terra, e tantas outras cores que nem o Mac nem o WordPress conhecem. Por que todos os prédios brancos, pretos ou cinzas?
Igual à história dos carros, que os fabricantes empurram para a clientela, dizendo que são cores mais “comerciais”, quando na verdade é apenas preguiça e economia de usarem cores coloridas
Eu particularmente adoro o Fiat Stilo Amarelo. Acho que esse carro tem Stilo. Assim como era fã de meus dois Pólos vermelhos, que deram nome a este blogue.
Se as pessoas admiram as casas coloniais de Diamantina, Paraty, Ouro Preto, Pirenópolis, etc., por que têm vergonha de colocar cores em suas casas, lojas e prédios?

Uma coisa que fica claro no filme é que nem eles, os grafiteiros, fazem muita distinção entre pichação e grafite. Lamentável. Pichação é aquele rabisco horroroso, com letra de “anaufapéto”. Para eles não é estar nesta ou naquela “tribo”- é estar na rua.

Não entendi: se eles são tão favoráveis às cores, por que em alguns casos pintam em cima de paredes ou muros que já tinham cor? Já sei, o ego deles é maior do que a ideologia “contra o cinza”, a nobre cor da prata.

O chefe da kombi da prefeitura é mesmo um tipo um tanto quanto limitado intelectualmente, mas alguns daqueles funcionários da empresa terceirizada têm mais conceito da realidade do que aquele publicitário que aparece duas vezes.
Propaganda é um saco. Acho que uma das grandes coisas que o turco Kassab fez foi proibir as propagandas, que agora aquele outro turco está liberando de novo.
Quando estava na Faculdade, o grupo fez um trabalho de limpeza da poluição visual da Rua São Bento e da Rua Direita (não me lembro qual era a matéria – talvez do Ronaldo Duschenes). Hoje em dia, aqueles colléguas arquichatos certamente renegarão o trabalho, em nome da mesmice de que “pichação é arte, e que “propaganda é expressão visual”, e não parte do i-mundo capitalismo que eles atacam em outras horas.
Já disse e repito: pichador tem de ter o pinto cortado!

Se o filme durasse menos tempo não seria um longa metragem e perderia conteúdo. Por isso acho que a edição foi muito bem feita, pois não fala sempre a mesma coisa, mesmo que as cenas voltem aqui e ali.
O filme, além disso, mostra a mudança no estilo do trabalho de Os Gêmeos, e dos outros grafiteiros, Nunca, Nina, Finok, Zefix e Ise. As partes que mostram os trabalhos feitos pelos mesmos paulistanos em Nova York, Londres ou na Índia mostram claramente que isso é um fenômeno mundial, e devo confessar que senti inveja por ver o que foi produzido no exterior, comparado com o que normalmente se vê nas ruas brasileiras.

Achei bem sugestivo o fato de que a grafiteira Nina virou pintora de telas, e que um dos rapazes do grupo tenha abandonado o trabalho e se tornado “místico”. Sinal de que há mais coisas nas preocupações e preferências dos artistas, que no filme algumas vezes se destacam apenas pela verborragia de chavões em discursos polìticamente corretos. Todas as pessoas do documentário falam muito livre e abertamente, sem pensar em como seriam interpretados.

Tudo bem, a associação comercial pagou a pintura do mural na 23 de Maio. Mas e os outros trabalhos? De que vivem os pichadores? Sobretudo os tais da periferia, que tantas vezes são mencionados. Não é barato, claro, e isso é mencionado diversas vezes. Fazem o trabalho “básico” com tinta látex e só depois vem a tinta spray, com diferentes tipos de bico para dar os efeitos desejados.
Algo que ficou muito curioso foi que, de modo imprevisto para quem começou o filme com o apagar do mural, houve uma “inauguração oficial”, com presença do prefeito, de outras autoridades, da imprensa, e até mesmo de uma autoridade religiosa (o bispo de Santo Amaro). Isso, mais a conversa entre políticos, de que “fulana tem um trabalho deles em casa”, deu um quê de Fellini, com o padre cortando a fita inaugural de alguma obra política destinada à burguesia de príncipes e condes.
Por sua vez, se há algo que não posso entender é desde quando uma pessoa têm o “direito” de estragar o muro da casa dos outros? Querer pintar debaixo de viaduto ou em um terreno baldio é uma coisa, estragar a casa dos outros é outra bem diferente. Ou os donos não têm direito a expressar o que sentem, só os marmanjos do mundo artístico? Onde ficou a tal “liberdade”?

Reitero: todas as casas e prédios deveriam ser pintados com CORES, nem que fossem apenas as janelas e as portas. Sem nada de usar cor em tonalidade pastel. CORES. Queria ver se alguém tem coragem de “expressar o sentimento”.

Sei lá, quem mora em alguma cidade onde o film esteja sendo exhibido pode vê-lo e comentar alguma coisa comigo e com vocês.

Cinza e Cores

O filho de um casal de amigos fez um filme, que entrará em exibição nas próximas semanas, chamado Cidade Cinza.
Trata do cinza concreto e dos grafites urbanas.
Colaborei em dinheiro como forma de possibilitar mais ampla distribuição, em respeito a meus amigos.
Ainda não o vi, mas não concordo com essa coisa de que grafites (e pichações) melhoram a paisagem urbana.

cartaz filme cidade cinza

cartaz filme cidade cinza

Virou uma ditadura isso de que os grafites são bonitos, e que protegem a cidade dos pichadores.
Por que?
Por que não deixar simplesmente as pessoas pintarem suas paredes e muros com cores simples?
O “pilateiro” foi pintar o novo estúdio (de pilates), com uma cor forte, e logo depois já estava todo pichado.
Ele me contou um fato que achei o máximo: dois filhos da puta estavam pichando a parede da loja de um sujeito, um montado no ombro do outro. O proprietário viu e atirou um pedaço de pau no joelho do debaixo, que perdeu o equilíbrio, o outro caiu e morreu. Genial.
Acidente de trabalho, claro.

Um colorido de casas e prédios com cores, variadas, é mais interessante do que “obras de arte” de conteúdo em geral muito ruim. Bem apropriados para a frase de caminhão de que moldura não melhora pintura ruim.
Virou regra, porém: se estiver com grafite não vamos pichar. Isso é ensinado nas escolinhas que as prefeituras inventam por aí: grafiteiro é artista, pouco importa o que ele faça.
Por que não deixar simplesmente os prédios e casas pintados com a cor que a pessoa quiser. Verde bandeira, beige forte, amarelo, azulão, bordô, azul calcinha. Como as casas de cidades coloniais do interior do Brasil. Como o bairro “mouro” da Cidade do Cabo, cada casa em uma cor, forte.

Muslim quarter - near Waalestraat

Muslim quarter – near Waalestraat

Quando as pessoas viajam, elas acham lindo que as casinhas sejam coloridas. Parati, Pirenópolis, Diamantina, …

Diamantina

Diamantina

Nas grandes cidades brasileiras, porém, isso é considerado cafona, coisa de cortiço. Até mesmo a ditadura de que todas as cortinas nos apartamentos sejam iguais está valendo hoje em dia. Isso foi aprovado na reunião de cãodomínio do prédio em Goiânia. 8 prédios de no mínimo 30 andares cada, em torno de uma pracinha, e os moradores vêm falar de cortiço… Pombal de novos ricos, a pior espécie humana.

Virou moda também colocarem uns pedaços de metal, coloridos ou brutos, horrendos, e dizerem que aquilo é uma escultura.

Inhotim - MG

Inhotim – MG

Acho que uma boa medida seria cortar mãos, pés, olhos e pinto dos pichadores e dos “artistas” grafiteiros. Pena que aqui não seja a Arábia Bendita.

Eu colocaria um aviso na parede:
vá rebocar as paredes de tua casa e faça as pichações lá, seu recalcado.

A Lina Bo Bardi não queria que se pintasse de vermelho o prédio do MASP. Ela queria o purismo da podridão exposta do concreto armado, como o prédio da Faculdade de Arquichatura e Burranismo da USP. Tiveram de explicar à artista que a pintura protege o material perecível com que foi construído aquele monumento aos grevistas e desocupados.

Em lugar dos grafites sem qualidade, prefiro o cinza. Com o menor uso de concreto que possa existir.
E prefiro o cinza muito mais do que os tijolos expostos da periferia.
As prefeituras tinham de cobrar IPTU ao triplo para quem deixa as casinhas eternamente sem acabamento.

Minha Casa Minha Vida - Santana do Itacaré - PR - foto npdiario

Minha Casa Minha Vida – Santana do Itacaré – PR – foto npdiario – prefeito inaugura casas sem estrutura

CORES, cores fortes ou suaves, mas não essa babaquice de grafites.
E CINZA é uma cor, muito nobre, por sinal. Pena que os analfabetos funcionais ainda não tenham descoberto isso.
Aliás, na hora de comprar carros, nada de cores: tudo cinza ou preto, conforme o “conselho” do “consultor de vendas“.

Incompreensível.

A Lei Rouanet

A Folha publicou uma matéria sobre uso da Lei Rouanet.

O jornalista desanca o uso de recursos da desoneração fiscal para reforma de igrejas, pontes, sedes de governo, uma Oktoberfest e até celebração de torcida organizada.

Ponte? É a Ponte Hercílio Luz, cartão-postal de Florianópolis.

Sedes de governo? Campo das Princesas, em Recife, e Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Igrejas? igrejas e catedrais em Goiana (PE), Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Campinas.

Certamente o jornalista deve ter tido aulas de história apenas no cursinho pré-vestibular, com um desses professores que leciona (mal) o ateísmo comunistóide.

Será que o empregado da Folha nunca ouviu falar dos milhões de turistas que visitam Roma, Granada, Colônia ou tantas outras cidades?
Será que os turistas vão procurar apreciar a arquitetura das igrejas e templos, com pinturas, e esculturas, ou fazem as visitas para conhecer os prédios das redações dos jornais locais?

Não importa qual seja a religião dos grandes templos – Angkor, Taj Mahal, ruínas maias, pirâmides, templos gregos, catedrais católicas, etc. – essas grandes construções têm sim de receber apoio financeiro especial para continuarem a ser os grandes marcos referenciais da arquitetura de todas as épocas e de todos os lugares.

Se obras que envolvem religião não merecem apoio para conservação e restauro, então a Casa de Portinari, em Brodowski, tem de ficar abandonada. Os murais de Benedito Calixto ou de Aldo Locatelli podem despencar das paredes. Etc. e tal. Provàvelmente, também,  o autor da matéria no jornal não sabe o valor histórico da igreja de Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo.

Vale o mesmo para grandes palácios. Se fosse um dos caixotes de concreto armado, construídos pela “arquitetura moderna”, certamente o autor da matéria na Folha daria opinião diferente.

Se o jornalista acha que as construções brasileiras não merecem respeito, melhor mudar-se, por exemplo, para Havana, e tentar salvar os sobradões em ruínas da cidade.

Em tempo: sou contra, isso sim, o uso de dinheiro, através da Lei Rouanet, para espetàculozinhos de jazz ou de funk, com artistazinhos de 18a. categoria.

acabou no Irajá

Há uns dias, no almoço, reparei em uma pintura na parede do restaurante.
Tinha toda a cara de um Ganesh muito mal desenhado.
Ganesh, aquele deus hindu com tromba de elefante, que é o deus da paciência capaz de superar as dificuldades.

Perguntei ao dono do restaurante o que significava aquela pintura.
Ele respondeu que era “Naguêxi, a deusa maia da prosperidade“.

Achei mais do que duvidoso.
Pesquisei na interlenta, e nos muitos livros sobre mitologias que tenho, e não encontrei nenhuma deusa maia com nome parecido, nem para representar a prosperidade.

Coitado do Ganesh, feito Greta Garbo, acabou no Irajá, ou pior, na Asa Norte.
Mas tenho a certeza de que sua “parte travestida” na Guatemala ajudou na prosperidade do mau pintor.

Se por acaso você descobrir alguma coisa sobre a deusa maia da prosperidade, avise-me.
Avise-me também se souber de elefantes na América Central.
Sabemos que maias, como astecas, eram muito bonzinhos. Eles só acreditavam na prosperidade com sacrifícios humanos, de jovens preferentemente.
Ainda bem que não sirvo mais para esse tipo de coisa.

Vale Verde

Eu não tinha a menor idéia, mas a melhor cachaça do Brasil é uma tal de Vale Verde (segundo a revista pleibói).
O alambique fique no bairro de Vianópolis, em Betim (a cidade da FIAT).

No Vale Verde, há um parque ecológico, voltado, naturalmente, para crianças, já que se trata de cachaça.

Muitos brinquedos, um mini-zoológico, e aulas de ecologia para a molecadinha.
Ecologia, melhor dizendo, biologia.
Explicar a diferença entre tartaruga, cágado e jabuti, por exemplo.
Sabe por que esses quelônios e o caracol andam tão devagarinho?
Pela mesma razão que as mulheres que andam com bolsas muito carregadas, e os aborrescentes que saem com toda a casa na mochila, também não têm muita agilidade para caminhar. É simplesmente muita tralha para levar.

No parque há um insetário, um reptiário, um berçário.
Uma horta “orgânica“.

Há um labirinto de verdade (de pedra). Crianças pequenas que lá se perdem são servidas para a águia harpia.
Perto, um conjunto de ocas de palha, mais autêntica do que um motel com formato de tendas que eu conheci na África do Sul.
Por ali, uma vila de gnomos, e uma porção de bichinhos que olharam para os olhos da Medusa e se transformaram em pedra.
Mais aquelas coisas do tipo tirolesa, passeio de pônei, charrete, pedalinho, water ball, e outras atrações “animal, véi”.

Não sei se vocês sabem, mas sou um especialista em aves.
Identifico muito bem os patos, e todos os seus parentes, aquele de pescoço torto, o de rabo colorido, o que se come no natal.
Passarinhos, comigo mesmo. Reconheço todos os cantos e logo percebo as diferenças entre um beija-flor e um corvo, por exemplo.
Ema, avestruz e emu, sou exímio nesses animais. São todos parentes do canguru, segundo a informação que consta no passaporte.
Conheço também todos os tipos de papagaios, aquele de bico comprido, o que grita que está arara com o vizinho, e muitos mais.

Uma coisa que logo vi na entrada, muito bonitinhas são as artes modernas, esculturas de animais, como lesma, formigas, jabuti, tatu, gafanhoto, borboleta, cegonha, todos feitos com molas, canos e peças de automóveis. Sem dúvida muito mais interessante do que a “ártchi mudérna” que vi em Inhotim.

O restaurante é muito bom.

Se você pensa em visitar Inhotim, aproveite e passe também algumas horas no Vale Verde.
Um ótimo lugar para se arejar a cabeça.

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