Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘BandNews’

Bondes e Uber

Ontem, ouvindo a BandNews Fluminense, um professor de História contou que quando ocorreu a inauguração, no Rio, dos bondes puxados por burros, o “sindicato” dos donos de carruagens e tílburis veio com uma papelada para impedir a viagem.
Pedro II, que ia viajar no bonde, simplesmente pegou os papéis, pôs no bolso do casaco, e literalmente mandou tocar o bonde.
Hoje em dia nossos governantes colocam outras coisas em seus bolsos (meias, cuecas, …), e além de colocarem também outras coisas em nós, pagadores de impostos.
Maldita quartelada de 1889.

Ah, o professor também contou que os bondes eram americanos, e os burros vinham de Sorocaba, pois os burros cariocas eram preguiçosos demais para puxar a máquina.

Mais tarde, quando os burros começaram a ser substituídos por bondes elétricos, houve de novo protestos, inclusive com Machado de Assis do lado dos que queriam a manutenção dos animais na frente e dentro dos veículos.

Qualquer semelhança com a briga Uber e táxis, hoje em dia, não é mera coincidência.

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Patrocinadores versus televisão

Por falar em atletas patrocinados pelo Exército Brasileiro, há uns dias, o hiper-chato Milton Neves fez no rádio um comentário muito pertinente (algo que lhe é muito raro).

Patrocinar atletas brasileiros é brigar com as televisões, pois quando os mostram a câmera enfoca apenas o rosto, para impedir que os espectadores vejam as marcas dos patrocinadores nas roupas.

Nada como trabalhar CONTRA o patrocínio, por conta da “isenção” mercadológica dessas empresas de “comunicação social”.

Locador e locatário

Nestes últimos dias, ouvi em diferentes estações de rádio, jornalistas dizerem “locatário” para o proprietário que aluga um bem, e “locador” para o inquilino.

EXISTEM DICIONÁRIOS, senhores “geornallyhztas”. Eles podem ser usados sem medo. Aliás, devem ser usados.

Vou reproduzir o que consta o Caldas Aulete on-line:

(lo.ca..ri:o) sm.
1. Pessoa que toma alguma coisa (imóvel, carro, equipamento etc.) de aluguel ou contrata a prestação de um serviço e paga ao locador pela coisa alugada ou serviço prestado; ARRENDATÁRIO; INQUILINO: Cobra-se do locatário um adicional para entrega do veículo em outra cidade
[F.: Do lat. tard. locatarius, a, um.]
Read more: http://www.aulete.com.br/locat%C3%A1rio#ixzz3TiKYPyuf

(lo.ca.dor) [ô] sm.
1. Pessoa que, em um contrato de locação, se compromete a ceder o direito de uso de algo (um imóvel, um carro etc.) ou prestar um serviço
[F.: Do lat. locator, oris.]
Read more: http://www.aulete.com.br/locador#ixzz3TiKjU9Zl

Houaiss diz:

locador
1. que ou aquele que cede a outrem (o locatário) o uso e gozo de bem móvel ou imóvel, num contrato de locação
2. que ou aquele que presta serviços a outrem, num contrato de locação de serviços
sinônimo na acepção, como substantivo, senhorio

locatário
indivíduo que recebe de outrem ( o locador) uma coisa ou um serviço, mediante um contrato de locação, obrigando-se a pagar por isso o preços ajustado; inquilino, arrendatário

locadora
empresa que agencia aluguéis de carros, fitas de vídeos, etc..

Bem, nota-se que certos jornalistas nunca alugaram veículos ou fitas de vídeo, para saberem a diferença.
Pior ainda, as tais “fakús” não se preocupam em mostrar aos “bacharéis em kumunikassaum çossiáu” que é imprescindível conhecer a língua em que se expressam. Muito mais necessário do que doutrinas políticas do coitadismo.

imprensa cabecinha de alfinete

Mais uma vez os jornalistas demonstram que têm uma cabecinha do tamanho de um alfinete, onde não cabem novas informações para poderem de-formar adequadamente os leitores/ouvintes/telespectadores.

Por mais que os juristas expliquem, em programas, entrevistas e artigos, jornalistas repetem que será pedida a “deportação” de Cesare Batistti, pois foram incapazes de entender o significado de expulsão de um estrangeiro, e qual a diferença entre os dois procedimentos do Direito.

Esse “quarto” poder podia ser arrumado.

a enpreimça

A respeito de uma matéria ápode e acéfala, publicada em certo pasquim brazuca, uma amiga me escreveu:

Eu não condeno os jornalistazinhos – condeno o f.d.p. do editor que deixa publicar uma merda dessas!

Ela tem razão. Existe um jornal que quer a todo custo (sem qualquer custo) ressuscitar o antigo Notícias Populares. Bem, na verdade, nunca deixou de existir, pois é a mesma redação de sempre. Aquel’outro, da Baía de Guanabara, tem a mesma política. Nem o vetusto jornal da Marginal do Tietê consegue deixar de lado o sensacionalismo. Nos pagos do Sul, o geocentrismo e a xenofobia são a única razão de existir aquele jornal da Meia Noite. Aqui em brazylha, o principal jornal fala de “escândalos” mas nunca conseguiu explicar os muitos metros quadrados que recebeu de mão beijada do presidente bossa-nova, para falar bem de sua questionável gestão.

Durante minha viagem, evitei jornais “nacionais”. Ative-me apenas aos locais, de cidades médias do Paraná e de São Paulo.

Sabem o que? Era melhor do que a chamada “grande enpreimça”. Falam de fatos da região e, no que se trata de notícias internacionais, apenas colocam o que foi expedido pelas agências de notícias, sem comentaristas palpiteiros que querem “interpretar” os fatos, com suas visões estrábicas.

Há algum tempo deixei de ouvir aquelas duas estações de rádio que só “trocam” notícias. Isso teve em mim um efeito tranqüilizador. Não me irritei mais com o amontoado de sandices que “especialistas” diziam a cada minuto, sem qualquer pesquisa prévia sobre o que comentavam.

O pior é que, como afirmou minha amiga, a culpa é dos editores, os mesmos que dão aulas nas Fakú, e que despejam no mercado de trabalho profissionais semi-analfabetos e arrogantes, mas servis aos interesses da empresa que lhes dá trabalho e salário.

No Brasil, temos visto uma profusão de matérias encomendadas por anunciantes, falando do “excelente período da construção civil”. Entrevistas com donos de empreiteiras e com corretores de imóveis. Nunca com adquirentes frustrados. Tudo para dar um ar de mundo rosado para a quebradeira que se segue a um “boom”.

Não é muito diferente em outros países. O Guardião dos cinicatos ingleses posa de vestal, mas evita admitir que está a serviço de certos grupos. A Onda Alemã (versão em português) parece ser editada por algum afiliado do Arbeiterpartei (tanto faz se daqui ou de lá – direita e esquerda já se encontraram há muito tempo no mundo redondo) .  Franceses e espanhóis preocupam-se acima de tudo com a vida do “jet set”, como se fossem “caras” diários.

Pergunto-me se sempre terá sido assim que se comportaram os grandes jornais? Ou é falta de tempo dos empresários que têm de contar o dinheiro dos anunciantes? Os jornalistazinhos, sei bem, estão ocupados com seus esmalte-fones, trocando textos e fotos nas comunidades sociais, até o dia em que ficarem corcundas.

Ônibus

A prefeitura de São Paulo tem implantado novas faixas exclusivas de ônibus, que têm provocado muitos congestionamentos nas vias reservadas para os veículos particulares.

Prefeituras e governos estaduais e federal, de repente, descobriram que o transporte coletivo é precário em todos os seus aspectos. Começa pelos processos licitatórios de concessão de linhas, estende-se nos trajetos nem sempre lógicos, inclui os veículos sem conservação, os motoristas despreparados, e, pior de tudo, a freqüência insuficiente para atender a demanda, com evidente desrespeito aos intervalos que deveriam ocorrer entre um veículo e o seguinte.

Não obstante, vários veículos de imprensa têm feito elogios à “nova politica” da prefeitura. Vi pelo menos duas pesquisas feitas por repórteres, falando das “vantagens” do ônibus na faixa exclusiva contra os automóveis particulares.

Na pesquisa da Bandnews que ouvi, as duas repórteres chegaram ao destino com a “impressionante” diferença de 4 minutos! Na matéria do Estadão, a diferença foi maior.

A pequeníssima seriedade dessas pesquisas, é que os meios de imprensa calculam o tempo gasto com as viagens a partir do mesmo instante, sem levar em consideração que o passageiro do ônibus teve de esperar muito tempo pela condução no ponto,
contam a partida ao mesmo tempo,
sem levar em consideração o tempo que o “buseiro” perdeu esperando a condução no ponto, enquanto que o usuário do automóvel deu a partida e iniciou a viagem.

Não levam em conta, muito menos, a “hipótese” (eu disse apenas hipótese) de que o cidadão espere um tempão pelo busum, e a máquina chegue tão lotada que ele não possa entrar no coletivo. (O que dizer então a respeito dos vagões de trens e de metrôs?)

Um amigo me lembrou, ainda, que não contabiliza o tempo que o passageiro do ônibus teve de caminhar, de sua casa ou local de trabalho, até a parada de ônibus mais próxima.

Nada disso, porém, parece interessar aos hipócritas que agora resolveram aderir à preocupação com a “mobilidade urbana”. Mobilidade esta que depende em grande parte dos pés dos cidadãos.

Faixa exclusiva para ônibus, sem ônibus, é coisa de demagogos.

Não estou a defender o uso do transporte individual. Meu sonho seria dispensar o uso do carro. Minha maior crítica a Brasília, essa cidadezinha abominável projetada por arquitetos, é que ou se usa o carro para tudo, ou não se faz nada, pois todas as distâncias são impraticáveis para alguém que goste de uma caminhada. Distâncias que inclusive são incompatíveis para a tão badalada prática do ciclismo como meio de transporte. Esse serve certamente para meia dúzia de burguesinhos que trabalham mais ou menos perto do local de trabalho, mas não para quem precisa fazer deslocamentos de 30 ou 60 km, em cada sentido, para ir de casa ao local de trabalho, isso quando não necessita, ainda, acrescentar outras atividades como a escola ou a necessidade de comércio, durante o dia a dia. Na verdade, as ciclovias são apenas áreas de lazer para esses burguesinhos que durante a semana se deslocam em espaçosos SUVs, instaladas em calçadas que agora dividem espaço entre pedestres e ciclistas.

O transporte coletivo sempre foi ruim, e desprezado pelos políticos, mas, desde que recebeu o nomezinho de “mobilidade urbana”, virou algo com menos respeito a quem dele precisa.

Repito: faixa exclusiva para ônibus, sem ônibus, é coisa de demagogos, nada mais.

us jeniu da enpreimça

Eu queria continuar a escrever sobre as constituições, mas tenho de interromper a seqüência, dados dois absurdos (abeçurdos) da enpreimça com que me deparei hoje.

Em uma estação de rádio, o locutor (formado em comunicação social, como costumam ser os tais jornalistas hodiernamente) disse, e repetiu, que o CADE iria investigar a QUARTELIZAÇÃO em determinada licitação.

Em um jornal, encontrei pronome oblíquo iniciando o título de uma matéria.

Axo qi he ora di têrmus menaziskola, pruqe du geito qi çai êçi jeniu da enpreimça tá defissiu. 

Pior, são todos cheios de mimimi e logo ficam ofendidozinhos se apontamos os erros de conteúdo e de forma nas matérias com que deformam a opinião pública.

Com ou sem título universitário, a tal enpreimça jóvi tem atuado como notável desserviço ao desenvolvimento do país.

Se as escolas não ensinam, um pouco de leitura seria aconselhável para quem deseja trabalhar com palavras. E pensar que esses jornalistas têm o mesmo título profissional que Machado de Assis…

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