Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘Barbara Gancia’

Biografias

Não sou muito chegado a ler ou ouvir Barbara Gancia. O que ela escreveu na Folha, chamado gente hipócrita, a respeito dessa polêmica de biografias, de direitos autorais e coisas do gênero, porém, coincide em boa parte com o que eu penso.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/barbaragancia/2013/10/1354924-gente-hipocrita.shtml

Para que quero ler a biografia de Careta no Velório? Ou de Chegô di Barco da Holanda? de Gari berto Vil? Tô perto calos? Quando estou com rádio ligado, não são poucas as vezes em que troco de estação no mesmo instante em que suas vozes desafinadas começam a invadir meus ouvidos. Bons letristas, em alguns casos, mas muito melhor se interpretados por cantores de verdade. Por outro lado, músicos na maioria das vezes medíocres, repetitivos, chatos mesmos. Cantores?, nem dando crédito aos chuveiros. Pior ainda quando querem dar os agudozinhos de falsetes.

As vidas dessas pessoas todas são objeto de tudo quanto é “caderno de cultura e fofocas” dos jornais mais variados do país. Nada contribuem para a qualificação do pensamento da população – chavões superados há décadas, e mais do que isso totalmente incoerentes com a vidona grande burguesa que vivem. Esquerda caviar do pior tipo.

Eles e todos os outros que fazem essa campanha contra as biografias não autorizadas pelos biografados.

Por sua vez, há “biógrafos” que são mais chatos do que os biografados.
Uma vez ganhei o livro “Garrincha”, e quem mo deu disse: li e não gostei.
Não terminei de ler e dei-o, também. Quem o recebeu tampouco gostou do livro.
A vida de Mané era bem menos interessante do que o jogador em campo.
Igualzinho a um certo “rei”, que dizem ser um poeta quando fica de boca fechada.
A biografia dessas pessoas pouco ou nada contribui para alguma coisa em nossas vidas. Igualzinho à falsa história de um ex-presidente, que foi retratada em um filme. Aproveita-se algo da óbvia propaganda política?

Lógico que os “biógrafos” reclamam, pois perdem o filão de ouro de seus aborrecidos livros oferecidos a curiosos que não gostam de se aprofundar, mas apenas conhecer algumas pinceladas daqui e uns retoques dali.

Essas biografias são iguais a projetos de vereadores (e deputados) para dar nomes de ruas ou de aeroportos a um ou a outro defunto do momento.
Que tal deixarmos os corpos apodrecerem por uns cinqüenta anos, para depois se fazer uma avaliação, de cabeça fria, sobre a importância ou não de registrar a vida dessas pessoas na História e na Literatura, com letras maiúsculas.

Que tal deixarmos empoeirados nas livrarias essa sub-literatura que insistem em nos empurrar, chamada “biografia”. O tempo é o senhor da razão. O tempo serve para  avaliarmos quem merece que suas vidas sejam de nós conhecidas.

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A tal mobilidade

Engraçado, mas desde que os politicamente corretos inventaram o termo “mobilidade urbana”, em lugar de se usar o bom e velho “transporte coletivo”, as coisas só têm piorado.

Mobilidade urbana (termo usado até nas problemáticas Alemanha e Suécia, que não conseguiram inserir os imigrantes que receberam por “bondade dos generosos corações sociais-democratas”) inclui pernas e coxas.
Ou seja, quem anda a pé ou de báiqui, magrela, camelo e velotrol, são todos incluídos na mobilidade.
Deixa de ser um assunto de competência municipal, para se tornar um tema que “pode ser resolvido” pela iniciativa individual.

Agora, alguém explica por que os manifestantes “pela mobilidade” no Brasil depredam os próprios ônibus? E as lojas, o que têm a ver com o assunto das tarifas? Os caixas automáticos de bancos? Os metrôs não servem para nada? Os jornaleiros sofrem muito mais com a depredação das bancas, do que os jornalistas, “eternas vítimas”, que vão aos pináculos dos 15 minutos de fama.

Aliás, você já ouviu falar de alguma cidade onde o “passe seja livre”? Onde o transporte coletivo seja gratuito? Só mesmo quando se trata da amaldiçoada “mobilidade pernal”, e mesmo esta consome calorias. Como comentou Barbara Gancia, na semana passada, o transporte é gratuito na Israel idílica de Ben Gurion, ou em algum país escandinavo? Havia passe livre na Alemanha Oriental de Erich Honecker?

Bem que o hiper-liberal e democrático Oba-obaminha podia bisbilhotar as redes sociais, para tentar explicar quais as intenções dos manifestantes tupiniquins. Algo está escondido por detrás desse rastrilho de pólvora que tomou conta das cidades brasileiras. Sinceramente, não acredito no “desejo da juventude de mudar” o estado de coisas. Não os vejo brigando por melhores escolas e por professores mais qualificados, por hospitais com atendimento eficaz, pela prisão – e permanência na prisão – de bandidos notórios e julgados.  Mudar o que?

A “puliça” é cruel e despreparada. Não questiono. Por isso mesmo é polícia, aqui, em Londres ou em Pequim. Os vândalos daqui, porém, não são melhores.

Piores são nossos inúmeros juízes que concedem liminares a empresários que há décadas exploram (literalmente) o transporte coletivo, mesmo que, muitas vezes, nunca tenham participado de licitações. Contra isso não ouvi falar de protestos… nem o famoso “jus sperneandi”.

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