Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘brincadeira’

automóveis, velocidade e imagens

Há uns dias, quando uma fulana morreu porque perdeu o controle do carro que estava a 170km/h, para ela tirar foto do velocímetro e “compartilhá-la com amigos”, pensei no exagero das máquinas velozes.

Daí, neste fim de semana, morreu o ator de “Velozes e Furiosos”, e o Leonardo Sakamoto (de quem discordo de 850% do que em geral ele escreve) fez um artigo sobre o assunto Quantas pessoas já morreram no volante querendo ser Paul Walker?  
Sakamoto escreveu, em um trecho:

Quantos morreram querendo ser Paul Walker ou Vin Diesel? Ou quantos que simplesmente caminhavam no local errado e na hora errada perderam a vida por consequência de rachas inspirados nos valores passados por filmes de corridas de rua?

Recebeu uma enxurrada de respostas negativas de seus leitores.

Eu estava porém observando os anúncios de automóveis na televisão (que só assisto quando viajo).
Há algum tempo que essas propagandas tratam os automóveis como máquinas de diversão ou de violência, e os passageiros como robôs em busca de adrenalina. APESAR da frase com letrinhas miúdas feito artigo de contrato:

Não exceda os limites de velocidade.

A máquina é feita e anunciada para ser o deus de metal que manda nos robóticos çerizumanu.
Anúncios inverossímeis como o carro cair de um despenhadeiro e continuar sem um amassado.
Propagandas como a de um guindastezão pegar o carro (com pessoas) como se fosse um brinquedo de carrossel.
Um outro filme sugere que o automóvel marron seja roubado.

Não vou dizer que os filmes sejam a causa de tantos imbecis soltos nas ruas.
Nem as propagandas idiotas.
Imagens, porém, causam reações mais fortes nas pessoas (mesmo que irreais e inverossímeis) do que letras.

Não sei nem onde quero chegar, depois que comecei a escrever este post. Sei, porém, que algo de errado existe na utilização dos automóveis como brinquedos à disposição de “jovens” irresponsáveis, que só pensam em “curtir a vida”. Dirigir um veículo não é uma brincadeira ou um joguinho.

Bem melhor seria se, como ocorre com estações de rádio de outros países, fossem repetidas trocentas nonilhões de vezes que as pessoas não devem usar o telefone celular enquanto dirigem, nem assumir o volante de um carro drogados (seja lá qual for o tipo de droga). Ouço esses alertas em quase todas as estações de rádio via internet que ouço aleatòriamente. No Brasil, nada.

Ah, lembrei, há uma jornalista que não gosta de campanhas educativas sobre trânsito. Talvez ela seja mais poderosa do que eu pensava.

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Museu da Aviação TAM

Em São Carlos, cidade tecnológica, sede da UFSCar e da USP-SC, há um museu da aviação, mantido pela TAM.

A visita leva um pouco mais de uma hora e meia.
Um baratão.
Temos de ir a um guichê para tirar os bilhetes, despachar a bagagem, passar pelos controles no outro prédio, e embarcar no passeio.

Tem a história das asas derretidas do Ícaro, o pára-quedas e o helicóptero do Leonardo Da Vinci, os balões do Bartolomeu de Gusmão, conta a história dos Irmãos Wright e a de Santos-Dumont. Nesse caso, a monitora diz para a gente escolher qual história prefere.

Réplica dos dirigíveis e dos aviões do Petit-Santôs, e conta a história de outros dirigíveis, como o Hindenburg.

Um monte de aviões DE VERDADE.
O mais velho, de 1928, ainda “avôa qui nem carcará”.
No repertório das peças originais do Museu está o hidroavião Jahú, que em 1927 sobrevoou o Atlântico, apesar das sabotagens que fizeram os amigos do comandante João Ribeiro de Barros.
Muitos aviões originais, da II Guerra Mundial – japoneses, americanos, franceses, brasileiros.
Como eram os kamikazes, os sinais para o pouso em um porta-aviões, as metralhadoras que tiveram de ser aperfeiçoadas para não furar a própria hélice do avião.

Avião original de uma pilota que voou pela América inteira (Norte-Sul-Leste-Oeste), e ia colhendo assinaturas na fuselagem, feito gesso em perna quebrada.
Avião original de uma dupla de brasileiros que caiu na Chiquitania (Bolivia, para quem não sabe), e eles morreram de fome e sede, no meio daquele lugar abandonado até pela natureza.
A história do Enola Gay, o avião do qual se lançou a bomba atômica que destruiu Hiroxima.

Um monte de aviões pequetitinhos e grandotes da própria TAM (inclusive aqueles Fokker 100 que fizeram sucesso no fim do século passado).

Um legítimo Constelation da PanAir.

As roupas das aero-moças de sei lá quantas empresas.

A oficina de manutenção da própria TAM, onde o avião presidencial brasileiro também já ficou para reparos.

Uma lojinha para os marmanjos se encherem de bugingangas, do tipo aeromodelismo, miniaturas, quebra-cabeças, coletes, camisetas, etc. e tal.
Alguns visitantes talvez preferissem comprar metralhadoras.

Um passeio bem interessante.
Acho que as pessoas podem aproveitar uma viagem ao interior paulista e conhecer esse museu.

E a BBC ainda tem a coragem de dizer que a aposentadoria causa depressão. Sei… Eu que o diga.
Matéria paga pelos governos para não deixarem os pais pararem de trabalhar enquanto os filhos ficam na vagabundagem.

Vale Verde

Eu não tinha a menor idéia, mas a melhor cachaça do Brasil é uma tal de Vale Verde (segundo a revista pleibói).
O alambique fique no bairro de Vianópolis, em Betim (a cidade da FIAT).

No Vale Verde, há um parque ecológico, voltado, naturalmente, para crianças, já que se trata de cachaça.

Muitos brinquedos, um mini-zoológico, e aulas de ecologia para a molecadinha.
Ecologia, melhor dizendo, biologia.
Explicar a diferença entre tartaruga, cágado e jabuti, por exemplo.
Sabe por que esses quelônios e o caracol andam tão devagarinho?
Pela mesma razão que as mulheres que andam com bolsas muito carregadas, e os aborrescentes que saem com toda a casa na mochila, também não têm muita agilidade para caminhar. É simplesmente muita tralha para levar.

No parque há um insetário, um reptiário, um berçário.
Uma horta “orgânica“.

Há um labirinto de verdade (de pedra). Crianças pequenas que lá se perdem são servidas para a águia harpia.
Perto, um conjunto de ocas de palha, mais autêntica do que um motel com formato de tendas que eu conheci na África do Sul.
Por ali, uma vila de gnomos, e uma porção de bichinhos que olharam para os olhos da Medusa e se transformaram em pedra.
Mais aquelas coisas do tipo tirolesa, passeio de pônei, charrete, pedalinho, water ball, e outras atrações “animal, véi”.

Não sei se vocês sabem, mas sou um especialista em aves.
Identifico muito bem os patos, e todos os seus parentes, aquele de pescoço torto, o de rabo colorido, o que se come no natal.
Passarinhos, comigo mesmo. Reconheço todos os cantos e logo percebo as diferenças entre um beija-flor e um corvo, por exemplo.
Ema, avestruz e emu, sou exímio nesses animais. São todos parentes do canguru, segundo a informação que consta no passaporte.
Conheço também todos os tipos de papagaios, aquele de bico comprido, o que grita que está arara com o vizinho, e muitos mais.

Uma coisa que logo vi na entrada, muito bonitinhas são as artes modernas, esculturas de animais, como lesma, formigas, jabuti, tatu, gafanhoto, borboleta, cegonha, todos feitos com molas, canos e peças de automóveis. Sem dúvida muito mais interessante do que a “ártchi mudérna” que vi em Inhotim.

O restaurante é muito bom.

Se você pensa em visitar Inhotim, aproveite e passe também algumas horas no Vale Verde.
Um ótimo lugar para se arejar a cabeça.

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