Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

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Lobby

“O problema não é ter essa orientação [homossexual]. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas invejosas, lobbies políticos, lobbies maçons, tantos lobbies. Esse é o pior problema”, disse. o Papa Francisco.

Temos o lobby dos ecochatos, o lobby LGBTWKYÇRSSPQTP (era mais fácil quando a sigla apenas era GLS), o lobby das armas (nos Estados Unidos) e o lobby do desarmamento (promovido pelo crime organizado), o lobby dos evangélicos, o lobby das feministas, o lobby dos que passeiam de bicicletas nos finais de semana, o lobby dos caminhoneiros, etc..

Os lobbies não são uma força da democracia. Ao contrário, são uma tentativa de minorias imporem seu pensamento sobre a maioria. Nada mais autoritário…

Dizem que a origem da palavra remete-nos aos lobbies dos hotéis. Saguões, halls, onde os políticos eram procurados por grupos de pressão. Muita vezes, porém, a impressão que temos é de que a palavra remonta à lobotomia.

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Çumpaulo

Vortei di çumpaulo onti, na óra du armoço.
A impressão que tive foi a mesma de sempre. Que lugarzim chinfrim…
Lógico que há sinais di pogréçio. Nas duas pontas da Avenida Pólista há lojas Marisa, a grande griffe das mulheres brasileiras que se vestem como Marisa Letícia.

Mas foi uma das vezes em que mais pude observar a presença exagerada de moradores de rua.
Em todos os bairros que percorri.

Fui à feira que um dia foi japonesa, na Liberdade.
Hoje em dia, além de não ter quase movimento de público, é tomada por bolivianos nos arredores. Muitos dos zoins puxados são aymaras e quechuas, mais que japoneses, coreanos ou chineses. Embora, é claro, os asiáticos estejam lá para justificar a existência da feira. Sem esquecer, é claro, as incontáveis denúncias de bolivianos que trabalham em regime de trabalho escravo nas confecções de orientais.
E vejam que eu não fui à feira dos bolivianos, no Pari.

Fui à Praça da Sé. Quando eu era criança me sentia impressionado com ela.
Olhei para aqueles predinhos furrecas, da primeira metade do século XX e não vi graça alguma.
Aquelas palmeiras pareceram tão tacanhas.
E a própria igreja precisa crescer mais uns 50 metros, para virar uma igreja neogótica que se preze.

Percorri o Elevado Presidente Costa e Silva, presente do querido prefeito Paulo Salim Maluf à cidade.
De certa forma, o minhocão ajuda a disfarçar a feiúra da região.
Dele pude ver como estão sujos, velhos e mal cuidados dois cartões postais da cidade: o Copan e o Edifício Itália.

Os xópins sempre com a mesma cara e com as mesma lojas, em todos os lugares do braziu. Mas alguns estão piorados.
Evidente que não fui ao iguatemico jotakara, nem ao garden city, nem à dasputa, com suas lojas especiais, que em um futuro não muito distante irão embora do país, tal como a Harrod’s abandonou Buenos Aires (ou Botucatu, no bom nheengatu).

E o lixo? Ah, o lixo, essa obra quase divina que a evolução tecnológica criou. Todos os dias passava por um bueiro e via que o lixo de garrafas pet, e de coisas semelhantes, era novo. Tinham recolhido o lixo do dia anterior, mas de manhã uma nova safra de lixo estava lá, obstruindo o bueiro.
Curioso, mas fizeram campanha contra as sacolas plásticas, e não fazem contra a maior porcaria das últimas décadas: a garrafa pet. Aliás, o que a coca-cola quiser sempre será ordem. Beber água “mineral”, “sucos” e refrigerantes nas ruas, para “se hidratar”, quase tudo do mesmo fabricante. No meu tempo de criança bebíamos água em copos de vidro, em casa ou na escola, e ninguém ficava desidratado, como esses porcos que carregam suas garrafinhas em bolsas e sacolas sujas, e depois levam à boca as embalagens, com as mãos sujas de quem está na rua há muito tempo. Saudável?

Pelas distâncias percorridas, acho os táxis muito caros. Em brazylha, com bandeira 2, do aeroporto até meu apartamento, são 18 km e R$ 43,00. Em çumpaulo, os 9 km do hotel até cãogonhas custaram R$ 35,00, com bandeira 1. Uma outra corrida, com bandeira 1, de 13 km, custou R$ 45,00.

Os metrôs estão mais cheios, naturalmente. Novas linhas e mais integração, com a mesma quantidade de trens, formam uma equação facilmente percebida.
Alguém me disse que pensam em colocar linhas de ônibus para complementar, na superfície, a demanda que os trens não podem mais atender. Planejamento às avessas.

Mas há uma coisa que, de novo, me agradou: comer PF em botecos. Ainda são uma boa opção, para fugir dos restaurantes de “executivos”.

Lógico que vi os engajados bicicleteiros, fazendo suas manobras erradas nas ruas, sem respeitar pedestres, e querendo respeito de carros e ônibus. Essa gente é tão fofinha e arrogante, sobretudo quando passeiam nos domingos. Por que não vão de casa em São Miguel ao trabalho na Oscar Freire de bicicleta? Ou de Perus ao Paraíso. Seria uma opção tão mais ecológica… Sem contar que ficariam com lindas coxas e maravilhosas lesões nos joelhos.

Conversei com vários arquichatos. Gente ligada à construção, ao patrimônio, ao paisagismo ou à docência. Todos eles concordam que çumpaulo é muito feia, muito sem estilo. Poderia ter dúzias de prédios inovadores, e no entanto submete-se apenas à fabricação de caixotes nas ruas.
No domingo de manhã, estive na Pólista, e observei: que ruazinha mequetrefe. A Avenida Ditador Getúlio Vargas, no Rio, do alto de sua pobreza, é muito mais imponente.

Ah, e falando em breguice, pude ver que a população sabe cantar direitinho essas coisas do sertanojo, exportada do interior do Paraná e de Goiás para o resto do braziu. Eu, que moro aqui no cerrado, não conheço essas coisas, mas os pólistanos sabem de cor a letra desses trecos.
Viva a curtura eclética!

Sei lá, se esse é o coração do braziu, acho que o país precisa urgentemente de um cateterismo.

Mas tenho de reconhecer que as pessoas estão muito menos aggressivas do que eram antes. Parece que o nível de stress foi compensado pelo conformismo de que não há muitos jeitos para se escapar de ser engolido pela cidade.
Se bem que, uma cidade onde há uma média de 10 assassinatos por noite, não pode deixar de ser agressiva.

Uma coisa que se observa, quando se sobrevoa a cidade, é que ela não tem áreas verdes que sejam dignas de nota. Exceto pelo Parque do Estado, tudo é pequeno demais para a escala da cidade. O Ibirapuera (o parque da madeira podre) nem se nota, quando se olha de um avião.

Algumas coisas, porém, poderiam ser feitas para melhorar:
derrubar aquela geringonça de cãogonhas, e fazer lá um parque, sem shoppings, sem prédios, sem nada. Só um imenso gramado arborizado para se namorar de mãos dadas e fazer piqueniques. O mesmo valeria para o cãopo de marte – terminar com o pouso dos tecos-tecos, transferindo-os, sei lá, para Atibaia ou Belo Horizonte, e transformar tudo aquilo em um parque.
Os vôos domésticos seriam transferidos para cãobica, em barulhos, aquela garagem de onde saem vôos internacionais hoje em dia.
Cãopinas seria ampliado à décima-oitava potência, e serviria para os vôos internacionais com destinos ao norte da América do Çul e à América do Norte.
Soroacabou ganharia um aeroporto internacional, mais ou menos do tamanho de Frankfurt ou Amsterdam, que serviria os países do Cor-no Çul, a Zoropa e a África austral.
Tudo ligado por trens de alta velocidade.
Que sonho tolo. Imaginem se alguém vai se empenhar em melhorar a maior cidade do país…
Melhor fazer diaporamas de exaltação a lojas de automóveis importados, com zilhões de informações erradas, ou melhor, com muitas deformações.

de novo as bicicletas – parte 2

No mesmo dia em que o Fabiano (pseudônimo  “bicicletanarua”) tentou escrever um comentário em inglês no post de novo as bicicletas, surgiu uma notícia sobre a suspensão de quatro ciclistas atletas (não cicloativistas chatos, como amigos do Fabiano), por doping.

Os ciclistas brasileiros Alex Diniz, Alcides Vieira, Cleberson Webber e Alex Arseno foram suspensos por dois anos, nesta sexta-feira, pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). Todos foram flagrados no exame antidoping por uso da substância proibida eritropoietina (EPO).

Alex Diniz, Alcides Vieira, Cleberson Webber foram flagrados em exame realizado em abril, durante a Volta de Santa Catarina (grifo meu). E Alex Arseno testou positivo em junho, na disputa da Volta Ciclística do Paraná. Os quatro atletas abriram mão de apresentar suas defesas à CBC.

Pois é, eu que cheguei a pensar que os ciclistas fossem pessoas saudáveis. Não, são drogados como outros atletas. Pensam no dinheiro que vão ganhar nas competições e dos patrocinadores.

Tudo por dinheiro.

E fingem, com os cicloativistas, que estão preocupados com o ambiente, com a saúde da população, e que querem melhorar as cidades.

de novo as bicicletas

Um amigo veio me questionar sobre minha bronca com as bicicletas, e os cicloativistas.

Não  tenho bronca de bicicletas, mas dos cicloativistas (palavra ridícula), SIM.

Seria muito mais útil que esses seres, esportistas de fim-de-semana, sem chuva, participassem de projetos de cobrança para a modernização e a ampliação dos transportes coletivos no Brasil. Isso sim seria algo relevante. Não ficar a pedir ciclovias nas grandes cidades para eles pedalarem nos finais de semana, apenas para enrijecerem aquelas coxas magrelas.  Ou, pior ainda, para sentirem o prazer de ter algo duro no meio das pernas, como já ouvi dizer.

Engravatado não vai trabalhar de bicicleta, nem de “bike“, essa palavra ridícula que a classe mérdia gosta de dizer. (Por que não “vélo“, em francês, já que existe a palavra velódromo em nossa língua? Franceses são muito mais bicicleteiros do que os gringos, além do mais. Americanos gostam é de caminhonetes gigantescas.)

Se os cicloativistas fizessem manifestações para a extensão / implantação das redes de metrô / trens nas cidades brasileiras, seria muito mais coerente. Pedir ônibus integrados e, conseqüentemente, mais baratos.

Mas qual a coerência que se pode pedir de um ativista que fala de transporte, quando ele defende o meio de transporte mais individualista que já foi inventado? Até as motos são mais solidárias do que as “românticas” bicicletas,que não sobem as ladeiras de Salvador, os morros do Rio, as pirambeiras de Belzonte, nem percorrem os 40 km que separam as cidades onde moram os moradores do DF do centro de Brasília.

Um amigo meu, cicloativista, budista, me comentou que não pode visitar o cemitério budista em Itapecerica da Serra, Kinkakuji, pois não tem carro, e não dá para ir de bicicleta. Pois é, se houvesse trem para lá, como ocorre no sistema de transporte coletivo europeu, no qual as bicicletas são complementos, ele não teria dificuldades para isso.

Bicicletas no transporte de massas

Hoje de manhã eu ouvi uma parte de programa da CBN Brasília, e falaram primeiro sobre a instalação de centros de treinamento para os ciclistas, em todas as regiões administrativas do DF (são umas 30), e depois sobre a construção de 200 e tantos quilômetros de ciclovias.

Acho a primeira iniciativa muito importante, pois realmente muitos dos ciclistas não sabem, até hoje, que eles têm de conduzir seus veículos com determinadas regras de utilização, seja de circulação na via, seja do próprio uso dos equipamentos da bicicleta e do condutor (luzes, capacete, etc..), e eles mesmos são, por despreparo, os causadores de muitos dos acidentes que lamentavelmente ocorrem por todo o país.

Mas quanto à construção de centenas de quilômetros de ciclovias, calma lá!
É um erro ao pensar na bicicleta como meio de transporte exclusivo.
Na Europa, os bicicletários existem para guardar as bicicletas em estações de trens, bondes e metrôs, pois ninguém é obrigado a pedalar por mais de 4 km.

Dessa forma, não há obrigação de centenas de quilômetros de ciclovias exclusivas.
Além disso, ao contrário do que disse na entrevista o presidente da ONG Rodas da Paz, durante o programa que ouvi, em muitas cidades bicicletas e pedestres convivem MUITO BEM nas mesmas calçadas, delimitadas apenas por faixas pintadas no chão. Berlim e Amsterdam são exemplos de grandes cidades onde isso ocorre.

Por isso, não há necessidades de projetos faraônicos para a construção de pistas exclusivas para bicicletas. Em primeiro lugar porque ninguém deverá pedalar por 25 km para ir ao trabalho (como imaginam muitos paulistas, quando questionam porque não se utiliza bicicleta para ir de uma cidade para outra, no DF), já que o transporte de massa deverá recolher ao longo de todo o percurso os usuários desse meio de transporte individual.
E depois, porque a eterna mania brasileira dos elefantes brancos já está na hora de ser superada, antes que, como disse o apresentador, o governo comece a planejar rede de 500 km de ciclovias, excelente para um bom desviozinho de verbas, quando em MUITAS quadras do Plano Piloto sequer existem ainda calçadas para os pedestres, que são obrigados a caminhar pelo asfalto das ruas.

Repito: primeiro precisamos de um sistema de transporte coletivo DECENTE, com sistema integrado de metrô, ônibus e bonde (hoje em dia apelidado de veículo leve sobre trilhos), com locais para a guarda de bicicletas, o resto é detalhe.

Isso vale para praticamente todas as grandes cidades do Brasil, cada uma com suas adaptações de acordo com o volume de passageiros, com a topografia, e aspectos econômicos.

Falar das bicicletas como solução natural, apenas porque não poluem, é tentar esconder o sol com peneira, para omitir a administração pública dos encargos que nunca assumiu com relação ao planejamento de transporte de massa.

Ciclistas (e pedestres)

Em um dia foi uma ciclista de 40 anos que morreu atropelada, na faixa exclusiva de ônibus da Avenida Paulista. No dia seguinte, foi um ciclista de 15 anos que morreu atropelado em Botafogo, no Rio. No DF, não sei quantos ciclistas morreram atropelados em 2008 – MUITOS, que tentaram aproveitar a topografia quase plana e fugir do péssimo sistema de transporte coletivo, que há 48 anos impera na capital do país.

Daí vem outra vez a conversa de que é preciso que as prefeituras construam ciclovias, etc. e tal.

Na Europa quase não se vêem ciclovias. Os ciclistas convivem com os pedestres, em faixas BEM delimitadas nas calçadas e nas faixas de travessia nas ruas. Bem mais barato.

Mas no Brasil tudo tem de ser faraônico, dar dinheiro às empreiteiras, blá-blá-blá.

Quanto às calçadas, isso é outro assunto, afinal de contas, na capital do país isso ainda é tabu, pois os idealizadores da cidade-modelo não levaram em consideração que os pedestres têm necessidade de se mover dentro da prisão a céu aberto que eles criaram. E não se pode discutir o que esses semi-deuses conceberam, no sublime alheamento à realidade. Pedestre é um animal que tem de ser exterminado. O centenário arquiteto repetiu, há menos de um mês, que não quer saber de proteção a esses seres execráveis que enfeiam a paisagem que Ele mesmo criou.

Agora, por outro lado, é necessário fazer MUITAS campanhas educativas voltadas para os ciclistas, para eles saberem que dirigem um veículo e que, como tal, também têm de obedecer o Código Brasileiro de Trânsito, e portanto existe, por exemplo, sentido para trafegar – a famosa mão e contra-mão.

O problema é que alguns de-formadores de opinião, dentre os quais uma certa jornalista cujo nome leva o mesmo HIPO de Hipócrita, são contra campanhas educativas de trânsito, porque ELA acha que isso é um desperdício de dinheiro público. (Podem conferir no blogue da mencionada senhora.)

De certo modo, ela tem razão: matar é bem mais barato do que deixar a pessoa em recuperação no hospital, onde os gastos são bem maiores.

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