Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘consumidor’

ovos de páscoa, de novo

Ouço e leio a mesma lenga-lenga de todos os anos:

os preços dos ovos de páscoa são abusivos!

Não entendo por que a brazucada ainda não aprendeu que essa modinha do chocolate já está superada.

Por que não deixam para comprar esse supérfluo depois que passar o feriado?
Pergunto, outra vez, desde quando ovo de páscoa é chocolate? Já fiz essa pergunta e dei a resposta há dois anos…

Ai, você, ‘miga, você tem medo de perder o status em alguma rede social?

Igualzinho aos que reclamavam do preço do tomate há alguns anos…

O governo merece esse povo.

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A Copa e a economia

Uma das muitas mentiras que se dizia a favor da copa do mundo no Brasil é que ela serviria para alavancar a economia do país.

Ontem, comentei por e-mail com amigos que Brasília, por conta de jogos na cidade, e de jogos do Brasil, virou uma cidade fantasma.

Restaurantes comuns fechados (nem quero imaginar aqueles usados pelos políticos, que só devem reabrir em fevereiro de 2014, depois das campanhas e das eleições).
Sorveterias às moscas.
Cafés sem clientes.
Ruas sem ônibus.
O edifício onde moro semi-vazio: muitos moradores foram para hotéis-fazendas, e outros passeios de poucos dias, como Pirinópolis.
Escolas fechadas.
Creches e escolinhas de crianças chatas fechadas.
Repartições públicas fechadas.
Bancos fechados.
Consultórios sem atender pacientes.
A oficina do carro fechada dia sim dia não.
Fui ontem à tarde (domingo) a um shopping center, e parecia um prédio fantasma.
A única coisa que tem funcionado “acima da média” são os bares, botecos, pontos de venda de drogas, e coisas do tipo, que existem em lugares “bem conhecidos”.
A Folha de São Paulo publicou matéria de que restaurantes na região dos Jardins têm sido ameaçados pela “concorrência”. Falsa ameaça? Who knows, chi lo sa, …

O calendário tem sido este:
dia 12 – 5a.f – abertura – jogo do Brasil em SP – Brasília parada
dia 13 – 6a.f treze – dia de não fazer nada
dia 14 – sábado
dia 15 – domingo – jogo Suíça x Equador em Brasília
dia 16 – 2a.f – descansar do domingo e se preparar para a 3a.f
dia 17 – 3a.f  – jogo do Brasil em Fortaleza – Brasília parada
dia 18 – 4a.f – dia de curar a ressaca do 0x0a
dia 19 – 5a.f – feriado – jogo Colômbia x Costa do Marfim – cidade inteiramente parada – silêncio de cemitério militar
dia 20 – 6a.f – dia de não fazer nada
dia 21 – sábado oco
dia 22 – domingo véspera de feriado
dia 23 – 2a.f – jogo do Brasil em Brasília, contra os risoles de camarão –

Só aí contabilizam-se DOZE dias parados.
E o pessoal ainda vem falar da “economia”?
Só se for economia de eletricidade, com tudo vazio, os ares condicionados desligados, etc.
Por isso não houve apagão.

Um primo que mora em São Paulo, engenheiro autônomo, disse que está sem conseguir trabalhar pràticamente todo o mês.

Está pior do que a semana entre Natal e Ano Novo…..está ruim para trabalhar sim!!!!
é que ninguém fala….
Não consigo nem agendar dentista…

Um amigo, também em São Paulo, contou que o Poupatempo (psiu, na-hora, e sei lá quantos outros nomes nos outros estados) está com super-atraso na entrega dos documentos.

Hoje encontrei uma matéria na edição Campinas de O Globo, em que os comerciantes da cidade relatam prejuízos de até 80% nos dias de jogos do Brasil .
É que Campinas não sedia jogos – se não, os prejuízos seriam também nos dias de jogos dos outros países.

Não faltam matérias nos jornais de que os turistas dormem em saguões de aeroportos, em automóveis, e outros lugares não convencionais.
Excesso de lotação nos hotéis?
Não, reação contra preços abusivos que foram cobrados.Recebi toneladas de e-mails com “promoções” de empresas aéreas e de hotéis, para eu programar viagens neste mês.

Bem, mas ouvi no rádio que o movimento de drogas em Vila Madalena, tradicional reduto de “uma facção criminosa de São Paulo”, está com negócios a todo vapor (a toda fumaça e a todo pó).
Acredito que também estejam bons os negócios para as moças da difícil vida fácil.
Talvez fosse esse mesmo o objetivo de alavancar a economia que prometiam.

Confissões de sovinas

Fui dizer que não vejo a hora de chegar 2014,
para poder comprar panetone pelo preço que ele vale,

e em seguida uma amiga respondeu que ela pensa da mesma forma.
Na Páscoa também, compra sempre depois, na oferta.
Os ovos estão quebrados, mas não importa, ela termina de quebrá-los e os congela, porque melhor que chocolate de Páscoa não há.

Se todos os consumidores tivessem um pouco mais de senso prático, do que o simples apelo das propagandas, o capitalismo seria outro… hehe

Pobres em Miami

Frase ouvida em um programa de rádio, sobre os preços no Brasil:

Somos pobres, por isso só podemos fazer compras nos outlets de Miami.

Fumo: impostos, taxas e multas

O agricultor pode plantar – paga imposto e está tudo bem com o tabaco.

A indústria pode transformar – paga imposto e está tudo bem com o cigarro.

O comércio pode vender – paga imposto e está tudo bem com o cigarro.

O consumidor pode comprar – paga impostos, taxas e está tudo bem, mas se for acender o cigarro, vem a multa e o governo arrecada mais um pouco.

Parece que a única coisa com que o governo se preocupa é com a saúde financeira.

Por que não interromper o ciclo nocivo logo no início?

Transfiram logo as fazendas que plantam tabaco, no Rio Grande do Sul e na Bahia, para a reforma agrária e para o MST e deixem de maltratar SÓ os fumantes, a peça mais fraca nessa engrenagem de geração de impostos, taxas e multas.

Censura, o direito de ir e vir, o direito à vida, e outras bobagens

Dou este título de “e outras bobagens” porque muita gente fica a repetir essas frases feitas, como se fossem verdades absolutas, que não sofrem limitações por força da lei ou por si mesmas.

O Estadão, o vetusto jornal da Marginal do Rio Tietê, que simboliza o que há de mais conservador na conservadora sociedade paulista, está indignado porque foi proibido de continuar a reproduzir em seu (dele) sítio (site, não a fazenda de café), as gravações telefônicas entre membros da famiglia Sarney. “Voltaram os tempos da ditadura, da censura, etc. e tal”, aquele blá-blá-blá conhecido do corporativismo dos jornalistas, pois só eles, e apenas eles, têm mais direitos do que os outros. Houve gente que mencionasse “censura prévia”, como se não fosse exatamente o caso de censura póstuma.

Só que o Estadão, a CBN, e outros de-formadores de opinião são useiros e vezeiros de censurar (de fato) comentários e cartas de leitores, que não estejam de acordo com os princípios editoriais dessas EMPRESAS. O Estadão tem o péssimo hábito de “atualizar” notícias, e deletar todos os comentários, sempre que uma notícia assumiu rumos que não coincidiam com os da EMPRESA.  Atualização tão falsa quanto uma cédula de 4 rublos. O objetivo mesmo era a deleção dos comentários. (Para quem não se lembra, deletar é palavra latina, que foi reintroduzida no uso do português pelo uso anglicista da computação, por isso Deleção – lembram-se do “Delenda est Carthago!”? – era latim, não era inglês!)

Sexta-feira um colega do trabalho me chamou a atenção para um erro do sítio da mencionada empresa, que tinha trocado COMPRIDO e CUMPRIDO. Afinal de contas, os jornalistas contratados AINDA são todos com diplomas de curso superior específico, devidamente corporativizados, mas não sabem a diferença entre essas palavras, talvez porque não tenham tido latim em seus estudos. Pouquísismo tempo depois, lá estava o comentário solitário de um leitor, que havia chamado a atenção das sumidades da EMPRESA, totalmente fora de contexto, pois a limpeza tinha sido processada, e ele que ficou como alucinado, para quem chegou à notícia mais tarde. Grande ética dos de-formadores de opinião.

Censura?! Não houve, por parte do amigo do senador maranho-amapaense. Houve alguma forma legal de impedir que a EMPRESA fizesse oba-oba com algo que é assunto de um fruto de inquérito policial. Parece bem diferente.

Quanto ao fato de o desembargador ser amigo do senador, também não podemos deixar de mencionar as inúmeras “notícias” que são plantadas por jornalistas (de canudo de faculdade de comunicação social e tudo mais), por conta de amizade com alguma figura com a qual já se relacionavam ou passaram a ter simpatia, como é o caso da campanha em favor da busca do franco-brasileiro que foi fazer aventura em uma montanha de 3.000 metros de altura na África, e que agora virou um pesquisador da fome no mundo. Pesquisa sobre miséria em montanha? Conte outra senhora dona jornalista, essa não grudou para o Quai d’Orsay e não tem como grudar para nós, pobres tupiniquins. Se você é amiga da namorada do brazuca, invente outras desculpas para insistir no tema. E se os bombeiros do Rio estão a fim de fazer um treinamento diferente, “u pobrema” é da geração “sarada” que gosta de procurar piolho em traseiro de estátua de museu. Como vemos, amizades para privilegiar uns e outros não são exclusividade do topo da coluna social, mas também dos emergentes.

O título da postagem, porém, fala também do direito de ir e vir, por conta das brigas entre usuários e não-usuários, entre donos de EMPRESAS e a prefeitura de São Paulo, na questão dos ônibus fretados, no início da semana. Muita gente alegava que a criação de uma zona de proibição para o trânsito desses ônibus gigantescos feria o “direito de ir e vir”. Já ouvi inclusive isso ser dito em fila de identificação da Polícia Federal, na chegada no AeroAlegre de Porto Porto. Os ignorantezinhos de plantão dizem isso porque ouviram dizer que há um tal direito de ir e vir na constituição (inciso XV do art. 5º – é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;).  Só que como está bem expresso no próprio inciso, NOS TERMOS DA LEI, ninguém viaja sem documentação, ninguém pode trazer contrabando, viagem de graça é controlada, …

Nunca vejo esses babaquinhas de plantão darem chiliques quando vão pedir tirar passaportes ou pedir vistos no consulado dos Estados Unidos. Já que falam no “direito de ir e vir”, deveriam espernear. Agora, quando a Prefeitura tenta pôr ordem na bagunça do trânsito, por conta de ônibus que param em qualquer lugar, e que estacionam o resto do dia sem critério, aí vem a tchurminha dos “e os meus direitos?”. Façam bagunça para exigir mais centenas de quilômetros de rede de metrô, isso sim.

Por fim, só uma rápida palavra sobre o direito à vida. Você pode declarar que as pessoas têm direito a viver com dignidade, com respeito, e coisa e tal. Mas direito a viver, absoluto, pura e simplesmente, quem decide é a vida mesma. No dia em que o prazo de validade acabar, não há o que fazer – tchau – não adianta reclamar no Procon. Como me disse brincando certa vez um médico: “no primeiro banho, as pessoas jogam fora a etiqueta com o prazo de validade”. O direito à vida termina quando a morte chega, e esta chega mesmo, não adianta espernear, nem cobrar indenização na “jostissa”. Está escrito em lei superior às escritas pelos babacas dos seres humanos.

call-centers

Na última terça-feira houve muita chuva, em São Paulo, mas como me escreveu uma amiga:
nada muito fora do normal. Os serviços é que estão piorando.
Nunca nos quase 58 anos de vida, me recordo de ter ficado tanto tempo sem energia elétrica.
Na quarta-feira, liguei para reclamar, já que o período sem energia na Vila Mariana foi das 15h30 do dia 17 até as 9h00 do dia 18.
Às 8h00 consegui ligar para a Eletropaulo – já que na noite anterior tinha sido impossível.
A atendente, dessas pessoas “bem treinadas e solícitas”, disse que a falta de energia tinha sido causada pela chuva (lógico), e ficou indignada, pois eu tinha de ter conhecimento do tamanho do estrago na rede elétrica da cidade.
Ela me perguntou, muito apropriadamente:
– “A senhora não viu na tevê ontem à noite?”
Minha amiga, com a paciência que nós velhos já não somos mais obrigados a dispor, simplesmente respondeu:
– “Infelizmente não tenho TV à pilha. Você pode me providenciar uma para a próxima ocasião?”
Assim são nossos serviços de atendimento nos call-centers.
O exemplo da comodidade que o mundo moderno nos oferece.
-x-x-x-
P.S.: aproveito para comentar que nas fotos que vi das enchentes de São Paulo, observei as mesmas cenas de sempre: muitos colchões, pneus e outros lixos BEM sólidos, atirados pela população nos bueiros, córregos e outros locais. Faz 455 anos que os habitantes da cidade continuam a emporcalhá-la. E depois dizem que as enchentes são culpa do aquecimento global, do prefeito X ou Y.

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