Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘deputados’

nepotismo

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2017/07/27/interna_internacional,887088/assembleia-nacional-francesa-proibe-deputados-de-contratar-familiares.shtml

Os deputados franceses não mais poderão contratar membros da família mais próxima (cônjuge, pais e filhos), sob pena de três anos de prisão e 45.000 euros de multa.

Temos de lembrar que sobrinhos, netos, cunhados, amantes, etc., também são parentes.

Por isso, no Brasil, a proibição tinha de se estender aos parentes colaterais (inclusive EX) de centésimo grau, até a milésima geração, para que a lei surtisse algum resultado.

 

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resumo da semana

resumo da primeira semana de fevereiro de 2017:

  • marisa letícia foi santificada;
  • eunício fica no lugar de calheiros;
  • maiazinho continua onde estava;
  • um juiz ligado ao mst é “sortudo” para ser o novo relator do lava-merda
  • temer recriou um monte de ministérios para o cabideiro da esplanada

Ou seja,
cinqüenta anos de retrocesso em três dias.

e ainda reclamávamos de 2016…

 

suplentes

Alguma vez sei que já escrevi sobre essa coisa maluca que temos no Brasil, chamado suplente de senador (dois!), e o site Globo.com fez uma matéria sobre os que não tiveram votos, e que constituem agora 20% do total.

Como comentei anteriormente, sou a favor da extinção pura e simples dos famigerados suplentes – morreu ou foi assumir outro cargo, fica a vaga até novas eleições.

Pior ainda quando esses seres ruins de votos assumem porque houve um acordão entre o financiador da campanha e o dondoco que recebeu os votos.

Existe, porém, na cabeça do brasileiro uma lavagem cerebral de que “é normal” que quem está no legislativo ocupe cargo no executivo. E assim se perpetua a troca de favores entre partidos e políticos…

Há países onde a regra é oposta: quem está em um poder não pode assumir cargo em outro.
Se isso é regra no sistema parlamentarista, é sempre bom lembrar que no famoso plebiscito de 1993 a população repetiu o mesmo resultado que havia dado em 1963: a maioria do eleitorado prefere o presidencialismo – apesar dos filósofos, dos cientistas políticos, e de todos os assessores de políticos.
E, em alguns países é simplesmente vedado que quem ocupa cargo em um podRer vá para outro.

Tenho nove mil novecentas e noventa e nove razões para objetar contra o parlamentarismo – inclusive nos chamados países desenvolvidos. Prefiro o sistema semi-presidencialista (ou semi-parlamentarista)  francês e português, em que presidente e primeiro-ministro dividem as atribuições do pHoder executivo.

Como já disse em 1993 a famosa Danuza Leão: parlamentarismo com esses deputados? Inocêncio de Oliveira como primeiro-ministro?
Pois é, hoje em dia teríamos tido Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha e Waldir Maranhão na chefia do governo. Sem falar do que temos atualmente e das opções que nos foram apresentadas para o próximo biênio. Ou quem sabe Sarney e Calheiros, se a preferência fosse pelo senado.

Não dá. Não dá mesmo para mantermos os suplentes e tampouco para devaneios de sistema parlamentarismo.

mobilidade

Mobilidade, palavra que inventaram para substituir o tradicional transporte coletivo, já que leva em consideração toda a massa humana que precisa se deslocar a pé, por falta de ônibus ou trens, encontra uma justificativa nos gentis putados da assembléia legislativa do Paraná:

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/gastos-de-deputados-com-combustivel-pagaria-transporte-de-17-milhoes-de-pessoas-por-seis-meses-8gealktfkj34ans1fjf9aaler

Isso só no Paraná.
Imagine nos outros estados – aqueles que já faliram e os que também estão no buraco
Imagine o gasto nas prefeituras, com as camas de veadores cheinhas de carros novos,
com placas pretas, para não serem multados.
Imagine o gasto no cãogresso fedemal?

Entendeu por que o ônibus que você espera passou lotado?Que bom que pelos menos “nóçus” representantes dispõem de transporte decente.
Na Europa, teriam de usar o bilhete mensal

Não custa lembrar que no Império e na República Velha, os representantes do povo pagavam pelo próprio aluguel para exercer o mandato.
Juscelino, pai das grandes corrupções com empreiteiras, e inventor do desvio de dinheiro da Previdência, criou o auxílio-moradia…

 

 

A farra do dinheiro público

O site do Globo tem uma matéria sobre a farra dos salários pagos na cama de veadores de São Paulo.
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/chaveiro-e-garcom-ganham-salario-acima-de-r-14-mil-na-camara-de-sp.ghtml

Não faz muitos dias, tinha lido uma matéria semelhante sobre farra na cama de veadores de Guarulhos. Não encontro agora o link.

Em setembro, os veadores de Santo António da Platina, no Norte do Paraná, foram obrigados pela população a baixar os próprios salários. E depois, em outras cidades houve (houve, não houveram) manifestações semelhantes. Logo depois, o número de cãesdidatos ao cargo caiu abruptamente. Por que seria?
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/eleicoes/2016/cidades-baixam-salarios-dos-vereadores-e-maioria-desiste-de-disputar-reeleicao-6px1roaz93guex5yv3ykg7czx

Já nem sei quantas vezes escrevi a respeito dessa excrescência perdulária, verdadeiras escolas do crime, que são as camas de veadores, em geral servindo de trampolim para pulos mais altos, como putados estaduais ou fedemmais.

Alguns estados, como Rio de Janeiro ou Rio Grande do Sul, reclamam da quebradeira, e cortam salários de servidores públicos.
O governo fedemal tenta contornar e lhes dá ajuda.
Vai ajudar também os mais de 5600 municípios que desperdiçam dinheiro com essa parasitagem toda? Sendo que a maioria sequer tem um minimo minimorum de população, e muito menos de arrecadação para se manter, e dependem de repasses das tetas fedemmais do Fundo de Participação dos Municípios – FPM ! (em todas cinco regiões geográficas – Rio Grande do Sul com um número impressionante de casos)
Mais de 1500 municípios não têm sequer 5 mil habitantes.

Já escrevi uma vez sobre a Suíça, país pobre de Terceiro Mundo, como sabemos, que fez uma redução no número dessas entidades perdulárias.
Pois casualmente encontrei na Wikipédia em francês um artigo sobre a redução do número de municípios (communes) naquela país. Depois, em 2015, com aquele çossialista Chicô de Hollande (esquerda caviar, como outros de mesmo sobrenome), houve um ligeiro aumento, outra vez, afinal de contas o dinheiro púbico é para servir de boquinha para amigos e correligionários.
Se bem que lá reduziram o número de regiões administrativas.

Outros países, como Alemanha, Bélgica, Canadá, Dinamarca e até Itália, fizeram a mesma política de redução do número de unidades municipais.
Ou por incapacidade financeira de se manterem, ou pela descaracterização de onde começava uma e terminava outra.
No passado (década de 1930), tivemos no Brasil o caso de Santo Amaro, que foi incorporado a São Paulo.
No entanto, quantos outros casos poderiam ser feitos? Niterói e São Gonçalo, por exemplo.

As regiões metropolitanas, no Brasil, desde a CF 88 ter concedido aos Estados a legislação sobre sua criação, viraram verdadeiros circos. Há casos de regiões metropolitanas em que cada cidade fica a 60 km da mais próxima, ou em que a soma de todos os municípios sequer atinge 200 mil habitantes, ou em que as regiões metropolitanas são maiores do que certos países.
Alto Alegre dista 100km de Boa Vista, sede da região metropolitana (e capital do estado). Rorainópolis e São Luiz (com Z), distam entre si 120 km – e ficam na RM do Sul de Roraima, com espetaculares 52.000 habitantes.
Vale do Paraíba e Litoral Norte, Ribeirão Preto, por exemplo – criadas durante a indi-gestão de Geraldo Alquimista, cada uma com cerca de 15.000 km2, comparáveis com Timor Leste – 14.000km2 e Israel e Eslovênia – 20.000km2, cada.
Sem contar que Jacareí e Bananal, cada uma no extremo oeste e leste da RM do VPLN, distam “apenas” 250 km de Via Dutra.
A RM do Vale do Cuiabá tem “apenas” 75.000 km2, o equivalente à superfície do Panamá. Manaus é “um pouco maior”- sua região metropolitana se expande por 127.000 km2, o mesmo que a Coréia do Norte – isso porque uma decisão judicial retirou dois municípios de sua composição.
Na Paraíba, a região metropolitana de Araruna, tem “gigantescos” 70.000 habitantes, a de Esperança 140.000 habitantes, e a de Cajazeiras 175.000 habitantes (e talvez o dobro de eleitores, não seria de se duvidar).

Resumindo: no Brasil estamos fú e mal pagos. Desde que a pródiga CF 88 inventou que
veador merece salário, assessores, penduricalhos, carros oficiais (com placas pretas), e
que região metropolitana pode ser criada para agradar putados estaduais, independentemente do que diz a geografia da região.

A demo-cracia (o governo do demon) não é linda, no papel?
O contribuinte banca a conta dessa farra com o dinheiro púbico.

 

 

Quanto custa um deputado?

O site Swissinfo fez uma matéria sobre o custo de parlamentares em diferentes países.

Quanto ganham os parlamentares?

Adivinhem.

A Itália tem o mais caro (apesar das famosas “mãos limpas”) e a Tupinambalândia está, na lista, acima de Reino Unido, França, Rússia, Suíça, Portugal…

A Terra Onde Se Plantando Tudo Dá também é o campeão na classificação comparada com os salários médios de cada país. Por exemplo, três vezes mais do que em países de “salários baixos”, como os Estados Unidos.

Isso, é claro, sem contar as mordomias paralelas e o famoso Caixa 2…

 

O semipresidencialismo

Embora tenha sido publicada em abril, só em outubro os demais meios jornalísticos perceberam que o ministro do STF Luís Roberto Barroso defende o semi-presidencialismo como sistema de governo para o Brasil.

Não é devaneio de advogado. É a constatação de que termos copiado, com a república, o presidencialismo “imperial” do modelo dos Estados Unidos, gera mais instabilidade do que governabilidade nos outros países da América.

E para quem defende o parlamentarismo, que tentamos (em golpe) implantar em 1961 (com o contra-golpe que o eliminou em 1963), basta lembrar quem seriam nossos primeiros-ministros.
Severino Cavalcanti, Aldo Rebelo, Arlindo Chinaglia, Michel Temer, Marco Maia, Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha – se prevalecerem os deputados, ou
Edison Lobão, Ramez Tabet, José Sarney, Renan Calheiros, Tião Viana, Garibaldi Alves Filho, José Sarney (de novo), Renan Calheiros (de novo), no caso de senadores prevalecerem.
É esse o parlamento que teríamos para exercer também as funções do Poder Executivo.

Cabe agora um parêntese – o jornalista que fez a matéria confundiu “ligeiramente” o parlamentarismo com o semi-presidencialismo. Normal… – nem sempre gosta de pesquisar.

Bem, de toda modo, não dá mais para o Brasil insistir em copiar o modelo hiper-presidencialista, ainda mais quando, desde 1889, sempre vivemos crises entre o presidente e o vice. O que se dirá entre os poderes?…

Precisamos de todo tipo de reforma. Eleitoral, política, tributária, da federação (e nossos perdulários municípios), e tantas outras.

Tantas reformas, que tornam evidente que precisamos de uma futura constituição, com o “pequeno enorme detalhe” de seja feita por pessoas que não sejam os próprios beneficiários dela, como ocorreu no golpe de 1987-1988.

 Atenção:  este post foi escrito em outubro de 2015.  Antes da tentativa espúria do PMDB de querer “sugerir” essa reforma, em março de 2016.

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