Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘Egito’

Onde você gostaria de ter estado?

No fim de semana, estava à mesa de uma adega conversando com outros freqüentadores conhecidos, e surgiu a conversa “História”.

Onde você gostaria de ter estado, quando ocorreu determinado fato histórico?

 

Não é quem você gostaria de ter sido.

É que cena gostaria de ter presenciado.

Pode ter aconselhado o personagem principal, ou apenas assistido.

Respostas que surgiram à mesa (em ordem cronológica):

  1. com Cleópatra, em seu último dia;
  2. quando Constantino decretou o cristianismo a religião oficial do Império Romano;
  3. com Gêngis Khan;
  4. com a Princesa Isabel, nos dias que antecederam a assinatura da Lei Áurea;
  5. na execução dos Romanofs, em abril de 1918;
  6. com Hitler, naquela reunião com os líderes nazistas, quando se viu que não dava para mais nada – alles war kaput – a cena do filme “A Queda” que foi repetida em um montão de paródias.

 

Repassei a pergunta às pessoas de minha lista de contatos por internet, e também a outras, pessoalmente.

Já pensou que grande fato histórico gostaria de ter assistido, ao vivo ,em cores e com som original?

Como no livro Ao Vivo do Calvário, de Gore Vidal, o personagem principal é um repórter que se transporte no tempo e no espaço, e transmite pela televisão a crucificação de Jesus, essa resposta não seria aceita.

Reproduzo abaixo as muitas respostas obtidas – ordenadas por ordem alfabética.

Com Alexandre Magno (três respostas!) – na Macedônia, saindo para mais uma aventura de conquistador – quando atravessou da  Grécia para a Ásia – quando foi ungido faraó e filho de Amon.

Na arca de Noé.

Na primeira apresentação da Nona Sinfonia de Beethoven.

Nas ruas e cabarés de Paris da Belle Époque (1871-1914). (duas respostas)

Na morte de Bin Laden.

Na decisão sobre o lançamento da bomba atômica sobre Hiroxima e Nagasaki.

Um rital de bruxas antes da Idade Média.

Quando Sidarta Gautama se tornou Buda, o Iluminado.

Na chegada de Colombo às “Índias”, para dizer a ele o erro que tinha cometido.

Nos vestiários e bastidores da final da Copa de 1998.

Na escolha do Brasil para sediar a Copa de 2012.

Na decisão de escolher o Itaquerão como estádio paulista para a Copa de 2012.

No impeachment da Dilma e na prisão de Lula (eu acrescentaria o funeral de Sarney e o de Maluf, já que são desejos).

Andando pelas ruas de Paris, entre 1920 e 1930, ouvindo Django Reinhardt tocando na Gare du Nord.

Na omissão de socorro a Elis Regina.

Quando Francisco de Assis se apresentou ao papa Inocêncio III para apresentar a candidatura para a nova ordem – segundo consta, Francisco de Assis fez isso para não ser acusado de herege – mas queria ver a cara do Papa ao receber aqueles mulambentos!

No suicídio de Getúlio Vargas.

Na Grécia Antiga, convivendo com filósofos e matemáticos.

No Rio de Janeiro, quando da invasão dos franceses, e lutando a favor do domínio francês.

No embarque da família real de Portugal, deixando o povo apavorado ao ver D. João VI fugir e deixar tudo para os invasores, e depois sair correndo para ver a confusão da chegada da corte no Rio de Janeiro.

No assassinato de John Kennedy.

Ao lado de Júlio César, quando ele atravessou o Rubicão e mudou tudo.

Na chegada do homem à Lua. (duas respostas)

No julgamento de Joana d’Arc.

Na queda do Muro de Berlim.

Em Nova York na década de 40.

Nas reuniões do PTrolão.

Na queda de Constantinopla.

Ver Santos Dumont no vôo do 14 Bis.

No envenenamento de Tancredo Neves.

Na execução de Tiradentes.

Na viagem do Titanic.

Na erupção do Vesúvio (ou do Cracatoa).

Em Waterloo.

Como se observa, muita gente se interessa pelos fatos mal esclarecidos.
Ou grandes fatos do mundo das idéias – filosofia, religião, ciências e artes.

Algumas pessoas se inspiraram em respostas já dadas anteirormente e manifestaram outros aspectos de um mesmo tema.

Muitos outros, porém, tiveram preguiça de pensar, e preferiram continuar assistindo BBB,
ou ficaram no eterno papel de Hardy, dos desenhos animados – oh vida, oh azar.

Demora um pouco, mas sempre encontramos uma ou duas respostas sobre o tema.

Quer contribuir?

Preencha aí embaixo o quadro deixe um comentário, em azulzinho, no canto direito do post.

 

 

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A imbecilidade humana não tem limites

A famosa máscara do faraó Tutancâmon foi danificada de forma irreversível.

Se preferir, leia em inglês, a notícia no Telegraph.

Não é mesmo fabuloso sabermos que em um dos mais importantes museus do mundo usa-se durepox para colar objetos milenares que foram danificados?

O mais irônico é que os egípcios pleiteiam a devolução dos Elgin Marbles do British Museum. Na verdade, deviam entregar todos esses tesouros a algum museu norte-americano ou europeu (menos o Louvre) para guarda e exibição.

Espero que haja alguma técnica de raio laser que possa destruir o epóxi, sem danificar os outros materiais.  E os arranhões talvez se possa aquecer o ouro no local e redistribuir o material que tenha ficado nas bordas dos riscos.

Ficamos com o ensinamento de que essas velhas civilizações requintadas foram substituídas por descendentes de cameleiros que levantam os traseiros para adorar um meteorito guardado em Meca, decepadores de cabeça … Triste!

A dúvida que ainda fica: foi acidente ou foi proposital, como a que fizeram, há alguns anos, com canhões destruindo as imagens de Buda gravadas em pedras no Afeganistão, obra dos “queridos talibans” ?

Deputados, senadores, estados, municípios, voto distrital, etc e tal

O Japão, país “muito pobre”, como sabemos, vai reduzir o número de deputados de 480 para 475 (câmara baixa).
É pouco. Podia reduzir muito mais. A economia do país agradeceria.

O Egito também fez uma redução no número de deputados e “senadores”, e passou, no total, de 768, conforme a constituição de 1971, para um total de 664 ocupantes de cargos no legislativo nacional, após a “primavera”.

A China tem o maior número de ocupantes de seu legislativo, com 2967 membros que têm “o poder” de referendar – por unanimidade – o que os dirigentes do Partido Comunista Chinês decide. Não é mesmo uma gracinha, como diria Hebe?
Cuba tem 614 deputados. Nenhum na oposição aos irmãos Castro.

Eleição e número de deputados não são exatamente sinônimos de democracia. Basta lembrar que Saddam Hussein era sempre reeleito com 98% dos votos…
Os Kims norte-coreanos conseguem 100%! Como são populares

A imensa Rússia tem 450 deputados. O Brasil tem tido, desde 1988, 513…

Muita gente diz que é um absurdo Roraima ter 3 senadores e 8 deputados.
Concordo. Vou mais além.

Além de Roraima ter 8 deputados, outras unidades federadas também contam com o mínimo de 8 deputados: Acre, Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe e Tocantins.
11 x 8 = 88. Roraima não tem ainda 500 mil habitantes, e o Amazonas tem quase 3.900.000 habitantes. Uma incrível disparidade, entre estados com a mesma bancada, e, no caso, entre UF’s da mesma região geográfica.
Detalhe interessante, o Amazonas tem mais habitantes, porém menos deputados do que estados menos populosos, como Alagoas e Piauí, e menos do que Espírito Santo e Paraíba, com os quais praticamente empata no número de habitantes.
O número máximo, porém, é de 70 deputados, e aplica-se exclusivamente a São Paulo, que é seguido de Minas Gerais, com 53, e pelo Rio de Janeiro, com 46, os três no Sudeste, vindo a seguir a Bahia, com 39.
Todos os estados do Norte, apenas o Pará, com 17, está acima da regra dos 8. Se tivessem sido aprovados os projetos de criação dos estados de Carajás e de Tapajós – o atual Pará passaria de 17 para 35, já que a regra não prevê a redução das bancadas, com a criação de novas unidades…

Bem, digamos que entre em vigor a tal reforma do voto-distrital (ou vereadores detritais). Nesse caso, Roraima será dividido em 8 distritos eleitorais, com 62 mil habitantes (em média) cada um – menos do que 500 municípios do país.

Se o “cãogresso bostituinte sarnento” não tivesse sido “tão generoso”, e tivesse mantido Amapá e Roraima como territórios, seriam 4 deputados para cada um, e nenhum senador. Difìcilmente “conheceríamos” Romero Jucá, Ranfolfe Rodrigues, e outros “grandes expoentes” da política brasileira. Sem contar que o autor de “marinádegas de pileque” não teria garantida seu assento no senado.

Na época dos presidentes generais, elevou-se o mínimo de deputados de 7 para 8, e os territórios federais (que na prática não mais existem) passaram de 1 para 4 deputados. Os “democratas” que nunca colocarão a “carta cidadã” para referendo da população, é claro que gostaram da idéia dos ditadores militares.
Afinal de contas, nos pequenos estados a tendência é sempre os eleitores votarem de acordo com quem estive no poder. Foi o mote da reforma pelos generais e é a causa de isso ser “inquestionável” pelos civis que sucederam.

Bem, há algumas soluções, que “nóçus” legisladores certamente NÃO apreciarão.
Uma delas é fazer, como em “países atrasados” como os Estados Unidos, que o número de deputados seja exatamente proporcional ao número de habitantes, de modo que pequenos estados têm exatamente UM deputado (já que não é possível “cortar” um político em fração), e dois senadores (o número que eles têm como regra para a “câmara alta” e que já foi a regra no Brasil, no tempo em que aqui havia 20 estados).

Outra é agrupar as representações de deputados pelas regiões geográficas, classificando-se São Paulo como uma única região, e destacando-se Bahia e Sergipe do Nordeste, na distribuição das bancadas.
Uma outra, um pouco mais radical, é estabelecer que cada estado deve ter o mínimo equivalente a 1% da população do país, ou seja, nenhum estado poderá ter menos de 2 milhões de habitantes, sendo que as unidades com número inferior a essa quantidade serão revertidos à condição de territórios federais (inclusive sem os famigerados e caros tribunais de justiça, todos sob a responsabilidade do TJDFT). Isso atingiria diretamente 5 estados atuais: Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins. Que coincidência… Ah, e o DF seria considerado uma parte de Goiás, para esses fins de representação política (e desespero da “elite candanga” que despreza “us Goyazes”).
De qualquer modo, é necessário repensar o tamanho da Câmara de Deputados e do Senado. Repensar para reduzir, e não para ampliar, é bom deixar MUITO claro. Que tal o total de 400 deputados, e não mais 513? Que tal a volta de 2 senadores por ESTADO?
De qualquer modo, sem repensar essa representatividade e redimensionar o legislativo, o voto distrital, visto como panacéia, será mais uma fábrica de currais eleitorais. Já vou transferir meu título de eleitor para o Norte, e me candidatar por alguma das tribos ipixunas – antes que algum ONGeiro o faça.

Ah, se deve haver um mínimo para uma unidade ser considerada Estado, é claro que algo semelhante deveria acontecer com os municípios. Provàvelmente algo em torno de 0,01% do total do número de habitantes do país. 200.000.000 de brasileiros à 10% para estados = 2.000.000 no mínimo à 0,01% para municípios = 20.000 habitantes. E, claro, óbvio ululante: sem vereadores receberem salário e muito menos terem veículos oficiais para passearem, ou irem a motéis.

Claro que tudo o que escrevi é um devaneio. “Nóçus” de-putados jamais aprovarão uma reforma que vá contra eles mesmo, contra os partidos que proliferam feito cogumelos no esterco, etc. e tal.

De qualquer forma, podem clicar nas tags, e ver quantas e quantas vezes tenho escrito sobre esse assunto e seus correlatos.

 

O solstício

Na tal noite de Natal (na tal de Natal, que exagero) uma estranha coincidência ocorre em muitas partes do mundo: um foguetório interminável – bombinhas e rojões estourando.
É a parte importante de uma tradição: 25 de dezembro foi, até ser incorporado pelo cristianismo, o dia da celebração do solstício e, até a sua oficialização como religião do Império Romano, era o dia do super-popular deus persa Mitra, o Sol-invencível, com muitas fogueiras. De onde se vê que o espírito original de Mitra continua existindo em lugares díspares como Bolívia, Austrália, Guatemala, a costa amalfitana e a periferia de grandes cidades brasileiras. Foguetório que se repete em todo o mundo uma semana depois, para comemorar o início de novo ciclo de cobrança de impostos, com a virada do calendário.

Por falar em tradições que o cristianismo incorporou para “melhorar” a aceitação do Natal como a data do nascimento de Jesus, li, há cerca de 20 anos, um artigo sobre os símbolos estranhos ao Natal. Eu já conhecia o dia de Mitra, mas vejam só:

  •             Papai Noel é a representação do deus germânico Odin, que saía de sua casa no Norte, vestido de vermelho, em uma carruagem, e percorria o país, entrando nas casas pelas chaminés; – depois de ter trabalhado para a Coca-Cola tornou-se símbolo obrigatório do fim de ano;
  •             as  árvores enfeitadas, com estrela na ponta, eram uma tradição desde o ano 5000 a.C., estabelecida pela mãe de Nimrod, na Babilônia, como símbolo de pureza, paz e bondade;
  •             durante os últimos dias de dezembro e os primeiros dias de janeiro, no Império Romano celebravam-se as festas de Saturno, as saturnálias, quando ocorriam comilanças e trocas de presentes entre vizinhos e entre patrões e empregados;
  •             por fim os adornos colocados nas portas das casas vêm da tradição dos druidas celtas de utilizar símbolos de imortalidade, masculinos e femininos, como defesa contra o demonismo;
  •              em dezembro, os judeus celebram a Festa das Luzes (Hhanuká), comemorando o regresso dos macabeus com velas acesas durante oito dias, embora este ano a festa tenha ocorrido logo no início do mês.

Por sua vez, cabe mencionar que “Khrishna, um dos avatares (manifestação viva, ou encarnação) de Vishnu, nasceu em um estábulo, milagrosamente filho de uma virgem, foi perseguido por um rei malvado que, para fazê-lo desaparecer, massacra grande quantidade de crianças. Salvo por feliz acaso, Khrishna foi a princípio um guardião de rebanho; um dia, porém, levado ao templo, espantou os brâmanes com sua profunda sabedoria.” (Pequena História das Grandes Religiões, Félicien Challaye, Paris, 1940).

Para concluir, lembro que o conceito de trindade divina foi registrado pelos hindus no século I a.e.C., composto por Brahma (deus criador), Vishnu (deus preservador e a providência) e Shiva (deus destruidor e da vida futura). Mas antes, por volta de 1900 a.e.C., os egípcios reconheciam uma trindade em Amon, Osíris (que morreu e ressuscitou) e Seth. (Dicionário das Religiões, John R. Hinnells, Londres, 1984).

Quantas coincidências, n’est-ce pas?

Por isso tudo, e muito mais, boa festa de Mitra para vocês todos.

E lembre-se, não beba nem dirija. Algum idiota pode estar fazendo as duas coisas nestes próximos dias. Esforço de Plutão / Hades para atingir suas metas previstas no “plano anual” do Olimpo, mas que, devido ao contingenciamento do verbas do orçamento, reduziu a atividade durante a maior parte do ano, e deixou para colher as almas nos últimos dias (porque se não as verbas voltam para o thesouro).

dia de Zumbi

Dia 20 de novembro, feriado em vários municípios para celebrar Zumbi dos Palmares.

Figura histórica um tanto polêmica. Muito mais para traidor do que para herói. Algo normal na história do Brasil, que hoje em dia cultua Luís Carlos Prestes e Lampião, só para citar dois casos de bandoleiros famosos. Os Billy the Kid brazucas.

Reproduzo alguns parágrafos encontráveis na Wikipedia, embora muitas outras fontes digam o mesmo:

Alguns autores levantam a possibilidade de que Zumbi não tenha sido o verdadeiro herói do Quilombo dos Palmares e sim Ganga-Zumba: “Os escravos que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos eram capturados e convertidos em cativos dos quilombos. A luta de Palmares não era contra a iniquidade desumanizadora da escravidão. Era apenas recusa da escravidão própria, mas não da escravidão alheia.[…]”

De acordo com José Murilo de Carvalho, em “Cidadania no Brasil” (pag 48), “os quilombos mantinham relações com a sociedade que os cercavam, e esta sociedade era escravista. No próprio quilombo dos Palmares havia escravos. Não existiam linhas geográficas separando a escravidão da liberdade”.

Segundo alguns estudiosos Ganga Zumba teria sido assassinado, e os negros de Palmares elevaram Zumbi a categoria de chefe:

“Depois de feitas as pazes em 1678, os negros mataram o rei Ganga-Zumba, envenenando-o, e Zumbi assumiu o governo e o comando-em-chefe do Quilombo”4

Seu governo também teria sido caracterizado pelo despotismo:

“Se algum escravo fugia dos Palmares, eram enviados negros no seu encalço e, se capturado, era executado pela ‘severa justiça’ do quilombo.

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e prática da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.”

Escravidão no Quilombo dos Palmares

Apesar de representar uma resistência à escravidão, muitos quilombos contavam com a escravidão internamente. Esta prática levou vários teóricos a interpretarem a prática dos quilombos como um conservadorismo africano, mantendo as diversas classes sociais existentes na África, incluindo reis, generais e escravos.

Para alguns estudiosos, no entanto, a escravidão nos quilombos não se assemelhava à escravidão dos brancos sobre os negros, sendo os escravos considerados como membros das casas dos senhores, aos quais deviam obediência e respeito.Semelhante à escravidão entre brancos, comum na Europa na Alta Idade Média.

A prática da escravidão nos quilombos, como a praticada por Zumbi, tinha dupla finalidade:

– a primeira, de aculturar os escravos recém-libertos às práticas do quilombos, que consistiam em trabalho árduo para a subsistência da comunidade. Já que muitos dos escravos libertos achavam que não teriam mais que trabalhar; e

– a segunda, que visava diferenciar a população do quilombo, em:

a) aqueles que chegaram pelos próprios meios. Escravos fugidos, que se arriscavam até encontrar um quilombo. Sendo, neste trajeto, perseguidos por animais selvagens e pelos antigos senhores. Ainda, correndo o risco de serem capturados por outros escravistas, e em

b) aqueles trazidos por incursões de resgates. Escravos libertados por grupos quilombolas que iam às fazendas e vilas. Estes ficavam sob um regime de servidão temporário à algumas casas mais antigas, até se adaptarem à rotina do quilombo e poderem ter suas próprias casas.

Matéria assinada no Estadão trata da lei que obriga o ensino sobre África nas escolas. Link disponível no início da linha.

Pergunto se esse conteúdo “didático” contém as mentiras históricas de que os “brancos” entravam no interior do continente para “caçar negros”, ou se conta a verdade de que os escravos eram comercializados por reis africanos, em entrepostos no litoral, onde a “mercadoria” era vendida tanto para árabes (Oceano Índico) como para europeus (Oceano Atlântico). Os europeus só começaram a se estabelecer no interior da África no século XIX. Isso é mais do que comprovado. Primeiro os franceses na Argélia, em seguida os bôeres penetrando no sul da África, a partir do litoral que ocupavam, estabelecendo suas pequenas repúblicas no interior, enquanto os ingleses passavam a ocupar as regiões costeiras. A famosa partilha da África entre as potências européias só se deu no final do século XIX, quando o Império Otomano já estava em declínio e em retrocesso no Norte do continente.

O maior inimigo dos negros foram os negros de outras etnias. Isso ainda continua a ser verdade, basta ver as guerras em todos as partes do continente. Nigéria (desde Biafra até os recentes massacres de cristãos por muçulmanos), Burundi, Ruanda, Etiópia, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc., etc..  Aliás, se for para fazer um retrospecto, os escravos etíopes que havia no antigo Egito já eram relatados há milênios.

Será que isso tudo é ensinado nas aulas sobre África nas escolas brasileiras?

Será que Zumbi é o herói que os brasileiros de cor de pele negra merecem? Bem, se for como Macunaíma para os brasileiros de pele branca, então pode ser que seja válido. Acho, porém, que os brasileiros merecem heróis com caráter, independentemente da cor da epiderme.

Essa história feita de estòrinhas revanchistas e “revisionistas” poderia ser um pouco mais séria e ter um pouco mais de pesquisas.
Aliás, é sempre bom lembrar que as práticas escravocratas surgiram há aproximadamente 11 mil anos, quando teve início a ocupação de pessoas com agricultura regular. Só começaram a ser questionadas no século XVIII, com o Iluminismo. Não fossem os filósofos europeus, a escravidão seria ainda vista como algo natural em todo o mundo.

Por falar nisso, é bom rever a entrevista de Morgan Freeman sobre “mês da história negra”, e outras mais:

http://youtu.be/qAQneXfkZFk

http://www.youtube.com/watch?v=qAQneXfkZFk&feature=youtu.be

Quando se comemora o dia da consciência nipo-brasileira? E o  do árabe-descendente? Ou do greco-brasileiro? Sem deixar de mencionar, é claro, o dia do ítalo-brasileiro.
Eles não contam? Só os “negros” que, na maioria, são originários da miscigenação com os antigos lusitanos?

Fosse feita uma pesquisa entre os “negros”, teríamos um porcentual de descendentes de europeus maior do que a “mestiçagem” propalada dos”brancos”, afirmada por ociólogos e antropo-ilógicos, sem análise que ultrapasse a amostragem da população brasileira da primeira metade do século XIX.
Esses “intelectuais” aí querem tanto falar de “mestiçagem”, mas são favoráveis ao levantamento de um “muro” separando etnias no Brasil. Bem típico de certos grupos políticos.
Muitos deles afirma(ra)m que “todo brasileiro tem um pé na senzala”. Esquecem, porém, que “todo brasileiro tem um pé na sala”, se a “mestiçagem” é tão categórica.
Se há tantos mestiços, é claro que descendem de um grupo E de outro, às vezes mesmo de três, levando-se em conta avós.
Eu mesmo tenho avós e bisavós de quatro diferentes nacionalidades, origens e costumes, além de continentes diferentes. Todos abrasileiraram-se e eu sou exatamente isso: brasileiro, e gosto desse adjetivo. Um de meus avôs era tão pobre que em sua certidão de batismo constava que “deixavam de ser cobrados os emolumentos paroquiais, dada a condição financeira da família“.
Um dos bisavôs (de outro ramo) era de família que tinha vindo fazer aquilo que hoje em dia se chama “trabalho degradante semelhante a escravidão”. Dívidas em cima de dívidas contraídas por patrão trambiqueiro, embrulhão e tudo mais. Se a família dele era pobre no início, ficou mais pobre depois de trabalhar com esse patrão.

Ah, só para deixar claro: o assunto aqui é Zumbi, o herói sem nenhum caráter, irmão de Macunaíma.
Não estou a falar de cotas, nem de bolsas, nem de políticas de inclusão. Isso é uma outra conversa MUITO diferente.

Brasil, Egito, Turquia, tudo a mesma coisa…

o que interessa é depredar, enquanto diz que “protesta”

Melhor arrumar outra maneira

Os jornais de ontem que publicam a coluna de Elio Gaspari registraram o Aviso:

Está acabando a paciência da opinião pública com manifestações de duzentas ou trezentas pessoas que bloqueiam o trânsito, prejudicando milhares de outras.

Neste último fim  de semana, os tais manifestantes profissionais marcaram uma manifestação via “redes sociais” (ai, pausa para o tédio…) em frente da residência oficial do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Das milhares de pessoas que “tinham confirmado” compareceram, no ápice da manifestação, 15 gatos pingados (e mascarados), dos quais apenas 6 (isso mesmo, SEIS) ficaram durante as horas subseqüentes.

Já escrevi certa vez aqui que as manifestações contra Renan tinham de ser realizadas em Alagoas, onde estão seus eleitores, bem como os eleitores de outro conhecido senador. Uma ex-leitora do blog ficou indignada, pois não eram os alagoanos que tinham eleito Renan para a presidência do senado, mas seus pares. Escreveu que vale a forma das manifestações. Apenas respondi que, para essa geração de manifestações subsidiadas, o que vale é mesmo a forma, visto que o conteúdo é algo com que não se preocupam.

Na semana passada, um jornal de São Paulo (não me lembro exatamente qual), publicou uma matéria de que os “manifestantes” tinham se perdido no Centro de São Paulo, pois não sabiam onde ficava o terminal do ônibus que passa próximo à Assembléia Legislativa estadual. Claro, os “manifestantes” “chapa branca” não costumam usar ônibus.

Depredar equipamentos públicos das ruas, lojas e bancos, certamente é o contrário do que a população quer. Se em junho as milhares de pessoas se espalharam pelo país protestando por melhor serviços, esses “formalistas” apenas contribuem para que os serviços sejam ainda piores. Incendiando ônibus, retiram de circulação os já insuficientes veículos, super-lotados, e “de quebra” ainda darão a oportunidade para que as tarifas tenham de ser majoradas, em futuro próximo, pois o valor do seguro certamente será majorado.

Como cantava Zé Ramalho, povo marcado, vida de gado, vida feliz.

Melhor que os “manifestantes” arrumem outra maneira de “se revoltar”. Preocupem-se mais com o conteúdo do que com a forma. Os exemplos tunisianos, turcos, e egípcios não são exatamente um bom modelo a ser copiado. A menos que queiram oferecer justificativas para repressão no mesmo molde.

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