Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘engenharia’

arquitetura e engenharia

Após o desabamento de parte de viaduto no Eixão Sul, em Brasília, hoje, o desgovernador Enrollemberg disse que Brasília está envelhecendo, que faltou manutenção.

É verdade, brazylha é uma cidade velhíssima. A mais velha do mundo, desde sua inauguração em 1960.
Teatro Nacional interditado, prédios residenciais com probleminhas de terra encharcada desabando sobre estrutura de garagens, pontes com rachaduras, incêndio elétrico no plenário da Câmara dos Deputados (infelizmente durante o recesso).

Enquanto isso, a velha catedral de York, desde 1230, ou Alhambra dos mouros em Granada, ou …  ou … ou … estão inteiras.
Por que será?

Lembra dos desabamentos em Belo Horizonte (Gameleiras, viaduto Guararapes, … ) ?
E do elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro?
Viaduto em Fortaleza?
etc. etc.

Tudo ficou “comprometido”, fosse durante a obra ou depois, por falta de manutenção.

Pior é que há muita gente que elogia a genialidade da arquitetura brasileira, e a capacidade da engenharia nacional.
Quem paga a conta…

Sem dúvida York, Granada e outros tantos monumentos resistirão após o final da humanidade.
Já a tão decantada arquitetura e engenharia brasileiras não duram mais do que 50 anos…

Anúncios

obras…

1461259624431

A imagem é realmente muito feia.

Só que, em se tratando das empreiteiras e da corrupção política, associadas com a pressa de entregar “cartões postais” em época de festas, já não causa mais surpresa.

Isso nem pode mais pode ser chamado de desastre, pois se espalha por todos os Estados.

braziuziuziuziuziu!!!!!

Ah, mas tinha alvará…

Ontem uma academia de ginástica explodiu e provocou umas tantas mortes e uns tantos feridos em São Bernardo do Campo.

A prefeitura já informou: ah, mas tinha alvará

Bem, vale tudo o que escrevi, há um ano e tanto, quando houve o incêndio da boate em Santa Maria.

Este país de corruptos e “dotôs” prefere acreditar mais nos poderes mágicos da papelada burocrática e jurídica, do que nas leis da física, como as de resistência de materiais,  e da ineficácia das gambiarras, e outras tantas.

Como esses leis da física, que não foram votadas pelos ilustres edis e deputados, ousam contrariar a indústria de impostos e de taxas?
Ou será que o alvará foi concedido após alguma liminar?

 

segurança para pedestres

Para sua segurança, pule a grade! Foto0015É imbecilidade ou alguma outra coisa?

Alvarás

De repente, por conta do incêndio em Santa Maria, a população brasileira ficou ouriçada com o fato de que alguns estabelecimentos trabalham com alvarás vencidos.

O alvará venceu!!!

E daí?

Por causa disso as condições se alteraram? Houve deterioração de alguma coisa, além da data em um papel emitido por algum burocrata que nunca tirou o traseiro da cadeira?

Aqui em Brasília, alguma ótóridade da Agefis (uma coisa que só serve para emitir multas) disse que eles se preocupam com a papelada. Literalmente disse isso: o que importa é a papelada, e lògicamente, também, as taxas que têm de ser pagas para encher os cofres públicos, para abastecer as muitas máquinas de enriquecimento ilícito, mesmo porque, se faltar alguma coisa, dá-se um jeitinho.

Alguém se preocupa em checar in loco o que está escrito no tal processo de liberação de alvarás? Que é isso, ‘xáprálá, mermão.

E por acaso, um mês depois de concedido o bonito alvará, por acaso algum fiscal (seja lá de que órgão seja, inclusive bombeiros) passou por lá para verificar se as condições indicadas no tal processo de liberação de alvarás foram mantidas? Ou aquilo tudo era “só pra inglês ver”?

Terra do faz de conta.

De repente, em clima de histeria coletiva, manipulados por uma imprensa sensacionalista, milhões de delinqüentes sociais, os chamados brasileiros, começam a reclamar que o alvará estava vencido.

Por acaso o alvará vencido provoca diarréia? Alvará é igual a iogurte?

Mais uma coisa, ouvi agora de manhã no rádio, que em Brasília 40% das casas noturnas funcionam com a abertura autorizada por LIMINARES, uma indústria muito lucrativa.

Claro, qualquer juizeco que nunca saiu do clube e da vara é capaz de verificar toda a papelada, para indicar que um estabelecimento pode funcionar, por estar de acordo com todas as normas exigidas em leis, decretos, regulamentos, e uma dose de achismos. Claro está que, se houve a necessidade de concessão de liminares, essas exigências não estavam plenamente satisfeitas.

No final da história, tudo fica bonitinho no papel, e é apenas isso o que interessa para este paiseco de bacharéis. Ver a realidade, apalpar os materiais e seus entretantos, ah, isso é muito chato. Serviço p’ra peão, nunca para dotô.

Ainda bem que estamos ampliando o número de universidades, sem qualidade, mas isso é um mero detalhe. Imaginem quantos outros idiotas conseguirão seus canudos para se tornar ótóridades.

O que interessa são os papéis.

Ônibus (e também bondes)

Sei lá porque, me lembrei da linha de ônibus que tanto utilizei: Cidade Universitária – Largo da Concórdia, e seu “colega”, o Cidade Universitária – Jaçanã.
Eu sempre dizia Concórdia e Jaça, mas meus amigos que moravam em Pinheiros diziam nove-dois-nove e nove-quatro-dois, os números das linhas.
Era uma coisa acho que da região mesmo. Eles diziam sete-quatro-um, e eu dizia General Osório; eles, sete-quatro-três, e eu, Xavier.

Ninguém, na Lapa, onde eu morava, costumava dizer os números das linhas.
Eram Anastácio, Pio XI, Leopoldina, Vila Hamburguesa, Vila Romana, Vila Zatt, Vila Anglo, Boaçava, Ipojuca, Sumarèzinho (com o necessário acento grave), Casa Verde, Santana (o que passava perto da José Paulino), e o famoso Penha-Lapa, que, este eu sei o número, era o 400, subdividido em vários itinerários: via Praça Clóvis, via Mercado, via Celso Garcia, via Radial Leste, e depois até mesmo via Marginal. Depois, para essas variações todas deram números diferentes, que não me soam nada.

Os pinheirenses diziam meia-zero-um, meia-zero-dois e meia-zero-quatro, e eu lia Jardim Europa, Jóquei e Jardim Paulistano. Eram os ônibus elétricos que passavam pela Rua Augusta.
Alguém na Lapa sabia o número da linha de elétrico Machado de Assis – Cardoso de Almeida? Claro que não, era apenas o elétrico das Pedizes!

Muitas linhas de ônibus desapareceram há mais de 30 ou 40 anos!
Havia o Fábrica – Pompéia (via Centro) e “irmão” Fábrica – Pinheiros (via Brigadeiro, que era única e exclusivamente o Luís Antônio). Fábrica, hoje em dia, sophisticadamente, só chamam de Sacoman…
Lapa – Cambuci foi outra que sumiu há muito tempo; passava pelo Centro e pelo Glicério.

Ainda existe o Lapa – Vila Mariana (que antes se estendia até o Jabaquara), e que faz o antigo percurso dos bondes. Rua Guaicurus, Avenida Angélica, Avenida Paulista, Rua Domingos de Morais, embora hoje em dia ela tenha uma versão “moderna” que passa pela Avenida Sumaré, por isso tem a letra H (de Hospital das Clínicas), enquanto que a outra, tradicional, tem a letra T, de Rua Turiaçu.
Também sobrevive o Lapa – Santo Amaro, que vai até o Socorro, que era o 933, e virou 888, e hoje em dia é 856-R-sei-lá-o-que-mais.

Como alguém pode saber as sopas de letras e de números para tomar os ônibus? Viraram verdadeiros códigos secretos da autarquia que cuida dos ônibus em São Paulo. Até a CMTC já mataram…
As linhas de ônibus que um dia conheci nem existem mais. Muitos trajetos têm de ser feitos a pé, onde antes havia ônibus que percorriam ruas secundárias de bairros.

Ah, sim, meu avô, quando precisava comprar material elétrico, pegava um ônibus até o Centro (até a Cidade, como se dizia), depois outro até “Bertioga”, a Vila Bertioga, que agora só chamam de Água Rasa, porque lá havia lojas mais baratas. Várias vezes eu e meus primos fomos com ele fazer esse “passeio”. Vale lembrar que naquele tempo velho pagava passagem de ônibus, então, para compensar essa aventura, os preços na Vila Bertioga deviam ser mesmo bem mais baratos do que na Zona Oeste.

Jä que falamos de bondes, fica para os curiosos saudosistas  a relação das linhas de bondes em 1954, disponível no link que assinalei.

A última linha, a de Santo Amaro, foi extinta em 1968.  Hoje em dia, os afrescalhados engenheiros de transporte chamam os bondes de VLT; uma forma de não admitir que eles apoiaram a retirada dos bondes das cidades brasileiras naquela época de “modernidade” dos automóveis.

universidade para todos – universidade para poucos

No Brasil, pais acham que os filhos e as filhas devem ser ricos. Entenda-se como isso que os meninos deverão ser famosos jogadores de futebol, e as meninas as mais badaladas modelos. Estudar é coisa de gente sem “dotes naturais”, que quer de alguma forma subir na vida e virar “dotô”, se possível para prestar um concurso público, para ser um medíocre burocrata engravatado ou enjalecado.

Vimos nos últimos dias que, no primeiro exame pós-conclusão do curso universitário feito especìficamente com egressos das escolas de medicina do estado de São Paulo, mais da metade não tinha conhecimentos suficientes para exercer a profissão. Um dos motivos: a profusão de escolinhas de fundo de quintal que proliferaram feito cogumelos. Faculdades de medicina sem hospitais universitários, sem laboratórios, sem cadáveres para estudo, e, acima de tudo, sem vergonha. Basta passar no vestibular e ter o dinheiro para pagar as mensalidades, que o aluno se tornará um profissional da saúde. O MEC ainda diz, cìnicamente, que não é sua responsabilidade a existência dessas “fábricas de médicos”.

Para que se preocupar com as pessoas que serão atendidas por esses médicos? Além do que, para ganhar dinheiro, boa parte deles se dedicará a cirurgias plásticas estéticas, ou serão obstetras, uma mera coincidência. Uma mera coincidência com o número de operações inúteis que proliferam no país recordista em cesarianas, e em segundo lugar em plásticas enfeadoras e assassinas.

Uma matéria da BBC relatou que faltam profissionais em muitas áreas no Brasil, que deveriam ser enfatizadas, onde mais de 20 mil postos de trabalho, apenas no setor engenharia, ficam desocupadas porque faltam profissionais qualificados.

Mas faltam também muitos profissionais em categorias profissionais que são simplesmente ocupadas por “curiosos”, desde motoristas a profissionais de tecnologia, quando deveria ser exigida qualificação específica para os ocupantes das funções.

A matéria menciona a enorme falta de técnicos de vários setores – automação, edificações, eletrônica, indústria de alimentos e de bebidas.
Em seguida vem a carência de trabalhadores de ofício manual – costureiras, passadeiras, sapateiros, eletricistas, pintores, encanadores (bombeiros hidráulicos, em dialetos não paulistas) e pedreiros.
Faltam engenheiros, como já mencionado, e também geólogos. Não apenas para trabalhar na estatal de petroleo.
Motoristas são poucos e mal formados. Sem contar a exploração por empresas sem qualquer noção da seriedade das tarefas desses profissionais. Estatísticas de mortes dos profissionais das rodas são alarmantes.
Para a maior parte dessas profissões não são necessários cursos longos, mas um curso de treinamento – que nunca poderia ser um cursinho meia-boca de uma quinzena.
O problema é que no Brasil não se faz nem uma coisa nem outra.
Criou-se o mito de que todas as pessoas devem ter título universitário. Um direito, não uma opção a que se chegaria pelo mérito. Para isso, basta criar dezenas de faculdades – privadas (de amigos políticos) ou públicas (excelente forma de empreguismo).
Curioso, mas alguns países pouco desenvolvidos, como a Alemanha, têm uma prática diferente. Os alunos necessàriamente têm de obter boa qualificação nos estudos ao longo de todo o curso fundamental e médio. Tendo se qualificado nesse período (com provas, que podem até mesmo criar “traumas nos pobres coitadinhos frustrados“, e não com aprovação automática, como se faz onde o ensino de matemática e de linguagem não serve para quase nada), eles podem concorrer a uma vaga em uma universidade.
Não tendo obtido a qualificação, vão a cursos técnicos (Ausbildung, com duração de três anos), onde se formarão em padeiros, carpinteiros e tantas outras profissões, que no Brasil simplesmente se aprendem “de orelhada”.

É a diferença que temos entre a demagogia da universidade para todos, e os países onde a universidade é para poucos, para os mais qualificados.
Os governos brasileiros preferem abrir universidades de fundo de quintal, do que melhorar à milésima potência o ensino fundamental e médio. A opção de ser o primeiro entre os piores.

Nuvem de tags