Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘ética’

Indenização a antigos escravos

Fuçando arquivos velhos, encontrei este  artigo da revista Nossa História, nº 31 (maio 2006), página 71, que publicou carta de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, a Condessa d’Eu, mais conhecida por nós, na intimidade, como Princesa Isabel.

 

“11 de agosto de 1889 – Paço Isabel

Corte – midi

Caro Senhor Visconde de Santa Victória

Fui informada por papai que me collocou a par da intenção e do envio dos fundos de seo Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do anno passado, e o sigilo que o Snr. pidio ao prezidente do gabinete para não provocar maior reacção violenta dos escravocratas. Deus nos proteja si os escravocratas e os militares saibam deste nosso negocio pois seria o fim do actual governo e mesmo do Imperio e da caza de Bragança no Brazil. Nosso amigo Nabuco, além dos Snres. Rebouças, Patrocínio e Dantas, poderam dar auxilio a partir do dia 20 de Novembro, quando as Camaras se reunirem para a posse da nova Legislatura. Com o apoio dos novos deputados e os amigos fiéis de papai no Senado será possivel realizar as mudanças que sonho para o Brazil.

Com os fundos doados pelo Snr. teremos oportunidade de collocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas proprias trabalhando na agricultura e na pecuaria e dellas tirando seus proprios proventos. Fiquei mais sentida ainda ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seos bens, o que demostra o amor devotado pelo Snr. pelo Brazil. Deus proteja o Snr. e toda a sua familia para sempre!

Foi comovente a queda do Banco Mauá em 1878 e a forma honrada e proba, porém infeliz, que o Snr. e seu estimado sócio, o grande Visconde de Mauá aceitaram a derrocada, segundo papai tecida pelos ingleses de forma desonesta e corrupta. A queda do Snr. Mauá significou huma grande derrota para o nosso Brazil!

Mas não fiquemos no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar mais hum pouco. Pois as mudanças que tenho em mente como o senhor já sabe, vão além da liberação dos captivos. Quero agora dedicar-me a libertar as mulheres dos grilhões do captiveiro domestico, e ísto será possível atravez do Sufrágio feminino! Si a mulher pode reinar também pode votar!

Agradeço vossa ajuda de todo meo coração e que Deos o abençoe!

Mando minhas saudações a Madame la Vicomtesse de Santa Victória e toda a família.

Muito de coração

Isabel”

 

Pois é, Isabel Cristina de Bragança, Orléans pelo casamento com o Conde d’Eu, pensava em indenização aos ex-escravos (coisa de que agora falam amiúde), em reforma agrária (até hoje não feita) e em reforma política (inclusive com o voto feminino, que só veio a ser implantado no Brasil em 1932).

Como ela mesma apontava, “se os republicanos, escravocratas e militares” soubessem dos planos da Princesa, acabaria aquele governo.

E não por acaso, cinco dias antes de iniciar uma nova legislatura, o que ocorreria em 20 de novembro de 1889, a quartelada depôs o governo e instituiu a “república”, aristocrática, corrupta, oportunista, positivista, atrasada e tudo mais.

Ainda não superamos este trauma.

E ainda vamos passar muitos anos mais no atraso.

Ah, mas não ficou só nisso, além de terem impedido as medidas modernizantes que Isabel queria implementar no país, é comum que se lance a ela a pecha de ter atirado à rua os escravos libertos, enquanto louvamos como “herói” um outro cidadão, que destruiu os documentos.
Já vi comentário de um “cidadão” de que “não há provas disso”.  Pois é, se literalmente houve queima de arquivo, como pode haver as tais provas?
Queimar papel é mais grave do que apagar disco rígido de computador…
Aliás, sobre esse “herói”, ouvi relatos interessantes de neto de uma pessoa que, no comércio do antigo Rio de Janeiro, levou calotes do grande “jurista”. E ainda usam o nome do herói como exemplo de ética…

Fora outros “teóricos” que gostam de caluniar Pedro II, dizendo que ele “traiu” Mauá.
Isso fica para outro post.

Quanta lavagem cerebral que temos de tolerar nos tempos da “idade da informação”.
Quanta deformação!

Em tempo: leiam o artigo sobre o templo positivista que inseri no link, uns parágrafos acima.
Serve para dar uma “refrescada” sobre o quanto era “positivo” o pensamento de Augusto Comte…

 

 

 

 

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Desabafo

Ontem por whatsapp, recebi este desabafo de uma prima, que mora em São Paulo:

Esta semana realmente foi muito singular em minha vida: fui feita de boba, enganada, roubada, traída…. (muitas outras coisas aconteceram que não posso abertamente falar mas cada um que contribuiu para isso sabe o seu quinhão).
Tudo isso me fez pensar porque estas coisas aconteceram, qual a origem destes fatos?
E a resposta que não sai da minha cabeça é: VALORES.
FALTAM VALORES EM NOSSA SOCIEDADE.

Esta semana duas notícias em particular me CHOCARAM: um pequeno filhote de cachorro de 19 dias teve o seu pênis AMPUTADO para ser vendido como fêmea.!
Como assim? Para ganhar R$ 200 ou R$ 300 a mais amputa-se sabe-se lá em que condições o pênis de um bichinho!!!! E o que é pior, deixaram o bichinho doente, sem condições de urinar, pronto para a morte.

A segunda notícia quando li, acreditei em mais uma das lendas da internet. Não conseguia acreditar que isso poderia ser dito por alguém, em que pese ter tido uma qualificação acadêmica deficiente (será que teve?!), e que um dia governou este país por 8 anos.

Disse o dito molusco: “A profissão mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado, não. Ele se forma numa universidade, faz um concurso e está com o emprego garantido.”
Como assim? É permitido que um político seja ladrão? Isso é normal? Isso é ético?
Desmerecer alguém porque estudou, se preparou e passou em uma prova para exercer o serviço público?!?!

Quem fez a lei que um concursado não pode ser dispensado se não estiver prestando o serviço que a sociedade necessita? Se está certo ou errado não cabe a mim dizer.

Sou concursada sim e duas vezes. Mas cresci nas empresas em que trabalhei em função do meu esforço, da minha vontade de crescer e de ganhar mais. Todo dia acordo e chego ao meu trabalho com a vontade de dar o melhor de mim e de entregar todo o potencial que tenho e posso dispor. Mas não vou generalizar. Cada um sabe o que faz de sua vida.

Meu post hoje é em função da falta de valores em nossa sociedade.
A criminalidade cresceu porque? Porque o adolescente tem hoje valores distorcidos.
Porque o ter é muito mais importante do que o ser.

Fui assaltada por uma gangue de mais de 10 jovens em busca de qualquer coisa que pudesse acabar com a fissura por uma droga cujo efeito deve durar no máximo por meia hora. Mas o trauma que me causou com certeza vai durar muito tempo.

Hoje o jovem quer o celular da moda, o tênis top, a roupa de grife.
Mas e se seus pais só tem o dinheiro para colocar a comida na mesa. Esse adolescente não pode trabalhar, se alguma empresa o contratar para ser um aprendiz poderá ser multada em  valores estratosféricos.

Vocês podem me afirmar que existe o programa do menor ou jovem aprendiz.
Sim existe, mas quantas vagas estão disponíveis? Quanta burocracia existe para esta contratação ocorra? Quantas exigências existem para a micro e pequena empresa possa atender para aproveitar esta mão de obra?

Há uns meses atrás me deparei com a seguinte situação: um terceirizado deveria ser dispensado. Meu coração apertado me dizia para ajudar esta profissional, já que tinha alguns filhos para criar. Ao perguntar se queria ajuda para uma recolocação profissional ouvi que ia descansar uns meses pois teria a ajuda do seguro desemprego!!!

Postei sobre a devolução do meu celular e viralizou na cidade onde a pessoa mora. Essa que deveria ser uma atitude normal  é reconhecida como  uma atitude única num universo onde a lei de “Gerson” prevalece.
Aliás, Gerson que foi um jogador de futebol que jogou e ganhou na copa do mundo de 1970 nunca mais conseguiu fazer uma propaganda pois seu nome virou uma lei de um valor distorcido de nossa sociedade.

No final de semana passado, o local do meu trabalho foi vandalizado. Olhando as imagens é inacreditável o que vi.
Crianças e adolescentes, andando na madrugada de segunda-feira (03;20 hs) como se estivessem no calçadão de Copacabana. Mas estavam no centro velho de São Paulo, onde não existe absolutamente nada para ser feito. E andavam, olhavam para  uma janela de vidro e simplesmente resolviam esmurrar, chutar, bater. Porque? Por nada!!!! Pelo prazer da destruição!!!

Ao invés de vermos a união da sociedade, entrando em uma escola para pintar suas salas, consertar um telhado com vazamento, ou fazer uma comida decente para as crianças, vimos pais e alunos desrespeitando os professores, que com seus salários achatados estão ali por amor.

VALOR!!!! É na família que transmitimos os valores.
Honestidade, Amor ao próximo (ao Homem, aos animais, ao meio ambiente), Responsabilidade, Verdade, Responsabilidade e outros tantos que deixaram de existir.

Não tenho intenção nenhuma de mudar o mundo. Não tenho intenção nenhuma de estar certa, pois só quero ser feliz.
Mas tenho certeza que conseguiria ser mais feliz se vivesse em um mundo onde a ética e os valores prevalecessem….

Coloque o desabafo dela aqui no blog, pois gostaria que outras pessoas o pudessem ler.

 

O despreparo da geração mais preparada

Em função do post “a nova classe trabalhadora“, enviaram-me este artigo de Eliane Brum, publicado na revista Época:

“A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada”

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustido porque um dia ela acaba.”

 

propagandas em sites de notícias

O site especializado Reclame Aqui divulga, periòdicamente, as empresas com maior número de reclamações, por categoria.

O curioso é que a maior parte delas são as campeãs em pop-ups e outros tipos de propagandas nos sites de notícias.

Além de serem quase sempre as mesmas empresas, em cada listagem, são as que mais gastam com propagandas, com stands de promoções em shopping centers, e coisa e tal.

Acho estranho esse código de defesa do consumidor, os tais procons (que tanto se preocupam em multar empresas que não pintam em suas fachadas o número do telefone 151, como é lei aqui no DF), o tal ministério público (mistério), e tudo mais, dizerem que “a liberdade de expressão não pode censurar, cercear, etceterar a propaganda”.

Mais ainda, acho absurda a falta de ética das empresas de jornalismo (sim, são empresas, preocupadas com o lucro, e não com a informação), que aceita de muito bom grado as propagandas, mesmo que publiquem, em pequenas notas,  que tal e tal firma costuma dar calote nos consumidores.

Afinal de contas, um imóvel é algo “muito barato“, claro, e se alguém não gostar dele, pode trocar, como um sorvete.
Se há milhares de pessoas que não conseguem a escritura, por conta das irregularidades nas obras, isso não é culpa dos divulgadores de propagandas.
Cai no conto do vigário quem quer, na visão de quem divulga os anúncios.
Para essas empresas de jornalismo, pouco importa se a falta de ética do comércio de anúncios (e dos anunciantes) se aproveita da falta de informação do público.

Consumidor existe para consumir, até mesmo na cabecinha dessas jornalistas que falam tanto em “socialismo”, e “distribuição da renda”, de “desigualdades sociais”.

Direitos? Ora, o direito do anunciante é maior do que o direito do consumidor, sempre foi assim…
O anunciante faz circular dinheiro no mundo da publicidade.
Aquele mundo tão especial, que faz girar dindim no mundo dos Caixas Dois…

Direto da bolsa do canguru

Transcrevo mensagem de correio eletrônico que recebi de uma amiga:

Estou em Melbourne até janeiro.
Minha filha mora aqui e vai se casar com um australiano.
A escolha foi dela.
Com o meu apoio, claro.
Veio para cá fazer um curso de inglês e acabou ficando.
Como tudo estava fluindo, fiquei receosa de interromper o fluxo e patrocinei (matrocinei) a faculdade.
Agora ela é advogada aqui.
Muito diferente a cultura do país.
Imagine que mentir é quase pecado.
E que se fala a verdade em geral, mesmo que seja um pouco anti-social.
Nada de cordialidades.
Já escutei cada uma aqui…
Por exemplo, uma vez pedi um favor para uma pessoa conhecida (meio parente) e ele respondeu: I don’t like to be used.
Fiquei com cara de tacho para dizer o mínimo, coloquei a viola no saco e calei a boca.
Depois eu conto outras.

E então, sentiram alguma diferença no comportamento dos australianos com relação aos do Atlântico Sul?
Não se esqueçam de que a Austrália também fica ao sul da linha do equador, e que foi colonizada por presos degredados enviados da Inglaterra.
Há muito tempo, escrevi um post, aqui mesmo, sobre a fôrça de alguns países, e a fraqueza de outros.

comparações entre dois países

Inflação anual: (ref. jul/2014)
– Alemanha: 0,80% a.a. – (maior registrada: 11,54%)
– Brasil: 6,50% a.a. – (maior registrada: 6.821,31%)

Inflação de alimentos: (2014)
– Alemanha: zero%
– Brasil: 7,69%

PIB: (2013)
– Alemanha: 3634,82 bilhões de dólares (80 milhões de habitantes)
– Brasil: 2245,67 bilhões de dólares (201 milhões de habitantes)

taxa de crescimento do PIB (março 2014)
– Alemanha: 0,80%
– Brasil: 0,20%

PIB per capita (dezembro 2013)
– Alemanha: 38.291,62 dólares
– Brasil: 5.823,04 dólares

imposto previdenciário pago pelo empregador (percentagem do salário):
– Alemanha: 19,28% (janeiro 2013)
– Brasil: 28,80% (janeiro 2014)

balança comercial (milhões de dólares):
– Alemanha: 16.500,00 (junho 2014)
– Brasil: 1.575,00 (julho 2014)

taxa de juros:
– Alemanha: 0,15% (agosto 2014)
– Brasil: 11,00% (julho 2014)

prêmios Nobel:
– Alemanha: 103
– Brasil: zero

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Acrescentaria ainda um detalhe:

o fato de o primeiro povo ser pontual e preocupar-se com os compromissos assumidos, enquanto o segundo, além de não saber a utilidade de agenda e relógios, tem matéria fecal na caixa craniana. Esse aí ainda tem a característica de debochar de que não é “tão ischpérto”.

A morte é um dia que vale a pena viver

Vale muito a pena ver esse vídeo de uma profissional, sobre cuidados paliativos para quem está à beira da morte.

Ana Cláudia Quintana Arantes, médica, em um evento TED – Faculdade de Medicina da USP.

http://www.youtube.com/embed/ep354ZXKBEs?rel=0

 

Todos morremos um pouco todos os dias.

O sofrimento – físico, emocional, social, familiar, espiritual – é que pode ser aliviado.
Inclusive em respeito à pessoa que está prestes a deixar esta vida que conhecemos.

A morte é um dia que vale a pena viver.

Uma lição para todos nós.

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