Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘ficha-suja’

Fusão de municípios – parte 2

Uma outra matéria da Gazeta do Povo paranaense, continuou com o tema sobre a proposta do tribunal de contas estadual para que haja fusão de municípios.

A matéria começa com:

Além do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, ninguém parece achar uma boa ideia a fusão de municípios no estado.

Como demonstram, porém, os comentários dos leitores (aqueles que foram publicados, pois, como sabemos, os jornais selecionam os que podem ou não ser publicados), quem não acha uma boa idéia são os políticos, não os pagadores de impostos para essa tralha burrocrática que corrói o país com tanta corrupção.

Mas isso é apenas um detalhe.

Nunca podemos esquecer que, apesar de a população ter entusiàsticamente apoiado a proposta da Ficha Limpa, vemos que nada foi aplicado. Ou será que tantos prefeitos e vereadores condenados e até presos, tomando posse no início deste ano, não são provas mais do que suficientes para demonstrar que o povo é apenas um mero detalhe. O sistema é muito “mais aprimorado” do que pensa essa reles camada de contribuintes chamada população.

Até que um dia, quem sabe, ocorra uma Queda da Bastilha em terras tupinambás…

Alguns fatos dissonantes

Na Tailândia, a mulher do príncipe herdeiro perdeu o título de nobreza e recebeu um pontapé no traseiro, depois de comprovado que os parentes da recém-re-plebéia eram culpados de corrupção e já estão presos.

Na Espanha, a princesa (infanta) Cristina (feia feito a mãe) vai ser julgada por corrupção com o marido – e há pressão para que ela renuncie a seus direitos dinásticos. O casal vive na Suíça, e movimentou alguns milhões de euros por meio de uma ONG, antes de surgir o escândalo.

Também na Espanha, a cantora lírica Montserrat Caballé foi presa, por sonegação fiscal e falsa declaração de domicílio. Apesar de velha e doente, conhecerá o xilindró.

Na Califórnia, o tribunal recusou levantar o processo por pedofilia contra o réu confesso (suposto, como diriam os jornalistas brasileiros) Roman Polanski, apesar de mais de 40 anos já terem se passado desde então. O crime não prescreveu.

Em outro país, um político procurado pela Interpol foi considerado ficha-limpa e teve garantida a diplomação como deputado pelo tribunal eleitoral. Sobretudo porque a lei tem de defender os velhinhos que que não terão tempo de vida suficiente para se arrepender o mal que fizeram (os tais malfeitos).

Também nesse outro país, um bom lote de milhares de bandidos perigosos teve o indulto presidencial de fim de ano. Avalia-se que um deles poderá um dia ser candidato a presidente.

 

Febeapá

Terminou ontem o festival de besteiras que assola o país, o famoso febeapá, coroada com a “grande festa DEMO-crática” que não tira o país do atoleiro.

A sujeira de santinhos nas ruas é o mesmo que a sujeira que os diabinhos farão a partir de janeiro nos legislativos, com seus eternos capitães hereditários, e também os artistas e religiosos de reputação duvidosa entre eles.

Assim naufraga o país.

Mulher é parente?

Três cãesdidatos a governador – DF, MS e RR, todos “ficha-suja”, desistiram de concorrer às eleições e colocaram as respectivas mulheres para substituí-los nas chapas. Pena que não chapa para fritura real, como ocorreu com São Lourenço de Huesca.

HorRoriz já tinha feito isso em 2010, também aqui no DF.

Não sei se, nesses casos, o melhor seria a aplicação da Lei Leonor da Aquitânia, ou da Lei Maria Antonieta (guilhotina para ambos).

Ou, como diria um antigo ídolo dos “morros”, mulher não é parente.

Fórmula para melhorar o Brasil

Podem ser eleitores:
os maiores de 35 anos, e menores de 70 anos,
com curso superior completo,
e renda individual igual ou superior a 5 salários mínimos.

Podem ser candidatos:
os eleitores quem nunca foram condenados pela justiça (mesmo que em primeira instância),
os eleitores que nunca tenham sido fotografados usando boné com a aba virada para trás.

Eleitores e eleitos

Li uma matéria no Correio Braziliense (cujo link não encontrei para inserir) sobre o voto obrigatório.

No Brasil, o voto tem sido obrigatório desde o Império. Obrigatório para quem era escolhido para votar: homens livres, com com mais de 25 anos, que usufruíssem de determinada renda. Essa seleção justificava o entendimento de que havia uma convocação para que o eleitor comparecesse à urna. Era uma “função” dos cidadãos “de bem” (e de bens).

Art. 91. Têm voto nestas Eleições primarias

        I. Os Cidadãos Brazileiros, que estão no gozo de seus direitos politicos.

        II. Os Estrangeiros naturalisados.

Art. 92. São excluidos de votar nas Assembléas Parochiaes.

        I. Os menores de vinte e cinco annos, nos quaes se não comprehendem os casados, e Officiaes Militares, que forem maiores de vinte e um annos, os Bacharees Formados, e Clerigos de Ordens Sacras.

        II. Os filhos familias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem Officios publicos.

        III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os Guardalivros, e primeiros caixeiros das casas de commercio, os Criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas ruraes, e fabricas.

        IV. Os Religiosos, e quaesquer, que vivam em Communidade claustral.

        V. Os que não tiverem de renda liquida annual cem mil réis por bens de raiz, industria, commercio, ou Empregos.

Art. 93. Os que não podem votar nas Assembléas Primarias de Parochia, não podem ser Membros, nem votar na nomeação de alguma Autoridade electiva Nacional, ou local.

Art. 94. Podem ser Eleitores, e votar na eleição dos Deputados, Senadores, e Membros dos Conselhos de Provincia todos, os que podem votar na Assembléa Parochial. Exceptuam-se

        I. Os que não tiverem de renda liquida annual duzentos mil réis por bens de raiz, industria, commercio, ou emprego.

        II. Os Libertos.

        III. Os criminosos pronunciados em queréla, ou devassa.

Art. 95. Todos os que podem ser Eleitores, abeis para serem nomeados Deputados. Exceptuam-se

        I. Os que não tiverem quatrocentos mil réis de renda liquida, na fórma dos Arts. 92 e 94.

        II. Os Estrangeiros naturalisados.

        III. Os que não professarem a Religião do Estado.

Art. 96. Os Cidadãos Brazileiros em qualquer parte, que existam, são elegiveis em cada Districto Eleitoral para Deputados, ou Senadores, ainda quando ahi não sejam nascidos, residentes ou domiciliados.

Art. 97. Uma Lei regulamentar marcará o modo pratico das Eleições, e o numero dos Deputados relativamente á população do Imperio.

Ao longo de constituições e reformas constitucionais, não necessàriamente coerentes, suprimiu-se o caráter censitário, reduziu-se a idade mínima, paulatinamente, dos 25 para os atuais 16 anos. A participação foi aos poucos franqueada a um número crescente de cidadãos: mulheres, militares, analfabetos, e detentos.

A “função” de ser eleitor deu lugar ao “direito” de ser eleitor. A escolha dos dirigentes deixou de ser feita por cidadãos aos quais o Estado atribuiu uma tarefa.

O “eleitorado de função” era obrigado a exercer seu papel, exatamente como conscritos têm de servir em alguma das Armas. A obrigatoriedade do voto estava, assim, justificada.
O “eleitorado de direito” tem a faculdade de escolher seus representantes. Quem diz faculdade não diz obrigação. Se obrigação for, não será mais um direito.

Discute-se, apenas entre “intelectuais” e “pessoas esclarecidas” a alteração do sistema, de modo a que, como em outros países, o voto seja facultativo. Sou a favor – em tese.
MAS, [porém, todavia, contudo, entretanto], quem postula isso parece ignorar que voto de cabresto existiu e continua existindo, sob fórmulas diversas. O par de sapatos ou a dentadura têm sido substituídos por um “vale”.
Os “esclarecidos” aproveitarão o domingo ensolarado para ir à praia, ou simplesmente anularão o voto, “em protesto”.
Os eleitores de cabresto cumpriram a tarefa a que foram encarregados.

Não é, portanto, o caso de “quem pode votar”, tão sòmente. Claro que sim o é em parte. Criar seções eleitorais em presídios e casas de detenção é algo inconcebível, até mesmo pelo mais sórdido rousseauniano.

O “buraco mais embaixo” não está no eleitor, mas em QUEM pode ser ELEITO.

Não me venha com a conversa de que “a lei da ficha limpa” blá-blá-blá e coisa e tal.
O anteprojeto que eu assinei não é o texto que foi aprovado por suas excremências “nossos” legisladores.

Enquanto o cãogresso decidir quem é ou não cassado, após julgamento “tramitado em julgado” (como adoram dizer os “direitistas”- o pessoal dos “deretchus”, não os da “direita” (*1)) , ou que de-formadores de opinião (clérigos ou leigos) indiquem quem “merece o voto”, e outras tantas coisas mais, melhor ficar como está.
Pelo menos reduz a chance de “unanimidade” com o comparecimento exclusivo de “valistas”, de “milicianos” ou de “aviõezinhos”, de “crentes” (2*) de qualquer seita, e outros brasileiros “comprometidos com a grande festa democrática”.

-=-=

*1 – o tal “PP – Partido Progressista” diz-se de “direita” mas faz parte da “base aliada” (alinhavada) com o governo de “esquerda” – desse partido fazem parte pessoas de uma disparidade impressionante – exatamente como é a regra dos trilhões de partidos que mamam verbas e repasses. A “base aliada” do PT inclui, portanto, até deputado do PP procurado pela Interpol. Tudo se encaixa…

*2 – crente = quem crê; tanto faz se no Papai Noël, se no Saci, ou se em promessa de cãodidato.

candidatos

cândidos ditados, os cães ditados, e outros mais deveriam seguir a mesma regra que vale para os “dimenó”:

quem tem mais de 16 anos e menos de 18 pode votar, mas não pode ser votado;

nada mais justo que a regra também se aplique aos maiores de 70 anos, para quem o voto é facultativo.

Alguém, com 82 aninho, que hoje foi condenado, nem poderia estar exercendo cargo.

voto

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