Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘Guerra do Vietnã’

acordo Colômbia farcs

Os tão bem comentado acordo ontem assinado em Havana, entre o governo da Colômbia e o grupo guerrilheiro/terrorista chamado farc, para mim cheira uma reedição dos acordos de Paris, assinados em 1973 pelos Estados Unidos e os Vietnãs.

As conseqüências foram sentidas dois anos depois.

 

 

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o curto e finado século XX

A rigor, em termos sociais, econômicos e políticos, o século XX começou com o término da I Guerra Mundial.

Não foram apenas os Impérios que desapareceram. Alemanha, Áustria-Hungria, Rússia.

O comportamento das pessoas também se alterou a partir daquele evento.

Mulheres começaram a ter direitos políticos.

Legislações trabalhistas surgiram em quase todas as partes (e seus malfadados sindicatos).

A moda mudou substancialmente.

O automóvel e o avião alteraram rotas e distâncias. Em outro setor, rádio e televisão passaram a ser meios de lazer e de comunicação de massas.

O século XX, contudo, durou menos de 100 anos. Após 1968, mas com certeza no final da década de 1970, ele já estava sendo substituído pelo século XXI.

A gonorréia deu lugar à AIDS.

As pessoas tornaram-se obesas.

A moda despojou-se.
Se olharmos para imagens dos anos 60 e para as dos anos 80, a diferença é gritante. Cantores apresentavam-se de terno em 1967!

No Brasil, o latim e o francês foram abandonados no ensino das escolas.

A virgindade antes do casamento deixou de ser uma obrigação.

O que temos de lembranças do século XX são bàsicamente as trágicas lembranças da II Guerra Mundial, e de seus  “filhotes”: a Guerra Fria, a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã. Além do processo de descolonização, muitas vezes seguido de comunização, de países africanos, asiáticos e das Antilhas. Nem mesmo se diz mais Antilhas, hoje em dia a palavra é Caribe.

No entanto, ao olhar para o que temos nestes últimos 30 ou 40 anos, que formam um século à parte, pergunto de os valores alterados são de fato melhores do que os que regiam as sociedades do século XX.

Nunca se noticiaram tantos crimes banais.

As imagens tornaram-se fúteis. Confunde-se pintura e pichação. Fotografia deixou de exigir técnica de quem a tira. A música deixou de valorizar a melodia, dando-se mais valor às letras. A escrita perdeu precisão e estilo. Qualquer pessoa é “artista”.

Bem, o mais certo é que não verei até onde chegará o século XXI. Não estarei vivo para tanto. Simples questão de que as pretensões da medicina, dita “ciência”, na verdade bem pouco exata, não conseguem alterar a regra básica de que tudo termina. E pela lógica terminarei minha passagem pela Terra antes de saber quais foram os resultados deste século XXI, e em que transformações virão a seguir.

Divagações, nada mais.

JFK – 50 anos da morte de JFK

Cinqüenta anos do assassinato de John Kennedy. O presidente mais “popular” da Guerra Fria. O primeiro candidato a “ganhar” um debate na televisão.

Na época, eu era criança e também fui das pessoas que choraram pela morte do “herói”.

Como os arquivos sobre sua morte continuam muito bem lacrados, com um monte de explicações “oficiais”  mal ajambradas e um monte de teorias de conspiração malucas, acho que continuaremos sem saber o que ocorreu.

Quem morreu? Quem matou? Por que matou? Pois continuaremos sem saber a última resposta por muitas outras décadas.

De qualquer forma, JFK nestes 50 anos perdeu a aura de santidade que lhe havia sido conferida nos primeiros tempos de sua carreira e morte.

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O que considero uma incrível bobagem são as “análises de especialistas imaginando o mundo caso JFK tivesse sobrevivido a ataque“.
Algo realmente de uma “seriedade” incrível.
Se a Córsega não tivesse passado ao domínio da França em 1768, Napoleão III teria dado o golpe em 1852?
Se a Alemanha e a Áustria não tivessem perdido a Primeiro Guerra Mundial, qual seria o destino de Hitler?
Se não tivesse havido o holocausto judeu, como seria o Oriente Médio?
Se o chefe do clã dos Kennedy, Joseph Patrick, não tivesse ficado milionário com os negócios com bebidas alcoólicas, durante a Lei Seca, qual seria o futuro de seus filhos?

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É incrível, mas muita gente dá mais valor à aparência do que ao conteúdo.

Muitas pessoas comparam Obama a Kennedy, não porque ambos sejam presidentes do mesmo Partido Democrata, mas, sobretudo por conta do estilo de vida “jovem” e de suas mulheres “arrojadas”. (Muito embora Jacqueline Bouvier, com seu falso sorriso, tivesse sido uma das pessoas mais intragáveis que já passou pela Casa Branca.)

Se Kennedy, proveniente de uma das mais aristocratas famílias de um dos mais tradicionais estados do país, não tivesse sido misteriosamente assassinado, naquele esquema de um bandido que matou outro bandido, cuja solução ninguém sabe, duvido que, nos dias de hoje, a névoa de charme e de mistério teria sido mantida.

Se os escândalos sobre Bushinho vieram à tona tão rapidamente não foi apenas por conta da massa encefálica menos desenvolvida do último presidente do Partido Republicano, mas, sobretudo, porque os meios de informação no mundo se alteraram de tal forma nestes 50 anos, que não é mais possível guardar segredos como se fazia anteriormente.

As ligações do clã católico irlandês com a máfia italiana daqueles democratas eram apenas insinuadas, mas hoje em dia seriam mais do que comprovadas e motivos de manchetes, editoriais e movimentos de críticas pelo mundo afora.

Os desastres políticos de JFK não foram poucos, nem esquecidos. Só para citar os dois mais famosos, falo agora do início da Guerra do Vietnã (primeira grande derrota militar dos EUA), e do fracasso da invasão da Baía dos Porcos. Mais alguns: o distanciamento da França, a construção do Muro de Berlim, as guerrilhas na América Latina, a guerra civil em Katanga.

Ou seja, a política externa dos EUA foi uma sucessão de fracassos durante o governo JFK. Mas ele ainda assim é tido como charmoso. E insistem em compará-lo com Obama. Para que? Só se for porque já há planos para assassinar o atual presidente.

Rostinho simpático e bem produzido, o cínico greco-húngaro marido da cantora italiana Carla Bruni também o tem, e no entanto é um dos mais reacionários presidente que a França já conheceu em toda a sua história.

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