Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘habitação’

21 de outubro de 2015

No dia anunciado por “De Volta para o Futuro”, vamos ver se valeu a pena termos avançado no tempo:

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  • religião
  • moradias

Quantas mudanças, não é mesmo?

Tudo “melhorou” para pior.

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Testamentos

Mais um aspecto sobre a fôrça de alguns países: testamentos.
Falei de fazer testamento, e as reações dos conhecidos foi a mais pior de ruim. Quanta besteira…
Está doente? Vai se matar?
Se pelo menos fosse para pilotar um avião nuclear que destruísse a Praça dos Três Poderes em dia de festa…
Depois de 60 e tantos anos, matemàticamente estou muito mais perto da morte do que no nascimento.
Parece, porém, que as pessoas se recusam a ver o óbvio.

Concluí que um dos grandes sinais de identificação de um país atrasado, feito o Brasil, é o medo de falar em testamento.
Deixar herança para alguém em inglês é simplesmente chamado “desejo” (will). No Brasil é sinônimo de tragédia, fora as leis bem questionáveis sobre o assunto.
Paìsinho subdesenvolvido que acha que quanto mais leis mais melhor de bom.
Em outros países, as pessoas podem deixar os bens para instituições de caridade ou para gatinhos, cachorros, plantas de jardim, etc e tal.
No Brasil, os herdeiros são pessoas que têm relação com o defunteiro.
Qualquer coisa fora desse roteiro causa espanto.

Acho muito curioso, mas hoje em dia virou “obrigação” ser a favor do casamento gay, justamente casamento, “aquela instituição falida” que a esquerda chique repugnava nos anos ’60, ao mesmo tempo em que perseguia homossexuais.
Justamente a mesma esquerda caviar hoje em dia é favorável ao casamento gay, pasmem: por uma questão de herança.
Herança, é, aquela coisa burguesa de deixar bens para outros, que na velha União Soviética não existia. A esquerda não gosta de aulas de História.
Pode-se deixar herança para quem compartilhou a cama, mas não para alguém que compartilhou o dia a dia?

Não tenho pais vivos, nem nunca tive filhos.
Todos os outros parentes estão com a vida feita, bem estruturados, com profissões e seus outros bens, com recursos para viver de forma digna.
Por que deixar meus bens materiais e financeiros para eles? Para repetirem o famoso “vem fácil vai fácil”?
Por que não deixar para pessoas que estão em meu dia a dia, e que nunca terão as mesmas oportunidades que esses parentes tiveram?
Para que gente que paga de mensalidade em uma faculdade particular um valor quase tão alto quanto o que recebe de salário em trabalho sem especialização?
Ou para gente que trabalha desde bem jovem, e que por mais esforço que faça nunca consegue ter a famosa casa própria, pois isso só é facilitado para apadrinhados, e não para o proletariado (mesmo que proletariado no serviço público, que paga mal exceto para ascensoristas do Senado e deuses que dão voz de prisão a aviões e a carros sem placas).
Os beneficiários podem ser alterados ao longo do tempo, conforme eles ou o testamenteiro mudem suas vidas.

Sei que não deixarei dinheiro para nem uma ONG ou para instituições como algum partido político, religião dos loucos e dos maus-caracteres.
Meu avô não tinha bens, mas deixou dinheiro para pagar o enterro dele. Deixou enquanto estava lúcido, o que não acontecia mais nos últimos anos dos 93 de vida.
Algumas pessoas, porém, acham que a “medicina” vai avançar e que todos nós viveremos 180 anos.
Já repararam que quanto mais “progressos” a medicina apresenta, mais doenças novas aparecem? É a natureza dando risadas da arrogância humana.
Tudo tem de morrer, é o recado que uçerizumanu não percebem.

Realmente fiquei tremendamente decepcionado com a reação dos brasileiros à palavra testamento.
Sinal de subdesenvolvimento mental e, sobretudo, moral.
Já que o voto é obrigatório, a declaração de imposto de renda, idem, acho que deveria ser obrigatório a existência de testamento para todos os brasileiros.
Não é obrigatório o seguro de saúde para viagens internacionais?
Então, também o comprovante de testamento, e, importante, o depósito de dinheiro para o traslado do corpo, porque acho uma tremenda cara-de-pau achar que o governo tem obrigação de trazer defunto que foi fazer turismo (ou se prostituir e/ou traficar) para ser enterrado próximo dos parentes.
Meu dinheiro de impostos servir para isso? Nada feito. Morreu, manda cremar onde está o cadáver. Ele não vai mesmo ver o que acontece.

Ou será que devemos deixar todos os bens para o grande e generoso governo, como nos tempos “velha e saudosa” União Soviética?

Ah, só um apêndice: deixar livros para biblioteca pública é quase impossível, pois as leis e regulamentos criam mil e duzentos obstáculos, sem contar a má vontade das bibliotecárias que não gostam de ter de classificar livros antigos, e a burrice dos “pedagogos” que não gostam de livros que não venham no modelo do desacordo ortográfico em vigor. Sabe como é, pode surgir algum questionamento sobre as “verdades absolutas” que o Brasil venera.
Um codicilo resolve esse assunto e outros parecidos.

Cinza e Cores

O filho de um casal de amigos fez um filme, que entrará em exibição nas próximas semanas, chamado Cidade Cinza.
Trata do cinza concreto e dos grafites urbanas.
Colaborei em dinheiro como forma de possibilitar mais ampla distribuição, em respeito a meus amigos.
Ainda não o vi, mas não concordo com essa coisa de que grafites (e pichações) melhoram a paisagem urbana.

cartaz filme cidade cinza

cartaz filme cidade cinza

Virou uma ditadura isso de que os grafites são bonitos, e que protegem a cidade dos pichadores.
Por que?
Por que não deixar simplesmente as pessoas pintarem suas paredes e muros com cores simples?
O “pilateiro” foi pintar o novo estúdio (de pilates), com uma cor forte, e logo depois já estava todo pichado.
Ele me contou um fato que achei o máximo: dois filhos da puta estavam pichando a parede da loja de um sujeito, um montado no ombro do outro. O proprietário viu e atirou um pedaço de pau no joelho do debaixo, que perdeu o equilíbrio, o outro caiu e morreu. Genial.
Acidente de trabalho, claro.

Um colorido de casas e prédios com cores, variadas, é mais interessante do que “obras de arte” de conteúdo em geral muito ruim. Bem apropriados para a frase de caminhão de que moldura não melhora pintura ruim.
Virou regra, porém: se estiver com grafite não vamos pichar. Isso é ensinado nas escolinhas que as prefeituras inventam por aí: grafiteiro é artista, pouco importa o que ele faça.
Por que não deixar simplesmente os prédios e casas pintados com a cor que a pessoa quiser. Verde bandeira, beige forte, amarelo, azulão, bordô, azul calcinha. Como as casas de cidades coloniais do interior do Brasil. Como o bairro “mouro” da Cidade do Cabo, cada casa em uma cor, forte.

Muslim quarter - near Waalestraat

Muslim quarter – near Waalestraat

Quando as pessoas viajam, elas acham lindo que as casinhas sejam coloridas. Parati, Pirenópolis, Diamantina, …

Diamantina

Diamantina

Nas grandes cidades brasileiras, porém, isso é considerado cafona, coisa de cortiço. Até mesmo a ditadura de que todas as cortinas nos apartamentos sejam iguais está valendo hoje em dia. Isso foi aprovado na reunião de cãodomínio do prédio em Goiânia. 8 prédios de no mínimo 30 andares cada, em torno de uma pracinha, e os moradores vêm falar de cortiço… Pombal de novos ricos, a pior espécie humana.

Virou moda também colocarem uns pedaços de metal, coloridos ou brutos, horrendos, e dizerem que aquilo é uma escultura.

Inhotim - MG

Inhotim – MG

Acho que uma boa medida seria cortar mãos, pés, olhos e pinto dos pichadores e dos “artistas” grafiteiros. Pena que aqui não seja a Arábia Bendita.

Eu colocaria um aviso na parede:
vá rebocar as paredes de tua casa e faça as pichações lá, seu recalcado.

A Lina Bo Bardi não queria que se pintasse de vermelho o prédio do MASP. Ela queria o purismo da podridão exposta do concreto armado, como o prédio da Faculdade de Arquichatura e Burranismo da USP. Tiveram de explicar à artista que a pintura protege o material perecível com que foi construído aquele monumento aos grevistas e desocupados.

Em lugar dos grafites sem qualidade, prefiro o cinza. Com o menor uso de concreto que possa existir.
E prefiro o cinza muito mais do que os tijolos expostos da periferia.
As prefeituras tinham de cobrar IPTU ao triplo para quem deixa as casinhas eternamente sem acabamento.

Minha Casa Minha Vida - Santana do Itacaré - PR - foto npdiario

Minha Casa Minha Vida – Santana do Itacaré – PR – foto npdiario – prefeito inaugura casas sem estrutura

CORES, cores fortes ou suaves, mas não essa babaquice de grafites.
E CINZA é uma cor, muito nobre, por sinal. Pena que os analfabetos funcionais ainda não tenham descoberto isso.
Aliás, na hora de comprar carros, nada de cores: tudo cinza ou preto, conforme o “conselho” do “consultor de vendas“.

Incompreensível.

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