Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

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1871 e 2017

Recebi por whatsaap este texto, cuja coerência e fundamentação já comprovei em muitos livros sérios.

Em 1871, a Imperatriz Teresa Cristina doou todas as suas joias pessoais para a causa abolicionista, deixando a elite furiosa com tal ousadia. No mesmo ano A Lei do Ventre Livre entrou em vigor, assinada por sua filha a Princesa Imperial Dona Isabel.

Oficialmente, a primeira grande favela na cidade do Rio de Janeiro, data de 1893, 4 anos e meio após a Proclamação da República e cancelamento de ajuda aos ex-cativos.

José do Patrocínio organizou uma guarda especialmente para a proteção da Princesa Isabel, chamada “A Guarda Negra”. Devido a abolição e até mesmo antes na Lei do Ventre Livre , a princesa recebia diariamente ameaças contra sua vida e de seus filhos. As ameaças eram financiadas pelos grandes cafeicultores escravocratas.

A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos imóveis da família.

D. Pedro II tentou ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848. Uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos. O Parlamento sempre negava o projeto de lei, pois muitos tinham influências diretas ou indiretas com os grandes cafeicultores escravocratas. Se tratando de uma MONARQUIA CONSTITUCIONAL PARLAMENTARISTA, o imperador não tinha o poder para decretar leis sem aprovação da maioria do parlamento.

Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas. Um verdadeiro escândalo para época.

Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los.

Pedro II criou uma cota para negros alforriados ingressarem no Colégio Pedro II e nas Faculdades. Essa cota não foi aprovada pelo parlamento, porém Pedro II tirou de seus próprios proventos a garantia da cota. No período de 1872 e 1889 centenas de ex-cativos se tornaram médicos, advogados, engenheiros… Graças a chamada “bolsa do imperador”.

O bairro mais caro do Rio de Janeiro, o Leblon, era um quilombo que cultivava camélias, flor símbolo da abolição, sendo sustentado pela Princesa Isabel.

Aumento do próprio salário??! O Imperador esteve no trono brasileiro por 50 anos. Mas nunca aceitou aumento na sua dotação, isto é, o salário. Quando morreu exilado em 1891, não havia acumulado riqueza alguma. Faleceu em um modesto quarto de hotel de 3 estrelas em Paris que era pago por um grande amigo, o Barão de Loreto.

Suas últimas palavras foram: “Deus que me conceda esses últimos desejos—Paz e Prosperidade para o Brasil.” Enquanto preparavam seu corpo, um pacote lacrado foi encontrado no quarto com uma mensagem escrita pelo próprio Imperador: “É terra de meu país; desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria”.
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Fonte: Diário Pedro II (Acervo Museu Imperial Petrópolis RJ), IMS RJ, Real Gabinete Português RJ e Biblioteca Nacional RJ.

Comparando o currículo e os atos públicos e pessoais do Dom Pedro II, com os principais políticos atuais, o Brasil, regrediu dràsticamente.
Recomendo a leitura de Um Reino Que Não Era Deste Mundo,  para entenderem a quartelada de 1889, sob o ponto de vista de um historiador que não é chapa-branca, como a maior parte do que é ensinado nas escolas.

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o dia da mentira

21 de abril, o verdadeiro dia da mentira no Brasil.

Dia em que se festeja a morte de um herói mais do que questionável, o Tiradentes.

Dia em que se paga pelo preço da construção de uma cidade nababesca, primeiro rombo dos cofres da Previdência e primeira grande fraude do conluio governo-empreiteiras, com um concurso fraudulento para a escolha do melhor projeto urbanístico.

Dia em que se anunciou a morte de quem foi sem nunca ter sido, a morte de um Tancredo que já havia passado para o outro mundo alguns dias antes do anúncio, golpe político-publicitário premeditado para sensibilizar a população.

21 de abril, dia da mentira, verdadeiro esporte nacional.

Tudo se repete. Mudam personagens, mas cenas se repetem.

 

Genealogia

Há alguns anos, várias pessoas começaram a fazer árvores genealógicas, na expectativa de que encontrar aquele parente “chave” que lhes dariam a oportunidade de receber outra nacionalidade.
Houve até um caso conhecido da mulher de um político, que disse que ia reivindicar a nacionalidade italiana, pois “queria dar melhor oportunidades aos filhos”.

Não foi meu caso.
Todos meus antepassados que vieram morar no Brasil o fizeram no período entre 1880 e 1910, e certamente não me sinto responsável por qualquer tipo de “dívida histórica” a ser paga a quaisquer outros grupos. Sou apenas mais um mestiço étnico dentre tantas pessoas de “raça pura” que desfilam por aí.

Muita gente cultiva “brasões” e “títulos de nobreza”, forjados e montados por “especialistas”. Falsos como cédulas de US$ 4,00 emitidas pelo Federal Bank of Nigeria.

Por pior que seja o Brasil, não me interesso mìnimamente em ir morar nos países de onde esses antepassados emigraram.
Certa vez, ainda no século XX, comentei com meu pai que tinha vontade de visitar o país de onde tinha vindo a família (dele). Resposta curta e direta:
– Para que? Eles vieram de lá porque era muito pior do que aqui.

E realmente só tem piorado… Lá ainda mais do que aqui.

Com difusão da infernet e seus penduricalhos, montei uma vez uma árvore genealógica, com poucas observações de que dispunha, relatadas bàsicamente por minha avó materna.
Compartilhei com parentes, e eles fizeram acréscimos. Muitos. Até demais. Quando chegaram a mais de 600 nomes, o site que hospedava a árvore disse que passaria a cobrar. Simplesmente salvei o que estava feito e apaguei da infernet.
Por que não cobraram desde o início? Vigaristas!

Contudo isso havia sido tempo suficiente para que fossem encontrados vestígios de outros ramos das famílias, em Berlim, Santiago do Chile, Toronto, na Cidade do Cabo, e – pasmem – até no interior de São Paulo! Para mim isso comprovou que havia muito mais do que “parentesco”, como pretendiam alguns “orgulhosos”, mas apenas coincidência de sobrenomes – mesmo que raros – e não raras vezes indesejável.

Havia dado tempo suficiente, porém, para que algumas relações fossem estabelecidas. Relações de nomes e relações entre os “chegados”.
Tive inclusive a oportunidade de conhecer um desses parentes afastadíssimo do interior de São Paulo (o bisavô dele era primo em segundo grau de meu bisavô), e com seu auxílio consegui obter a certidão de óbito de meu bisavô e da mãe dele.
Destruí a lenda de que o bisa tinha morrido enquanto inspecionava uma obra. Era apenas mais um caso de tuberculose, omitido dos mais novos.

Durante esses dias de carnaval, uma prima encontrou “aquela” velha caixa de fotografias, que ninguém consegue identificar quem sejam os retratados.

Foi então um festival de zapzapices, de e-mailagens, de telefonemas, entre várias pessoas, em diferentes cidades. Conseguimos identificar muitas daquelas pessoas. Outras continuaram a ser borrões na memória do micro-coletivo familiar.

O que achei interessante, porém, é que sem qualquer expectativa de encontrar a chave para um passaporte europeu, conseguimos re-montar muitas histórias, que tinham sido ouvidas por nós, na sala ou na cozinha.

Hoje em dia, em que estamos quase todos nós estamos mais perto do túmulo do que do berço, foi muito gratificante reunir essas memórias, lembranças, recordações.
Deu mais valor a nossas insignes ficantes vidas.

Enquanto isso, não são poucos os brasileiros que sequer sabem os nomes de seus avós e tios. O convívio social se dá apenas com “amizades virtuais”.

 

cem anos de solidão

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Indenização a antigos escravos

Fuçando arquivos velhos, encontrei este  artigo da revista Nossa História, nº 31 (maio 2006), página 71, que publicou carta de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, a Condessa d’Eu, mais conhecida por nós, na intimidade, como Princesa Isabel.

 

“11 de agosto de 1889 – Paço Isabel

Corte – midi

Caro Senhor Visconde de Santa Victória

Fui informada por papai que me collocou a par da intenção e do envio dos fundos de seo Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do anno passado, e o sigilo que o Snr. pidio ao prezidente do gabinete para não provocar maior reacção violenta dos escravocratas. Deus nos proteja si os escravocratas e os militares saibam deste nosso negocio pois seria o fim do actual governo e mesmo do Imperio e da caza de Bragança no Brazil. Nosso amigo Nabuco, além dos Snres. Rebouças, Patrocínio e Dantas, poderam dar auxilio a partir do dia 20 de Novembro, quando as Camaras se reunirem para a posse da nova Legislatura. Com o apoio dos novos deputados e os amigos fiéis de papai no Senado será possivel realizar as mudanças que sonho para o Brazil.

Com os fundos doados pelo Snr. teremos oportunidade de collocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas proprias trabalhando na agricultura e na pecuaria e dellas tirando seus proprios proventos. Fiquei mais sentida ainda ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seos bens, o que demostra o amor devotado pelo Snr. pelo Brazil. Deus proteja o Snr. e toda a sua familia para sempre!

Foi comovente a queda do Banco Mauá em 1878 e a forma honrada e proba, porém infeliz, que o Snr. e seu estimado sócio, o grande Visconde de Mauá aceitaram a derrocada, segundo papai tecida pelos ingleses de forma desonesta e corrupta. A queda do Snr. Mauá significou huma grande derrota para o nosso Brazil!

Mas não fiquemos no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar mais hum pouco. Pois as mudanças que tenho em mente como o senhor já sabe, vão além da liberação dos captivos. Quero agora dedicar-me a libertar as mulheres dos grilhões do captiveiro domestico, e ísto será possível atravez do Sufrágio feminino! Si a mulher pode reinar também pode votar!

Agradeço vossa ajuda de todo meo coração e que Deos o abençoe!

Mando minhas saudações a Madame la Vicomtesse de Santa Victória e toda a família.

Muito de coração

Isabel”

 

Pois é, Isabel Cristina de Bragança, Orléans pelo casamento com o Conde d’Eu, pensava em indenização aos ex-escravos (coisa de que agora falam amiúde), em reforma agrária (até hoje não feita) e em reforma política (inclusive com o voto feminino, que só veio a ser implantado no Brasil em 1932).

Como ela mesma apontava, “se os republicanos, escravocratas e militares” soubessem dos planos da Princesa, acabaria aquele governo.

E não por acaso, cinco dias antes de iniciar uma nova legislatura, o que ocorreria em 20 de novembro de 1889, a quartelada depôs o governo e instituiu a “república”, aristocrática, corrupta, oportunista, positivista, atrasada e tudo mais.

Ainda não superamos este trauma.

E ainda vamos passar muitos anos mais no atraso.

Ah, mas não ficou só nisso, além de terem impedido as medidas modernizantes que Isabel queria implementar no país, é comum que se lance a ela a pecha de ter atirado à rua os escravos libertos, enquanto louvamos como “herói” um outro cidadão, que destruiu os documentos.
Já vi comentário de um “cidadão” de que “não há provas disso”.  Pois é, se literalmente houve queima de arquivo, como pode haver as tais provas?
Queimar papel é mais grave do que apagar disco rígido de computador…
Aliás, sobre esse “herói”, ouvi relatos interessantes de neto de uma pessoa que, no comércio do antigo Rio de Janeiro, levou calotes do grande “jurista”. E ainda usam o nome do herói como exemplo de ética…

Fora outros “teóricos” que gostam de caluniar Pedro II, dizendo que ele “traiu” Mauá.
Isso fica para outro post.

Quanta lavagem cerebral que temos de tolerar nos tempos da “idade da informação”.
Quanta deformação!

Em tempo: leiam o artigo sobre o templo positivista que inseri no link, uns parágrafos acima.
Serve para dar uma “refrescada” sobre o quanto era “positivo” o pensamento de Augusto Comte…

 

 

 

 

Es-panha-cócia

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/10/novo-referendo-na-escocia-e-muito-provavel-diz-premie.html

Um monte de gente, que acredita em filmes que vê na televisão, comenta que a iskóssia (terra dos escrotos) nunca esquecerá William Wallace (vulgo Mel Gibson), que viveu entre 1270 e 1305, no filme coração covarde.
E
ssa gente inteligente diz que a terra dos escrotos de saias nunca se renderá à anexação a que foram obrigados pelos malvados ingleses.
SÓ que essas antas nunca estudaram que foi a Escócia que “invadiu” a Ingrataterra, quando Elizabeth I Tudor, a virgem, morreu sem herdeiros e o parente mais próximo a herdar o trono foi Jaime VI Stuart, rei dos escrotos de saias.
Sabe quando? 1603.  Só 300 anos depois da história do filme daquele chato ostralhano.
FOI a ingrataterra que foi anexada aos domínios de Stuart Little, e não versa-vice.
Portanto, são os ingleses que têm de pedir para os homens de saia para se retirarem de seu país.

Por sua vez, gente do “seculovinteum” apóia a independência da cataunhas, sem levar em consideração que foi Fernando de Aragão (reino que incluía a cataunhas) que em 1475 se casou com a tosca da Isabel de Castela, e se mudou de Saragoça para Toledo (então capital castelhana).
Foi o pessoal que fala francês com sotaque lusitano (os moradores de cataunhas) que preferiu se unir aos castelhanos e criar um reino chamado Espanta.
Não foi o contrário.
Portanto, são os galegos, os castelhanos e os andaluzes que devem pedir aos catadores de lã para se retirarem de seus territórios, e, outra vez, não versa-vice.

Ah, quanto as adoráveis bascos, que até há pouco tempo tinham como passatempo atirar bombas, nada mais são do que navarros que se revoltaram contra a ida de Henrique IV para Paris, onde se tornou rei Bourbon (aquele uísque americano).
Como me explicou um espanhol galego, os bascos, no século XIX descobriram que as minas de carvão geravam dinheiro, implantaram uma indústria metalúrgica, e começaram a acreditar que eles eram çerizumanu, por representar metade de toda a produção da parte ibérica que não aprendeu a falar Português.
Os navarros a sudoeste dos Pirenéus inventaram até de recriar uma língua que estava em desuso, complicando sua gramática e o vocabulário.
Algo que mais tarde foi copiado pelos israelenses, que não conseguiam aprender aramaico (a língua falada há milênios na região) e ressuscitaram uma língua que estava morta e só era usada em parte da liturgia de sósias do Edir Macedo.
Vascos (como bem dizem os lusos) deveriam atravessar os montes a pé e se unir com seus irmãozinhos oprimidos pela francofonia (ou melhor, fracofonia).
Eterno vice.

E os catadores de lã da cataunhas que se mudem para a Sardenha (sardinha), onde eles, no passado, tinham encravadas as unhas e os pés, como bons invasores de terras alheias. 

Ah, para concluir, quando a Espanha reivindica Gibraltar, e apóia a invasão arghgentinha nas Falkland Islands, sem respeitar a opinião dos kelpers, eles que saiam de Ceuta e Melilla, e devolvam também as Canárias para o Marrocos. Saiam da África, europeuzinhos de terceira categoria, na verdade moradores da África do Norte que vivem pendurados em uma ponta da Europa.

 A História é sempre diferente do que dizem as lendas e os filmes.

Pena que jornalista pensa que pode ser historiador.

acordo Colômbia farcs

Os tão bem comentado acordo ontem assinado em Havana, entre o governo da Colômbia e o grupo guerrilheiro/terrorista chamado farc, para mim cheira uma reedição dos acordos de Paris, assinados em 1973 pelos Estados Unidos e os Vietnãs.

As conseqüências foram sentidas dois anos depois.

 

 

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