Um blogue mal humorado, com aversão ao abominável modismo do "polìticamente correto" (hipòcritamente mal-resolvido). Blogue de um cético convicto, com a própria ortografia.

Posts marcados ‘horário político’

Reformas eleitorais

Comecei a ler Soumission, de Michel Houellebecq.
É um romance que fala de um “futuro longínquo”, quando em 2017 os franceses têm no segundo turno de escolher entre o Front National e a Irmandade Muçulmana, depois do enfraquecimento dos pseudo-socialistas, e a falsa direita do Sarkoma (aquele marido de uma cantora italiana).

Bem, a primeira coisa que me vem à cabeça é que é um abuso essa coisa de “segundo turno”, em que uma minoria se torna maioria e oprime os outros todos.
Fazendo uma caricatura, com essa porcaria de sistema, muita gente que votaria em Bolsonaro acaba votando em Marina, “porque ela tem mais chance de ir ao segundo turno”, segundo as estatísticas do DataFalha.
Ou seja, a pessoa já vota pensando no segundo turno.
Isso é democrático?

Pois o cãodidato que ganhe com seus reles 25%, e pare de dizer que teve a maioria dos votos.
Já me contra-argumentaram que, no Chile, Allende foi eleito com 33% dos votos, contra Frei e Alessandri.
Sim, mas ele nunca veio com o blefe de que tinha a maioria, muito menos quando esse número é ponderado, levando em consideração apenas os chamados “votos válidos”.
Se houve crise no Chile não foi por conta da falta de segundo turno.

Outra coisa, que já disse antes:
eleições do poder executivo têm de coincidir entre si, para mandato de 5 anos, e dali a 2 anos e meio, as do legislativo servirão para que deputados e vereadores dêem apoio ou façam oposição a quem está no poder. O legislativo será a oportunidade para a população manifestar apoio ou rejeição ao executivo que foi eleito.
E o Senado? Oras, por favor, está na hora de se repensar essa instituição.
Podemos até ser generosos e dar a esses senhores senis um mandato de, digamos, seis meses, em sistema de rodízio com os deputados eleitos.

Do jeito em que estamos, polarizados e divididos artificialmente, por interesses dos partidos, em 2018 a disputa será entre radicais gayzistas da Bobo/Falha e os radicais seguidores de Feliciano com os amigos do Bolsonaro.
E qualquer um dos dois terá a petulância e descompostura de dizer que tem a maioria, mesmo que no primeiro turno tenha ficado com 22% dos votos.

Mais uma coisinha: financiamento de campanha?
Que palavrão é esse?
Os partidos são ricos o suficiente para fazerem as próprias campanhas, sem precisar de horário “gratuito”  no  rádio e na televisão, nem muito menos de “financiamento público para impedir doações de empreiteiras”, e só permitir as de Caixa 2.
Isso funciona, por incrível que “nossos” políticos queiram afirmar o contrário.
Pense nisso.

Por sua vez, alguns outros aspectos são necessários em uma reforma eleitoral que não seja sugerida pelos “representantes do povo”.
A primeira delas é restringir a reeleição ad infinitum. Há pessoas que só são políticos, nada mais, por toda a vida “útil”.
A segunda é acabar com as dinastias, tornando inelegíveis todos os parentes (inclusive cunhados, sogras, etc.)  de quem já ocupa cargo político.
Mais algumas: voto com comprovante impresso;
direito a voto apenas a quem não tem medo de ser fotografado;
extinção dos famigerados suplentes – morreu ou foi assumir outro cargo, fica a vaga até novas eleições;
impedimento de voto a condenados;
voto facultativo;
e, claro, o direito ao voto só pode ser concedido a quem pode responder criminalmente por seus atos.

Pena que a CF foi redigida e votada por políticos que foram travestidos de constituintes, apenas para satisfazer os interesses de partidos, sindicatos, ONGs e alguns outros lobbies, como o da OAB.
Você participou na constituiinte? Por acaso foi consultado se a referendava?
É a tal “constituição cidadã” que, há um quarto de século, querem que acreditemos como “salvação da pátria”. Está muito mais para uma saúva que destrói o país.

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Coincidência de mandatos

Falam muito sobre a “necessidade” de coincidência de mandatos. Necessidade para quem?

Quem diz isso não sabe que a tradição no Brasil era de que os mandatos fossem atribuídos localmente, e não de forma engessada, como pensaram os “nobres” constituintes golpistas travestidos à função pelo presidente de plantão em 1987.

Durante o período inter-ditaduras (Getúlio e governos militares), cada Estado definia o mandato dos respectivos governadores. Por exemplo: no Rio Grande do Sul, em São Paulo, o mandato era de quatro anos; em Minas Gerais e na Guanabara, o mandato foi definido em cinco anos; no Paraná, os primeiros foram eleitos por quatro, e depois se passou para cinco.
Esse mandato de cinco anos coincidia com o presidentes de república.

Prefeitos tampouco coincidiam os mandatos, com o presidente ou com o governador do respectivo Estado. Em Campinas, os prefeitos eram eleitos por três anos.

Algum problema nisso?
Claro que não. A “ditadura” do pensamento único, porém, implantada a partir do que chamam de “democracia” (o governo do DEMO), não gosta desse tipo de liberdade de escolha local.

Falam tanto da “informatização”, mas nos tempos das cédulas de papel, as eleições ocorriam sem que os tribunais eleitorais ficassem “sobrecarregados”.

Outra coisa: campanhas eleitorais eram de responsabilidade dos candidatos, e não de nós, contribuintes que pagamos pelo “horário gratuito”, remunerado às emissoras de rádio e televisão.

O mandato dos senadores já foi de seis anos no início da república, e passou depois para oito. O mandato dos presidentes já foi de quatro, passou para cinco, foi definido em seis, voltou para cinco, e depois para quatro. Falam agora em voltar para os cinco anos. Lógica? Nenhuma, claro.

Tenho exatamente uma proposta no sentido contrário:
a coincidência das eleições para os cargos do poder executivo (federal, estadual e municipal) deve ser oposta às do poder legislativo. Uma a cada dois anos e meio.

Motivo: se o governo do presidente, governador e prefeito estiver sendo satisfatório, o eleitor tem a oportunidade de dar a eles um poder legislativo mais sintonizado com suas políticas. Se, ao contrário, os “executores” estiveram condenando a população, está poderá eleger um legislativo que vá criar todas as dificuldades possíveis para os excessos do governante.

De qualquer modo, a “unanimidade” da coincidência é mais uma prova de sua burrice. Burrice dos políticos, dos “analistas”, dos jornalistas e dos funcionários da justiça eleitoral, órgão que, aliás, deveria ser questionado sobre sua necessidade ou não, já que muitas democracias não sabem o que é esse órgão específico, caro e “sobrecarregado”.

Questionar a obrigatoriedade do voto, falar do voto-cabresto trazido em bolsas, e do fim do horário político eleitoral obrigatório, porém, não é do agrado dos políticos profissionais.

Propaganda

O horário político eleitoral demonstra que a propaganda é a lama do negócio.

Leis trabalhistas

A candidata de uma das várias sublegendas da esquerda, a do coque, disse que “não vai alterar as leis trabalhistas“.

Que pena.

Mais um motivo para eu não votar nessa pessoa que muda de partido como quem muda de colar.

Uma das principais tarefas de um governo sério, algo que talvez nunca conheceremos, seria desmontar o emaranhado de leis fascistas, iniciado por Getúlio, que estimulam o sindicalismo pelego, premiam maus empregados, e punem com uma super-carga tributária os empregadores que levam as obrigações a sério (o que não é o caso de gigantes do empresariado, sobretudo na esfera da enpreimça e dos clubes desportivos) . País do jeitinho, deplorado por juristas e economistas que não fazem parte do “aparelho” socialista.

Os que fazem parte do “aparelho” costumam dizer que fascistas são as pessoas que pensam e trabalham sem o “porcoativismo”  que sustenta atravessadores, como sindicatos e ordens medievais.

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Horário eleitoral

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